terça-feira, 1 de maio de 2018

A CAVERNA DA SOLIDÃO


A Caverna é escura, fria e sombria. Nem o vento, o fogo e o terremoto são capazes de me tirar daqui. A dor é agonizante e insuportável. Não vejo luz no fim do túnel. Os sonhos e a esperança se foram. Noites em claro chorando amargamente e sem parar. Sonhando, querendo acreditar que ela existe, em algum lugar. Não sei quem ela é. Nem sei se ao menos essa pessoa pode existir. Amo alguém que não conheço. Não sei nem sequer o seu nome. Não conheço a sua aparência. Mesmo, não conhecendo seu nome e sem nunca tê-la visto, eu a amo. Como posso amar alguém que não existe e que nunca vi? A minha vida inteira aguardei por ela. A minha vida toda chorei, querendo acreditar que tal pessoa existe. O meu coração de carne se tornou num coração de pedra. Os meus sentimentos morrem a cada dia. A frieza tem tomado conta do meu ser. A morte está se sobrepondo sobre a vida. O que devo fazer? Como posso amar alguém que nunca existiu? Como posso me apaixonar por alguém que nunca vi, nem toquei ou senti? Não sei a sua aparência. Não sei nem sequer o seu nome. Quero acreditar que ela existe em algum lugar. Quero acreditar na sua existência. Espero ansiosamente o ciclo suave, a voz mansa e delicada me tirar de dentro dessa Caverna escura, fria e sombria. Quero sair dessa solitária. A minha alma está em tormento e em agonia. Será que um dia a esperança brotará novamente em meu duro, frio e congelado coração? Um dia o meu coração de pedra será trocado por um coração de carne? A vida triunfará sobre a morte? Ainda aguardo o ciclo suave, a voz mansa e delicada me tirar de dentro da Caverna da Solidão. (Filipe Levi)

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