quinta-feira, 29 de março de 2018

ÉTICA CRISTÃ


      
            
Filipe Levi 29/07/09
   ÉTICA CRISTÃ

     
O Cristianismo é polêmico desde a sua origem, pois os cristãos sempre interpretaram a Bíblia de diversas maneiras. Pentecostais, tradicionais, arminianos, calvinistas, ativistas, pacifistas e seletivistas; ambos são cristãos, mas cada um tem a sua opinião sobre determinado assunto. A pena de morte e a guerra são assuntos éticos que geram muita polêmica no meio evangélico, porque cada cristão tem o seu ponto de vista. Antes de o imperador Constantino dar liberdade religiosa aos seguidores de Cristo, alguns Pais da Igreja endiabravam as autoridades instituídas pelo próprio Deus (Romanos 13:1-7) e (1 Pedro 2:13-17), e julgavam injustamente os cristãos que se alistavam no Exército ou que se envolviam com a política, e os expulsavam das igrejas baseados apenas em seu preconceito religioso. Existiram poucos seguidores de Cristo que foram militares e políticos antes do século II, pois a sua grande maioria era formada por cidadãos comuns que não se envolviam com a administração civil e defesa militar do Império Romano. Com o Édito de Milão, em 313, no século IV, os Pais da Igreja passaram a enxergar o Estado com bons olhos e já não viam mal algum em cristãos servirem o seu país. No Concílio de Arles, em 314, a Igreja Primitiva reconheceu, oficialmente, o serviço militar como lícito e bíblico (Lucas 3:14).
Basear-se no fato de os cristãos primitivos não terem guerreado para propagar o pacifismo é uma tremenda hipocrisia, porque existiam problemas sérios que impediam os primeiros cristãos de participarem das guerras que o Império Romano promovia. O culto imperial era obrigatório para todos os militares e políticos, e se esses indivíduos não adorassem o imperador, eram condenados a morte. Os legionários romanos guerreavam para conquistar e escravizar os outros povos e não para defender a sua nação de uma invasão inimiga, por isso, não era aconselhável os seguidores de Cristo se envolverem com o serviço militar. Existiram alguns funcionários públicos cristãos no século I, como o centurião Cornélio (que foi batizado ainda sendo um oficial romano), o procônsul Sérgio Paulo (que não deixou de ser um governante por ter se tornado cristão) e o carcereiro de Filipos (que continuou portando a sua espada mesmo após a sua conversão), que mesmo depois de se converterem, permaneceram em suas profissões, mas eles foram exceções. Na minha humilde opinião, eu acredito que se os cristãos primitivos tivessem se envolvido mais em todos os setores da sociedade para fazer a diferença, eles não seriam tão perseguidos, e o Império Romano poderia ter sido uma benção para o mundo e o derramamento de sangue inocente teria sido evitado.
Muitos dos grandes teólogos que participaram da História da Igreja de Cristo eram favoráveis a pena capital e não viam problema algum em cristãos ingressarem nas Forças Armadas ou ocuparem cargos públicos.
Clemente de Roma, conhecido como Clemente Romano, foi discípulo do apóstolo Pedro e cooperador do apóstolo Paulo. Clemente, em sua Carta aos Coríntios, reconhece que as autoridades governamentais são legítimas, e até elogia os soldados os usando como bons exemplos a serem seguidos pelos cristãos. Clemente de Roma ensinou os cristãos a orarem em favor dos governantes, porque eles são instituídos por Deus.
Policarpo de Esmirna foi discípulo do apóstolo João, e em seu martírio, registrado no livro “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesaréia, ele afirma em seu julgamento, antes de ser martirizado, que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus; e de que é lícito pagar os tributos e os impostos aos governantes. Os Pais Apostólicos reconheciam a legitimidade das autoridades.
Clemente de Alexandria (Tito Flávio Clemente) além de reconhecer a legitimidade das autoridades governamentais, também apoiava a guerra justa, pois ele era totalmente a favor do serviço militar. Clemente além de apoiar as guerras justas, também apoiava as revoluções justas contra governos tirânicos e opressores. Clemente de Alexandria também defendia a prática de esportes (como o Pancrácio, a arte marcial grega, muito praticado pelos cristãos primitivos). Ao contrário de seu discípulo, Orígenes de Alexandria, Clemente não via problema algum em cristãos matarem nas guerras e revoluções justas.
Agostinho de Hipona desenvolveu a Teologia da Guerra Justa, pois ele acreditava que os cristãos têm o dever moral de participar de guerras justas para promover a justiça. Agostinho é considerado por muitos cristãos, o maior de todos os Pais da Igreja, e ele escreveu muitas obras que beneficiaram a Cristandade. Esse grande teólogo era a favor da pena de morte e os Reformadores do século XVI se inspirariam nele para reformar a Igreja Cristã.
Tomás de Aquino foi um dos maiores teólogos que já existiu e falava positivamente sobre a legítima defesa e achava necessária a execução de criminosos perigosos para o bem-estar da sociedade. Tomás de Aquino foi o maior teólogo da Idade Média e também defendia a “resistência ao tirano”.
Martinho Lutero era um monge agostiniano e acreditava que a pena capital era indispensável em casos de crimes bárbaros; inclusive, ele incentivou os príncipes alemães a exterminarem os camponeses que se rebelaram contra as autoridades constituídas, e os anabatistas, que se diziam pacifistas, participaram dessa rebelião.
João Calvino foi um grande teólogo francês e era favorável a pena de morte até nos casos de heresias; ele condenou o médico, Miguel Serveto, que blasfemou contra a Trindade, a morrer na fogueira. Entretanto, João Calvino, se arrependeu de ter mandado matar, Miguel Serveto, mas ele nunca mudou a sua opinião em relação a executar malfeitores.
Ulrico Zuínglio era capelão do Exército e morreu em combate lutando contra os cantões católicos. Ele foi um dos principais responsáveis pela Reforma da Igreja na Suíça, e como João Calvino, Ulrico Zuínglio era também a favor da pena capital em caso de heresia.
Eu não concordo com a execução de hereges (nem de bruxas), mas sou totalmente favorável a pena de morte (espada-machaira) em casos de crimes hediondos e de que nós, cristãos, temos a obrigação moral de guerrear para promover a justiça, porque Deus não se agrada da omissão diante do mal. Portanto, devemos pelejar em favor dos fracos e oprimidos. O nosso dever é proteger os inocentes e indefesos.


Nenhum comentário: