quinta-feira, 29 de outubro de 2015

CORNÉLIO


Cavalheiro, preparou o caminho para você e para mim

Homem de inteira confiança, Cornélio era um oficial competente no exército romano estacionado em Cesaréia. Ele tinha responsabilidade, reconheci­mento e mais dinheiro do que a média das pessoas. É correto dizer que ele comandava respeito. Ele dispu­nha de considerável poder se resolvesse usá-lo.

Cornélio estava longe do lar, mas estava acostuma­do a essa vida. Visto como os exércitos romanos ocupavam diversas nações, os soldados mudavam-se com freqüência. Alguns oficiais eram cruéis e taca­nhos; outros eram bondosos e justos. Cornélio en­quadrava-se na segunda categoria.

Embora fosse generoso com o povo da região que ele ocupava, sua filantropia não pode confundir-se com fraqueza. O amor que ele dedicava ao imperador e ao império chegava ao ponto mais alto. Se fosse preciso desembainhar a espada, Cornélio não hesi­taria.

Ele parece ser um homem bem-acabado e seguro. Não há sede de vingança mesquinha. Não há necessi­dade de exercer violência simplesmente para flexio­nar os músculos.

Como centurião, Cornélio tinha 100 homens sob seu comando, e tinha considerável peso sobre o soldado de infantaria e sobre a população local. Seis desses grupos de 100 homens formavam uma coorte. A coorte que Cornélio comandava era conhecida como italiana. Quando se reuniam dez coortes, elas recebiam o nome de legião, com uma força de 6.000 homens.

Os centuriões são mencionados no Novo Testa­mento sem nenhuma observação que os desmereça. O primeiro centurião mencionado vivia em Cafarnaum. Era de espírito magnânimo. Homem atencio­so, ele amava a nação de Israel e fez grandes contribuições para a construção da sinagoga local.

Convém que não percamos o significado deste fato. Cafarnaum ficava na Galiléia. Nesta região havia grande número de rebeldes e fanáticos. Freqüentemente atacavam os soldados romanos e vi­viam de contínuo lutando por sua liberdade. Neste território tenso teria sido duplamente difícil relaxar ou ser bondoso. Não obstante, este soldado profissio­nal esforçava-se por merecer o respeito. Os judeus que o conheciam não lhe poupavam elogios. Reco­mendaram-no a Jesus com insistência.

Jesus respondeu ao apelo curando o servo do centurião que se achava às portas da morte. Este foi o primeiro gentio a entrar no ministério de Jesus Cristo (Lc 7:1-10).

Mais tarde foi um centurião que esteve junto à cruz e disse: "Verdadeiramente este era Filho de Deus" (Mt 27:54b).

Cornélio encaixava-se na mesma mistura que os outros nobres centuriões. Ele possuía devoção a Deus e não ocultava esse fato. Os que faziam parte de sua família comungavam de seu entusiasmo pelas coisas espirituais e eternas.

Embora ele tivesse uma parcela saudável de ener­gia humana, Cornélio percebeu que a vida é mais do que dinheiro, poder, servos e prestígio. Essas não eram qualidades que satisfizessem. Era necessário ter comunicação com o Pai Celestial para ser comple­to.

Normalmente, o centurião vivia sob considerável tensão. Ele era o sustentáculo do exército romano. Se ele não funcionasse direito, a coorte e a legião eram inúteis. Na maioria dos casos ele fazia carreira militar. Membro da classe comum, o centurião mé­dio havia-se distinguido e era notado por sua capaci­dade. Coragem era a mais proeminente qualidade. Se o país fosse atacado, esperava-se que o centurião defendesse seu terreno ou morresse lutando.

Os deveres específicos do centurião abrangiam três áreas. Ele era responsável pela disciplina de sua tropa. É por isso que o centurião tinha um ramo de videira como seu emblema. Quando necessário ele o usava em seus homens. Em circunstâncias normais, ele não somente batia em seus soldados mas podia executá-los.

A segunda responsabilidade era manter as tropas em forma. Elas tinham de fazer exercícios regular­mente. O centurião fazia inspeções regulares e tinha jurisdição final sobre os suprimentos.

Sua mais importante função era exercida na pró­pria batalha. Uma vez lá, ele era totalmente respon­sável pelo desempenho de seus homens.

Foi na vida de um centurião amistoso que Deus resolveu agir misteriosamente. Deus estava elimi­nando o abismo que havia entre judeus e gentios. Ele queria demonstrar seu amor a ambos igualmente.

Cornélio recebeu uma visão durante as primeiras horas da tarde. Um anjo de Deus assustou-o — soldado intimorato ou não. O centurião fixou os olhos no visitante. Sabia que não se tratava de um sonho. Ele estava bem acordado e gozava de boa saúde. Imediatamente Cornélio perguntou: "Que é Senhor?" (At 10:4b).

Dois ingredientes são óbvios no homem: Ele é aberto, e está disposto. O homem é um aventureiro criativo. Muitos de nós provavelmente ainda estaría­mos tomando aspirina e esperando que a visão desaparecesse. Cornélio, para sua total surpresa, espera que Deus faça coisas fora do comum. Desde o começo ele aceita este fato como uma mensagem da parte de Deus.

Por certo Deus pode conceder visões hoje. Muitos de nós nunca teremos uma visão, mas o princípio da comunicação tem de permanecer vital. Deus pode falar-nos, tanto individual como coletivamente. Ele o tem feito de forma regular através da história. Talvez ela venha como uma "orientação" silenciosa; para outrem pode ser uma voz. Outra vezes é uma circunstância. Certamente ela vem através das Escri­turas. Se crermos que Deus não comunicará, prova­velmente teremos todos os nossos portões fechados de qualquer maneira. Os cristãos que crêem que ela pode acontecer têm maior probabilidade de sentir uma orientação definida.

O anjo anunciou a intenção de Deus de recompen­sar o serviço consagrado. Visto como as orações de Cornélio e suas esmolas visavam à honra de Deus, elas tinham sido aceitas. Em resposta, Deus conferi­ria algo especial ao seu servo.

As esmolas parecem tocar um sino especial para Deus. Embora muitos de nós as tenhamos posto a cozinhar em fogo lento, a Bíblia trata-as com enorme calor. O Antigo Testamento traça diretrizes definidas para a ajuda aos pobres. A compaixão dos israelitas era bem conhecida e estava em nítido contraste com as nações circunvizinhas.

Uma pessoa necessitada podia entrar em qualquer campo e comer o que desejasse se estivesse com fome (Dt 23:24, 25). Era proibido aos agricultores ceifar tudo quanto os campos produzis­sem — os cantos dos campos não eram ceifados, para que os necessitados pudessem segar e recolher algu­ma coisa (Lv 23:22).Um israelita não podia cobrar juros sobre o dinheiro emprestado a uma pessoa pobre (Lv 25:35, 36).

Quando Jesus principiou seu ministério, ele conti­nuou a mesma atitude generosa. Disse aos fariseus que eles deviam esquecer-se da linguagem estrita da lei. Eles estariam em muito melhores condições se pudessem conservar o espírito da lei e ajudar os pobres (Lc 11:41).

Jesus tinha pouca paciência com os teólogos de gabinete. Que mérito havia em guardar todas as festividades se realmente não se importavam com os pobres?

Depois de proferir a parábola do rico insensato, Jesus disse aos discípulos que vendessem o que tinham e dessem esmolas (Lc 12:16 e ss.).

Cornélio viu o ato de dar como algo que estava no coração do Deus amoroso. Cornélio provou que ele tinha cuidado e Deus resolveu apor seu selo de aprovação nesse gesto.

Deus desejava explicar o evangelho de Jesus Cristo a um soldado gentio. Então, por que não o fazia ele mesmo? Por que o anjo do Senhor não anunciou as boas-novas a Cornélio? Em vez disso, o anjo explicou uma série de passos que Cornélio poderia dar para descobrir a verdade.

Parece haver dois motivos por que Deus não lhe disse diretamente. Um é que ele escolheu pessoas para levar a sua Palavra. Somos, basicamente, as mãos, os pés e a voz de Deus neste mundo (Mt 28:19). O segundo motivo para proceder dessa ma­neira é conservar seus seguidores em unidade (Jo 17). Definitivamente, Deus não queria uma igreja judaica e uma igreja gentia. Era importante que se tornassem uma desde o princípio.

As instruções dadas a Cornélio foram claras. Ele devia enviar mensageiros a Jope (hoje está anexada a Tel-Aviv). Lá eles encontrariam Simão Pedro. Simão estava hospedado na casa de Simão, o curtidor, localizada junto à praia. As instruções pareceram suficientes, de modo que o anjo se retirou.

O centurião estava acostumado a receber e a dar ordens. Sem dizer uma palavra, pôs o plano em ação. Cornélio convocou dois servos e um soldado. Os três fariam a viagem de um dia em direção do sul e encontrariam o dinâmico apóstolo.

O soldado que Cornélio escolheu para a viagem é descrito como um homem devoto ou piedoso. Existe algo de contagioso com respeito a este tipo de justiça. Ela não parece pretensiosa ou atravancada com pesos difíceis. A consagração deste trio parecia sincera e mais tarde teve de prová-lo que o era ainda mais.

Até aqui esta reunião histórica movia-se como um piquenique em dia de verão. Tudo estava no lugar certo. Agora Deus tinha de fazer seu trabalho pelos lados de Jope.

Para compreendermos o que estava para acontecer é preciso que avaliemos os antecedentes de Pedro. Sempre lhe fora ensinado que uma pessoa poderia chegar-se a Deus somente fazendo-se judia. Mas Cristo já tinha vindo, e Pedro estava encontrando dificuldade para separar as coisas. Tem um gentio de tornar-se judeu antes que possa tornar-se cristão? Até aqui somente os judeus gentios chegaram a ser batizados. O grupo de Cornélio estava a caminho para ajudar a clarear a mente de Pedro.

Pelo menos no momento a questão parecia clara para Pedro. Naturalmente, é preciso que o indivíduo se torne judeu antes que possa fazer-se cristão. No esforço de Deus para abrir a mente de Pedro ele usou a mesma forma de comunicação que havia usado com Cornélio. Enquanto orava no eirado da casa, Pedro entrou em transe e teve uma visão (At 10:10-15).

Na visão, descia do céu um lençol branco. Era seguro misteriosamente nos quatro cantos. Dentro do lençol havia uma grande variedade de animais qua­drúpedes, aves e répteis.

Disse uma voz: "Pedro, mata e come". Pedro fez objeção, porque alguns dos animais não eram lim­pos. Então a voz disse: "Ao que Deus purificou não consideres comum." Pela terceira vez a voz falou e então o lençol foi recolhido ao céu. Até que ponto uma visão pode ser desnorteante? Pedro cofiou a barba, cocou a cabeça. Felizmente não lhe foi dado muito tempo para ponderar. Enquanto lutava para entender a visão, chegaram à porta da casa do curtidor os três mensageiros vindos de Cesaréia. O Espírito de Deus falou diretamente a Pedro. Ele devia ir com o trio visitante e nada de fazer perguntas. Tudo sairia bem.

O valente apóstolo foi modelado no mesmo molde de Cornélio. Ele lançou-se diretamente ao portão e apresentou-se aos visitantes. Convidou-os a passar a noite com ele. No dia seguinte partiriam para onde quer que fosse. Deus não teve de dar a ordem a Pedro duas vezes.

Na manhã seguinte Pedro reuniu alguns de seus amigos cristãos e ambos os grupos partiram juntos de Jope. Viajaram um dia todo e chegaram a Cesaréia. Que aventura! Deus havia traçado um plano e eles estavam ansiosos por segui-lo.

Cornélio aguardava emocionado. Ele havia reuni­do os parentes e amigos íntimos. Podemos supor sem medo de errar que ele regularmente falava de Cristo com todos quantos conhecia. Ele pode ter tido em sua casa uma reunião de igreja sem igreja.

Teria sido fascinante saber o que eles estudavam. Será que liam o Antigo Testamento? Oravam em ignorância e pediam a direção de Deus? Estavam meramente trocando opiniões e andando sem rumo? Fosse qual fosse o processo, a sinceridade deles era indiscutível. E como buscavam a Deus honestamen­te, o Senhor resolveu honrar essa busca.

Quando Cornélio viu que Pedro se aproximava, correu para o apóstolo e caiu-lhe aos pés. É interes­sante notar como este oficial era humilde. Ele pare­cia ser uma definição viva da verdadeira mansidão. Cornélio tinha o poder de exigir e mandar. Também tinha a humildade para aceitar sugestões, servir e mostrar respeito a outros. Coragem e maleabilidade eram sua combinação áurea.

A mansidão tem recebido um mau nome, mas realmente ela é uma qualidade heróica. Jesus Cristo disse-nos que os mansos herdarão a terra (Mt 5:5). Francamente, isto é embaraçoso para muitos de nós. Retratamo-nos como confiantes e decididos. A palavra manso soa como retirar-se covardemente.

Jesus Cristo referiu-se a si mesmo como manso e humilde de coração (Mt 11:29). Não há necessi­dade de explicar em minúcias o que é a mansidão. É uma qualidade nobre que nos permite servir aos outros e aprender deles.

Às vezes os cristãos, em sua avidez por comunicar a fé, perdem a humildade. Sentimo-nos tão orgulho­sos por sermos filhos do Rei! Se não formos cuidado­sos, tornamo-nos arrogantes em lugar de úteis.

Cornélio tinha uma boa compreensão da Palavra e seu espírito. Ele não tinha de curvar-se ou mesmo cooperar — ele poderia ter exigido que as coisas fossem feitas do seu jeito, mas declinou de fazê-lo. Era isto que o fazia funcional nas mãos de Deus.

Pedro resistiu corretamente à adoração de Corné­lio. Ninguém, melhor do que o apóstolo, sabia que ele era como as demais pessoas. Isto, contudo, não o diminui diante da atitude do oficial. Ele era grato e não orgulhoso demais para admiti-lo.

Este encontro histórico precisa de uma pequena explicação. Ambos os homens não pareciam sentir-se muito à vontade. Pedro explicou como aconteceu de ele procurar um centurião gentio; para dizer a verdade, uma atitude muito irregular. Judeus e gentios normalmente não se misturavam bem. Cor­nélio esboçou seus antecedentes e descreveu a visão que teve três ou quatro dias antes.

Pedro tinha vindo para ensinar a Cornélio, mas ele tinha uma surpresa guardada. O oficial romano estava prestes a dar um passo gigante que mudaria a vida do apóstolo. Pedro resumiu a situação imediata­mente: "Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas" (At 10:34b).

Isto pode parecer-nos uma lição fácil, mas em realidade foi uma verdadeira revelação. Mais tarde, no concilio de Jerusalém Pedro defenderia a impar­cialidade de Deus (At 15), e mais tarde ainda ele teria de novo segundos pensamentos (Gl 2:11).

Cristo havia criado reputação de imparcialidade. Ele deu assistência a pessoas de todos os caminhos e nacionalidades. Isto havia se tornado parte de tal modo notável de seu estilo de vida que seus críticos zombavam dele. Quando os principais sacerdotes e escribas quiseram apanhar Jesus numa cilada, envia­ram espias com perguntas ardilosas. Quando quise­ram seduzi-lo, começaram com um elogio fingido: "Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente, e não te deixas levar de respeitos humanos, porém ensinas o caminho de Deus segundo a verdade" (Lc 20:21). Sabiam que ele não respeitava pessoas favorecidas. Contudo, pensaram claramente que ele deveria fazê-lo.

Pelo menos naquele momento a luz brilhou com todo esplendor sobre Pedro. Ele expôs o evangelho completo de Jesus Cristo ao gentio comandante romano. Pedro estava levando a cabo um serviço total para Deus que ele próprio não entendia inteira­mente.

Enquanto Pedro expunha o evangelho, o Espírito Santo caiu sobre Cornélio e sua família — indício claro de que eles criam sinceramente no que tinham ouvido. A evidência do Espírito era óbvia à medida que os gentios começaram a falar em línguas.

Há certa justificativa para chamar este aconteci­mento de Pentecoste gentio. O que aconteceu aqui é semelhante ao que está registrado no capítulo 2 de Atos. O motivo parece bem planejado. Os gentios tinham de entrar para a igreja em pé de igualdade com os judeus. Se houvesse qualquer sugestão de que os gentios eram cristãos de segunda categoria, o dano seria enorme. Igualdade de condições era o único nível aceitável. Deus estava abrindo cuidado­samente o caminho de sua igreja.

De imediato Pedro exigiu o batismo dos novos crentes. Exatamente como no Pentecoste, não houve período de espera entre a aceitação e o batismo. Embora hoje se ofereçam muitos argumentos a favor de um período de experiência anterior ao batismo, certamente tais argumentos não eram proeminentes no livro de Atos.

Cornélio e seus amigos convidaram Pedro e seu grupo a permanecer com eles. Durante alguns dias continuaram com a troca de experiências e ensino da doutrina cristã.

As notícias se espalhavam como manteiga quente no pão. Logo os ouvidos estavam tinindo na Judéia e nem todos os comentários eram favoráveis. Alguns cristãos ficaram chocados, digamo-lo francamente. Como podia Pedro ter-se encontrado com gentios e ainda dizer-lhes que eram cristãos? Que tipo de decadência havia invadido a igreja? Era uma profa­nação transparente. Os judeus agora tinham contato social e comunhão com os pagãos; eles haviam barateado o evangelho tornando-o acessível a todos. Alguns cristãos nunca se recuperaram desse mal.

Quando Pedro chegou a Jerusalém, explicou com todo o cuidado o que havia acontecido. Ele não queria mexerico para complicar os fatos. Lucas, autor do livro de Atos, que demonstrou o problema e seu progresso, a esta altura abandona o assunto (Atos 11:18). Mais tarde ele o discute de novo, retratando os profundos problemas resultantes da aceitação dos cristãos gentios, mas por ora o problema está solucionado.

Felizmente para todos, o primeiro gentio converti­do foi um homem da estatura de Cornélio. Provavel­mente não fazia a mínima diferença se ele fosse soldado ou centurião; contudo, era terrivelmente importante que ele fosse um cavalheiro. Uma perso­nalidade detestável como Simão o mago (At 8:9 e ss.) ou um casal de mentirosos como Ananias e Safira (At 5:1 e ss.) teriam comprovado ser desas­troso.

A despeito do que às vezes ouvimos, há pessoas que buscam a Deus. Seus motivos e vida podem não ser puros, mas seu desejo é real. Vemos em Cornélio este tipo de pessoa. Sua busca não era meramente intelectual. O centurião romano tinha um coração faminto de Deus.

Algo sobre o que pensar

1. Estava você buscando a Deus quando se tornou cristão? Deus o encontrou quando você estava desinteressado?
2. Nós, cristãos, temos uma atitude aberta para com a direção de Deus em nossa vida? Somos criativos e aventurosos como o foi Cornélio? Somos inflexí­veis e cuidadosos demais?
3. A esmola é proeminente entre seu grupo de amigos cristãos? Por que alguns são cheios de desconfiança na ajuda aos pobres? Qual a presente tendência entre os cristãos?
4. Deus fala às pessoas sem servir-se de outras pessoas? Acha que ele fala por meio da natureza?
5. Acharíamos difícil aceitar certos antecedentes étnicos e econômicos em nossos grupos cristãos? Explique.
6. Sua igreja batiza imediatamente ou adota um período de espera? Por quê?

Bibliografia W. L. Coleman


sábado, 17 de outubro de 2015

A CURA


O homem que se assentava a mesa com prostitutas e ladrões
Ele comia e bebia com os pecadores
Este homem nasceu numa humilde manjedoura
Ele é o verdadeiro Rei dos judeus
O Rei legítimo de Israel
Ele combatia o legalismo religioso
Não suportava a hipocrisia e o falso moralismo
Os religiosos hipócritas o odiavam
Os falsos moralistas o detestavam
Ele é a ponte entre Deus e os homens
Ele é o Único Caminho para se chegar até Deus
Ele é a Única Salvação
Só Ele pode nos salvar
Da morte eterna
Do castigo eterno
Quem o aceitar como o seu único e suficiente Salvador em seu coração será salvo
A epidemia se alastra sobre a Terra
O vírus mortal dizima incontáveis vidas
Os homens podem conhecer a morte
Mas Ele conhece a vida
Ele é a própria Vida
Esse homem é Jesus
O Cristo anunciado pelos profetas no passado
O Messias que Israel sempre aguardou
O Rei dos reis
O Senhor dos senhores
O Único que pode nos salvar
O seu sangue é a cura
Para o vírus mortal
Chamado pecado
Que se alastra sobre a Terra
Desde a queda do homem
No Jardim do Éden
O seu sangue nos purifica de todo o pecado
Para nos libertar da opressão
Que é o jugo do pecado
A escravidão que os homens sem Deus são submetidos
Muitos homens de Deus também são escravizados
Mas eles têm a certeza de que um dia serão livres
De que Cristo irá libertá-los
De que Cristo irá nos libertar
Da escravidão do pecado
Desse vírus maldito que tenta nos eliminar
O sangue de Jesus pode nos curar e nos libertar.

PANDEMIA


“Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado”. (1 Coríntios 9:24-27)
            O apóstolo Paulo nesse trecho da Bíblia se referiu à corrida esportiva e também ao Pancrácio (arte marcial grega). Assim, como Paulo sempre usou o serviço militar como bom exemplo para a vida cristã, ele também se referiu ao esporte como bom exemplo a ser seguido pelos crentes em Jesus. O contexto desse capítulo não é a demonização do esporte, pelo contrário, é o lado positivo do esforço dos atletas em alcançar a sua meta nos campeonatos. Esse contexto ensina exatamente o que as artes marciais sempre ensinaram, que o verdadeiro guerreiro deve lutar contra si mesmo, ou seja, que o homem deve dominar a sua própria natureza (exatamente o que Paulo ensina nesse capítulo). O contexto desse capítulo é a luta contra o pecado, isto é, é a batalha que todo servo de Deus deve travar contra a sua própria natureza pecaminosa.
“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei”. (1 Coríntios 15:55-56)
A epidemia viral se alastra sobre a Terra, dizimando incontáveis pessoas. O pecado começa doce, de salgado, então, se torna amargo. O pecado sempre engana com uma boa aparência, mas o seu final é de morte. Eu tenho sofrido muito com as tentações, porque onde eu olho somente vejo seios e bundas de mulheres. Sou bombardeado pela mídia. Eu evito assistir televisão, mas o pouco que assisto já sou tentado. Quando mexo na Internet sou bombardeado pela sensualidade (mesmo contra a minha vontade). Quando saio na rua vejo mulheres formosas vestidas de forma sensual. É muito difícil dizer não para o pecado. O desejo do meu coração é fazer a vontade de Deus, mas está muito difícil resistir às tentações.
“Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna; porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor”. (Romanos 6:22-23)
Como o apóstolo Paulo ensinou na Bíblia, o salário do pecado é a morte. As pessoas que vivem na prática do pecado são mortas espiritualmente, ou seja, são como zumbis que vagam por aí sem almas infectando outras pessoas. O pecado mata as pessoas aos poucos até destruí-las totalmente. O pecado sempre começa como uma coisa aparentemente agradável e coerente, mas esse vírus maldito escraviza os homens os transformando em verdadeiras bestas selvagens. O pecado é bestial, e coitado do ser humano que se tornar escravo dele. O pecado afasta os homens de Deus, e condena os seres humanos a morte eterna, isto é, ao Inferno. Quero deixar bem claro que há diferença entre cair em pecado e viver em pecado. A Salvação é pela Graça, e não pelas obras. Portanto, os cristãos não perdem a Salvação se pecarem (refiro-me aos verdadeiros cristãos), até porque Jesus Cristo sofreu e morreu numa cruz justamente, porque todos nós somos pecadores. Se nós não pecássemos, não haveria necessidade de Jesus morrer na cruz, por isso, Cristo morreu e ressuscitou, para que o seu sangue nos purifique de todo o pecado.
“O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar, e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios”. (Oséias 4:2)
O pecado gera a maldade e a perversidade, pois os homens se tornam em monstros sanguinários que perdem muitas vezes o discernimento do que é certo ou errado, mas também muitos deles optam pelo que é errado conscientemente. Os crimes bárbaros e a crueldade são apenas conseqüências da depravação total, ou seja, quando os homens estão tão contaminados pelo pecado que eles não são mais capazes de praticar o bem. O pecado endurece o coração do homem, o tornando num verdadeiro demônio sem sentimentos. A vilania toma conta dos corações dos seres humanos que não conhecem a Deus, porque esse vírus maldito cega as pessoas de tal maneira que elas não conseguem mais enxergar. Pessoas boas se tornam em criaturas bestiais por causa do pecado; e elas perdem a capacidade de amar. O pecado é brutal; e não tem piedade de ninguém.
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”. (João 11:25)
Descobri que a cura para o pecado é Cristo. O sangue de Jesus é a cura. Por isso, Jesus Cristo se sacrificou por nós, para que possamos ser libertos da opressão do pecado e vivermos eternamente com Ele. A Salvação é de graça, e a cura para esse vírus chamado pecado também. Jesus Cristo pode nos libertar do pecado. Basta ter fé.
“Senhor, Deus da minha salvação, diante de ti tenho clamado de dia e de noite. Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor. Porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima da sepultura. Já estou contado com os que descem à cova; estou como um homem sem forças, posto entre os mortos; como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quais te não lembras mais; antes, os exclui a tua mão. Puseste-me no mais profundo do abismo, em trevas e nas profundezas”. (Salmo 88:1-6)
Estou sofrendo muito ultimamente. Na verdade, desde os meus doze anos venho pedindo para Deus me matar. A dor que sinto em meu coração é tão grande, que acho que não irei suportar. A angústia que me assola por dentro é implacável. Tenho estado até desanimado de orar e ler a Bíblia. Eu adoro orar, e amo a Palavra de Deus, mas estou imensamente triste e melancólico, e não sei até quando irei agüentar. Realmente, acredito que não nasci para ser feliz, pois nunca tive sorte na vida. A única coisa que posso dizer que é sorte é a amizade dos meus queridos e amados amigos. Se ainda não me suicidei, é porque os meus amigos sempre foram os alicerces de minha existência. Quase todos os meus amigos são cristãos e dão bom exemplo. Eles são íntegros e corretos. Por isso, eu os admiro.
 “Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo? Atenta em mim, ouve-me, ó Senhor, meu Deus; alumia os meus olhos para que eu não adormeça na morte; para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários se não alegrem, vindo eu a vacilar. Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação, meu coração se alegrará. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito bem”. (Salmo 13:1-6)
Por incrível que pareça, eu ainda acredito que Deus pode me ajudar (isso se Ele quiser é claro). Não sei se Deus quer ter misericórdia de mim, pois tenho dado muitas mancadas com Ele. Eu sempre piso na bola com Deus, e não sei se Ele quer me perdoar. Estou muito arrependido, e sinto muito remorso, mas não consigo me libertar dos pecados que me escravizam. Quem me dera se eu conseguisse viver plenamente a vontade de Deus. O meu sonho é um dia me encontrar realmente com Deus, e viver uma vida plenamente santa, livre da escravidão do pecado. Estou vivendo em uma época de escuridão e trevas.
Estou muito decepcionado com as redes sociais. O Orkut me decepcionou muito no passado, mas nada se compara as decepções que tive com o Facebook e o Twitter. Eu desadicionei algumas pessoas do meu perfil do Facebook (pessoas que apenas me traziam tristeza e não acrescentavam nada na minha vida). Parei de seguir pessoas também no Twitter, que também somente me causavam sofrimento. Agora, as pessoas interessantes que conversavam comigo no Facebook desapareceram, pois elas estão muito ocupadas estudando. Infelizmente, eu sou um desocupado, para não dizer coisa pior. Eu procuro emprego, mas não encontro nenhum emprego da minha categoria (digo, que não seja trabalho de burro de carga). Eu sou graduado em História, ou seja, eu tenho formação de historiador e de professor, e na boa, eu me recuso a ficar trabalhando de limpar privada ou algo parecido (não estudei para isso). Não quero ser professor, porque os professores são muito desvalorizados neste país (principalmente, neste Estado). Eu poderia trabalhar como historiador, mas não têm muito campo de pesquisa aqui no Brasil, ou seja, eu sou mais um historiador desempregado. Não sou ganancioso, pois não tenho amor ao dinheiro, mas gostaria muito de trabalhar em algo que me desse prazer (e, que, principalmente, eu não seja explorado, como aconteceu em empregos anteriores). O último lugar onde eu trabalhei (a Oxford) foi um bom lugar e o meu chefe era um homem muito bom e íntegro. O meu sonho mesmo era trabalhar em criar jogos de videogames, pois adoro videogame, mas ainda não tive oportunidade de trabalhar nessa área.
Eu tenho tido sérios problemas com a promiscuidade e a depravação sexual devido a minha ociosidade. Os crentes hipócritas somente sabem me acusar, mas eu bem sei que esses safados pecam escondidos fazendo coisas muito piores do que eu (eu, pelo menos, sou sincero com Deus, ao contrário, desses falsos moralistas). Desejo do fundo do meu coração fazer a vontade de Deus, mas está muito difícil. Eu sei que fui criado para um propósito. Que devo cumprir com o propósito de minha existência. Só irei partir quando a minha obra estiver completa. É tão difícil viver de acordo com os preceitos de Deus e lutar contra a minha própria natureza.
            Já estou cansado dos “chavões evangélicos” de sempre, tipo “Jesus está voltando”, ou “é o fim dos tempos”, ou “o mundo jaz no maligno”, ou “a tendência é piorar mesmo”, ou “não julgueis”, ou ”os filhos das trevas são mais prudentes que os filhos da luz”, ou “não toqueis no ungido do Senhor”. Na boa, já estou farto desses crentes sem assunto que não tem o que fazer. Sabe, vão ler a Bíblia (estudar Teologia de verdade), ao invés, de ficarem pregando besteiras e colocando palavras na boca de Deus que Deus nunca disse. É crente que faz greve de fome e diz que é jejum. É crente que determina as coisas para Deus como se Deus fosse empregadinho dele. É crente que pensa que Deus é banco e que só quer arrancar dinheiro d’Ele. É um bando de crentes interesseiros isso sim. Sinceramente, sempre quis diferente deles e espero ser um cristão muito melhor do que esses religiosos que levam a Deus na brincadeira.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CRISTIANISMO, ANIMES E GAMES


“Eu sei, e disso estou persuadido no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que a considera, para esse é impura”. (Romanos 14:14)
Muitos evangélicos, baseados em seu preconceito religioso, demonizam os desenhos animados e o incrível é que esses religiosos hipócritas somente vêem o Diabo em todo lugar e não conseguem ver nada de bom nos desenhos. Eu reconheço que existe ocultismo em diversos desenhos e que eles são perigosos (para crianças pequenas que não sabem discernir o certo do errado), mas posso afirmar que eu e muitos de meus amigos temos retido muitas coisas boas nesses mesmos desenhos, pois como a própria Palavra de Deus nos ensina, devemos examinar tudo e reter o que é bom.
Gosto muito de assistir animes (desenhos japoneses) e aprendo lições de amizade, companheirismo e honra nesses desenhos que Josué Yrion e companhia adoram endiabrar. Os heróis dos animes geralmente são determinados, ousados e valentes, e se preocupam constantemente em ajudar os semelhantes. Os animes que eu assisto ensinam que a vingança é errada e que devemos pelejar apenas baseados na justiça. Os heróis japoneses usam sua força e habilidades para proteger os indefesos e lutar pelo que é justo. O que acho mais interessante nesses desenhos é que inimigos mortais se perdoam e se tornam grandes amigos, e a amizade é muito valorizada, algo que infelizmente não tenho visto nas igrejas evangélicas.
Agora, escreverei sobre alguns desenhos que assisto que têm me ensinado vários princípios morais e lições de companheirismo.
Samurai X ou Rurouni Kenshin é um desenho que se passa na Era Meiji do Japão e é um dos animes que mais gosto. Kenshin Himura era Battousai, o Retalhador, um matador que retalhava suas vítimas sem piedade. No final da Era Tokugawa ele se arrependeu de todos os seus crimes (por causa do amor) e prometeu para si mesmo que nunca mais sujaria suas mãos de sangue novamente. Durante anos, eu odiei os bandidos e desejei ser um justiceiro, mas através desse desenho pude ver que os marginais também podem se converter e se tornar pessoas boas. Deus usou esse anime para falar comigo e através dele eu passei a olhar para os delinqüentes com compaixão.
Fullmetal Alchemist é o desenho que conta a história de dois irmãos, Edward Elric e Alphonse Elric, e o que acho mais bonito nesse anime é o fato desses dois irmãos viverem um em função do outro. Edward e Alphonse brigam como todos os irmãos, mas eles têm um laço de amizade muito forte. Esses irmãos estão dispostos a morrer um pelo outro e sempre lutam pelo que é certo.
Bleach conta a história de Ichigo Kurosaki, um adolescente que se tornou num ceifeiro de almas (um tipo de caçador de demônios) e ele usa todo seu poder para proteger as pessoas que não podem se defender. Ichigo é amigo de Rukia Kuchiki e arriscou sua própria vida para salvá-la, porque ele a amava. Como quase todos os desenhos japoneses, esse anime também valoriza muito a amizade e os heróis desse desenho são amigos mesmo uns dos outros. Um dos heróis que mais admiro desse anime é o Sadu Yasutora, um jovem extremamente forte e poderoso que foi briguento no passado, mas que prometeu para si mesmo que nunca mais usaria seus punhos em causa própria e somente lutaria em favor dos fracos e oprimidos. Uryuu Ishida, o Quincy, também é um herói que admiro muito, porque ele é íntegro e honrado, e também somente luta em prol da justiça para defender os indefesos. Com o Uryuu eu aprendi que: “As flechas do Quincy só devem ser lançadas em nome da justiça. Não justiça para si mesmo, mas justiça para aqueles a quem o Quincy jurou proteger”. Com o Uryuu eu também aprendi que para aqueles que conhecem a Verdade não adianta fechar os olhos e tampar os ouvidos, ou seja, eu não posso ignorar o mundo espiritual. O Uryuu e o Ichigo eram inimigos mortais e se odiavam, mas com o passar do tempo, eles se tornaram grandes amigos (os ceifeiros de almas e os Quincys são inimigos naturais). Esse anime abençoa muito a minha vida, porque Deus sempre fala comigo por meio desse desenho animado.
Um desenho que gosto muito é o “Saint Seiya”, porque é um anime magnífico. Quando eu era criança, sofri muito preconceito por parte dos evangélicos por eu gostar do desenho japonês “Os Cavaleiros do Zodíaco”. Pretendo usar o meu talento de escrever mais uma vez para poder defender o anime Saint Seiya, porque já estou farto da hipocrisia e do fanatismo religioso dos fariseus. Chega de falso moralismo!
Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão, Hyoga de Cisne, Shun de Andrômeda, e Ikki de Fênix são os protagonistas desse maravilhoso desenho. Esses jovens cavaleiros de bronze são conhecidos como “Os Cavaleiros da Esperança”. Seiya e seus amigos são homens dispostos a sofrerem e morrerem pelos outros. Eles não usam os seus punhos em causa própria, mas usam os seus poderes para promover a justiça.
Seiya é determinado e perseverante, ou seja, ele não se entrega facilmente. O cavaleiro de Pégaso, mesmo sem os seus cinco sentidos, permanece lutando em prol da justiça. Seiya é um guerreiro admirável. No filme “A Lenda dos Defensores de Atena”, Seiya havia perdido a esperança e queria morrer. Saga de Gêmeos disse para Seiya que para os que perdem a esperança e desistem de lutar só resta morrer mesmo. Saga incentivou Seiya a lutar pela vida. Pégaso derrotou Gêmeos, e conseguiu vencer os demais inimigos, porque ele voltou a ter esperança, e continuou lutando.
Shiryu de Dragão é o cavaleiro que mais valoriza a amizade. Shiryu não vive para si mesmo, mas, sim, para a justiça. Ele é um homem que daria a vida pelos outros. Apesar de eu gostar mais do Ikki de Fênix, Shiryu é o cavaleiro que acho mais íntegro e honrado, isto é, ele é o mais digno do meu respeito. O cavaleiro de Dragão em várias ocasiões se sacrificou pelos seus amigos. Quando Shiryu doou grande parte de seu sangue para concertar as armaduras de Pégaso e de Dragão, ele provou que a sua amizade era verdadeira arriscando a sua própria vida. Em outra ocasião, Shiryu se cegou para poder derrotar Algol de Perseu, um cavaleiro de prata que havia transformado Seiya e Shun em estátuas de pedra. Assim, Dragão salvou Pégaso e Andrômeda. Quando Shiryu enfrentou vários esqueletos de cavaleiros, ele não podia se desviar para a direita, nem para a esquerda, e nem recuar. Assim, nós, cristãos, temos que trilhar o Caminho de Deus.
Hyoga de Cisne é um cavaleiro muito valente e honrado que tem muito carinho pela sua mãe. Hyoga tem princípios cristãos (a sua mãe era cristã), e ele é muito perseverante nas batalhas, assim, como os seus demais companheiros. Na Casa de Escorpião, quando Hyoga enfrentou Milo, o cavaleiro de Escorpião lhe disse que era um sonho os cavaleiros de bronze chegarem até a Sala do Mestre, mas Cisne lhe falou que se as pessoas se esforçarem e lutarem por seus sonhos, os seus sonhos podem ser realizados.
Shun de Andrômeda odeia a violência, ou seja, ele não gosta de lutar. Mas, luta quando é necessário. Shun é muito sensível, e não gosta de machucar as pessoas. Na Casa de Libra, o cavaleiro de Andrômeda elevou o seu cosmo ao máximo (arriscando a sua própria vida) para poder descongelar Hyoga de Cisne, que havia sido congelado por Camus de Aquário. Shun também está disposto a dar a sua própria vida pelos seus amigos.
Ikki de Fênix era maléfico no passado, mas graças à amizade de Seiya e dos outros; e do amor de seu irmão Shun, ele se converteu de seus maus caminhos. Ikki era só ódio por dentro, mas o amor o fez se arrepender de seus pecados e nascer de novo. O cavaleiro de Fênix era perverso, e liderava os terríveis cavaleiros negros, mas quando Ikki se converteu, ele passou a lutar pela justiça.
A parte que mais gosto do anime Saint Seiya, é quando o Mestre Ancião (Dohko de Libra) dá uma lição de moral em Máscara da Morte, o cavaleiro de Câncer. Aprendi com Dohko que a injustiça será para sempre injustiça; e a justiça será eternamente justiça. Não importa o quanto o mal tente mudar isso, a verdade é imutável. A injustiça nunca será justiça. Estes são os princípios e valores do anime Saint Seiya. 
Estou passando por um momento muito difícil; e o meu coração dói tanto, como se Afrodite de Peixes tivesse encravado uma rosa sangrenta no meu coração. Ainda bem que eu tenho o anime Saint Seiya para me alegrar e me ajudar a esquecer a tristeza.
 “E acontecia que, quando Moisés levantava a sua mão, Israel prevalecia; mas quando ele abaixava a sua mão, Amaleque prevalecia”. (Êxodo 17:11)
Em certa ocasião, o povo de Deus enfrentou os seus inimigos, os amalequitas, e Moisés intercedeu a favor de Israel para que o seu povo triunfasse. Enquanto Moisés estendia as suas mãos e orava, os hebreus prevaleciam; mas quando ele abaixava as suas mãos, os amalequitas prevaleciam. Essa parte da Bíblia nos mostra novamente o verdadeiro poder da oração.
 Neste maravilhoso desenho japonês, eu vi um episódio em que a Shunrei intercedeu em favor do Shiryu de Dragão. A Shunrei orou, ou seja, ela pediu diversas vezes para o Deus judaico-cristão proteger o seu amado Shiryu do cavaleiro de ouro Máscara da Morte de Câncer. O próprio anime Saint Seiya, que não é um desenho cristão, mostra o poder da oração. O vilão, Máscara da Morte, ficou muito incomodado com a oração da Shunrei; e foi a intercessão dessa garota que salvou Shiryu. Até esse anime ensina princípios e valores cristãos. Eu aprendi muito com esse magnífico desenho japonês. Apesar da idolatria e da Astrologia envolvidas nesse anime, têm muitas coisas boas para se reter nesse desenho que marcou a minha geração.
Dragon Ball conta a história de Goku, um garoto com rabo de macaco que foi enviado a Terra para conquistá-la, mas quando chegou ao planeta foi criado por Son Gohan que o criou com amor e carinho o transformando numa pessoa boa. Nesse desenho, muitos rivais se perdoaram e se tornaram grandes aliados. Vilões perversos se arrependeram de suas maldades e passaram a lutar pela justiça, como, por exemplo, Piccolo, Tenshinhan, Yamcha e Vegeta, que eram maus e se tornaram bons.
Naruto é o anime que tem feito grande sucesso na atualidade e conta a história de um jovem ninja com o mesmo nome do desenho que era considerado pela sociedade um fracassado que jamais triunfaria na vida. Eu me identifico muito com ele, porque sempre tive complexo de inferioridade e as pessoas nunca acreditaram em mim. Apesar de todos terem falado que Naruto era um perdedor, ele nunca desistiu de seus sonhos e provou para todos que ele era capaz de ser um vencedor. Naruto Uzumaki nunca desistiu de seu grande amigo, Sasuke Uchiha, que se desviou do caminho da justiça para trilhar o caminho do mal. Naruto sempre fez de tudo para trazer Sasuke de volta para o lado do bem, e nunca desistiu dele. Naruto luta contra o seu lado obscuro (um demônio aprisionado dentro dele). Esse ninja luta contra a sua própria natureza, e o amor e a amizade o tornaram num guerreiro justo e num homem grandioso com um excelente caráter.
 Agora, falarei sobre um desenho ocidental, o Doug, que conta a história de Doug Funnie que para mim parece até um cristão, pois ele é honesto, justo, bom, e ajuda até seus inimigos, como o Roger Klotz, que sempre o atormenta, mas mesmo assim Doug não retribui o mal com o mal. Esse é um dos desenhos mais educativos que conheço e ensina excelentes princípios morais.
Os fariseus precisam entender que nem todos os criadores de desenhos são pessoas mau-intencionadas, ou seja, nem todos são satanistas. À vezes, eles colocam suas crenças pessoais nos desenhos não com a intenção de prejudicar as crianças, mas porque simplesmente eles acreditam nelas. Muitas crenças fazem parte das culturas das pessoas e como muitas delas não conhecem a Deus, elas acabam colocando ocultismo nos desenhos, mas nem sempre é com a intenção de prejudicar alguém.
Os crentes hipócritas também costumam demonizar os videogames, mas várias pesquisas comprovam que muitos jogos estimulam o raciocínio das crianças, e como tudo na vida, também têm inúmeras coisas boas que nós podemos assimilar. Nem todos os jogos incentivam a violência, isto é, existem muitos jogos educativos.
Realmente, o videogame foi uma das maiores criações da humanidade, pois muitos jogos tornam uma vida amarga numa vida doce e aperfeiçoam o intelecto humano. Eu já passei horas por dia jogando videogame e fui muito feliz nesses preciosos momentos. Eu desenvolvi o meu raciocínio jogando jogos de RPG em que eu tinha que desvendar inúmeros segredos. Durante a minha infância, eu tive momentos muito tristes, mas os videogames que eu jogava alegravam o meu coração me tornando numa criança feliz. Agora, contarei sobre alguns jogos clássicos que me deram momentos maravilhosos que jamais irei esquecer. Sinto falta da época em que eu jogava videogame, porque nessa época, eu era verdadeiramente feliz.
Eu jogava muito os jogos do “Super Mario Bros” e delirava a cada fase que passava até chegar às últimas fases e acabar com esses jogos. No Super Mario Bros eu cheguei à última fase, entretanto, nunca consegui acabar com o jogo. No Super Mario Bros 2 eu consegui encerrar o jogo e gostava muito de jogar com a princesa Peach. O Super Mario Bros 3 era o jogo que eu mais gostava de jogar. Eu enfrentei todos os filhos de Bowser (Rei Koopa), mas gostava de usar a flauta para poder conhecer todas as fases. Eu já acabei com esse jogo jogando fase por fase também. O “Super Mario World" também me distraía nos dias que eu não tinha nada para fazer. Eu cheguei a abrir 93 fases desse jogo e passei por todos os castelos até chegar ao palácio de Bowser, no entanto, nunca cheguei a conhecer todas as fases.
O jogo “Super Metroid” da saga “Metroid” também marcou profundamente a minha infância, pois eu já passei madrugadas jogando esse maravilhoso jogo. O primeiro jogo dessa excelente saga tem uma história emocionante. A lendária "caçadora de recompensas" da Nintendo, Samus, tem uma triste história. Ela morava em uma colônia de terráqueos que foi praticamente destruída num ataque dos Piratas Espaciais, e a pequena órfã e única sobrevivente foi acolhida pelos Chozo, evoluída raça de alienígenas que a treinaram na arte da guerra, deram a ela o seu sangue e a sua conhecida armadura. O seu primeiro jogo leva o nome que até hoje é usado, Metroid, do NES. Hoje em dia, Samus, é conhecida por ser uma das poucas mulheres a estrelarem jogos. Metroid é até hoje um dos jogos que reúne fãs em todo mundo.
Já passei madrugadas jogando o magnífico jogo “The Legend of Zelda a Link To The Past”. Esse jogo foi um dos jogos mais emocionantes que já joguei em toda a minha vida. Eu me divertia combatendo os capangas de Ganondorf, o Rei do Mal, e a cada segredo que descobria ficava feliz da vida. Esse jogo me ajudou a ficar mais inteligente, porque eu quebrava a minha cabeça para desvendar os segredos desse excelente jogo.
“Street Fighter” foi um jogo que me marcou muito também. Eu adorava jogar com os lutadores Ryu, Ken, Dhalsim e Guile, para combater os chefões, Balrog, Vega, Sagat e Mister Bison. Street Fighter é um jogo realmente incrível.
Os jogos “Mega Man 7” e “Mega Man X” também alegraram as minhas tardes e noites. Eu até cheguei a criar histórias em quadrinhos do Mega Man de tanto que eu gostava desses jogos. Eu adorava combater os robôs do Doutor Willy e os Mavericks de Sigma. Os jogos do Mega Man marcaram profundamente a minha infância, portanto, nunca me esquecerei desses esplêndidos jogos.
Os jogos do computador MSX também alegravam os meus dias, pois eu me divertia jogando “The Goonies” e outros jogos magníficos (que, infelizmente, não me lembro de todos os nomes, porque eu era muito pequeno quando os joguei).
Apesar de todas as dificuldades que passei, eu tive uma infância feliz. Sinto falta de quando eu jogava videogame, porque essa foi à época mais feliz de minha vida. 
            “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. (1 Coríntios 6:12)
O que pode ser pecado para mim, necessariamente pode não ser pecado para outra pessoa e vice-versa. Eu admito que os desenhos que assisto podem realmente até serem maldições para outras pessoas, mas para mim eles são bênçãos. Deus fala comigo através dos animes e o que eu mais admiro no Todo-Poderoso é que Ele não é preconceituoso e me compreende. Deus me respeita na minha individualidade e não me recrimina por eu assistir desenhos japoneses. Convém-me assistir animes sim e eu não sou dominado por eles.
Decidi escrever essa apologia contra Josué Yrion e seus seguidores fanáticos, porque já estou farto de tanto preconceito. Por isso, resolvi dar um basta em toda essa hipocrisia. Espero ter esclarecido o meu ponto de vista, e afirmo que nós, cristãos, devemos reter de tudo o que é bom.

AUTOR: Filipe Levi Viasoni da Silva, historiador e professor de História.



domingo, 4 de outubro de 2015

GUERRA JUSTA


INTRODUÇÃO:

A Igreja Primitiva nunca teve um posicionamento pacifista oficialmente, mediante o tema da guerra, ou da agressão, mas no século IV isso começou a ser discutido. Uma mudança significativa na política Imperial Romana eleva o Cristianismo à religião oficial do Império, fazendo com que o Cristianismo passasse a fazer parte do Império e o Império viesse a ser cristão. Diante dessa nova postura imperial, deveria nascer uma, também nova, postura por parte dos cristãos. O Cristianismo passa admitir o uso da força e das armas para a defesa do Império, que é agora também a defesa da própria Igreja e da religião cristã, frente às invasões bárbaras e os movimentos heréticos. Uma nova linha de pensamentos irá se formar para a defesa dessa nova apropriação de um Cristianismo que assumia o belicismo, não mais apenas espiritual, mas que tomava armas para um combate corporal. Uma nova interpretação dos escritos e das tradições eclesiásticas deve ser tomada e para essa nova teoria que se forma no seio do Cristianismo, teremos um dos mais influentes pensadores para o Cristianismo Medieval: Agostinho de Hipona lançará as bases para a teoria de uma guerra justa, que se resume em uma união da ética cristã com o belicismo do medievo, que estará presente em toda a Idade Média.

No século I, o Cristianismo era visto como uma ramificação do Judaísmo (religião lícita para o Império Romano). Os judeus não eram obrigados a prestar culto ao imperador, nem sacrificar aos deuses pagãos, e eram isentos do serviço militar. Por causa disso, os cristãos primitivos nas primeiras décadas do primeiro século não tiveram problemas com o governo romano. No princípio, quem perseguia os primeiros cristãos era o Sinédrio, ou seja, os fariseus (os religiosos fanáticos e fundamentalistas da época). O apóstolo Paulo foi um grande perseguidor da Igreja, a mando do Sinédrio. No ano 64, com o incêndio terrível que devastou Roma, Nero, acusou os cristãos de tê-lo provocado, por isso, começou a primeira perseguição estatal contra os cristãos.

Há três pontos que devo destacar sobre o fato de quase todos os primeiros cristãos não terem se alistado no Exército e nem terem ocupado cargos públicos até o final do século II (existiram cristãos no Exército e ocupando cargos públicos antes do ano 170 sim, mas eram poucos). Em primeiro lugar, o culto imperial, os sacrifícios aos deuses, as práticas idolátricas nas cerimônias cívicas e religiosas, os juramentos pelos deuses, e a perseguição estatal contra o Cristianismo, dificultavam que os cristãos se envolvessem com o Estado. Em segundo lugar, as guerras que o Império Romano promovia não eram para a defesa da nação, mas, sim, para oprimir e escravizar outros povos através da força militar. Em terceiro lugar, Jesus Cristo, João Batista, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, nunca demonizaram o serviço militar e a política, pelo contrário, esses homens santos reconheciam a legitimidade e a necessidade de se existir um Estado para poder manter a lei e a ordem na sociedade. Jesus e Paulo ordenaram aos cristãos pagarem todos os seus impostos, sabendo que o dinheiro era usado para a manutenção do Exército. Pedro e Paulo ensinaram à submissão as autoridades governamentais e reconheceram que é a função do governo castigar os malfeitores e louvar os cidadãos de bem.

Neste artigo, mostrarei os argumentos bíblicos a favor do serviço militar e da política, e também as opiniões dos apóstolos, dos Pais da Igreja, e dos reformadores sobre esses assuntos tão polêmicos. Mostrarei que o pacifismo não é bíblico, pois a Bíblia, a Palavra de Deus, nunca apoiou tal ideologia, mas, sim, sempre defendeu o direito das pessoas inocentes se defenderem de agressores injustos, e de que é o dever do Estado punir os maus e louvar os bons.

A OPINIÃO DO PROFETA DANIEL:

            “Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos”. (Daniel 2:20-21)

O profeta Daniel foi bem claro quando afirmou que Deus remove os reis e estabelece os reis, ou seja, Deus levanta os reis e derruba os reis do poder como bem entende. Há outra parte do Livro de Daniel que também fala a esse respeito.

“Mas, quando o coração de Nabucodonosor ficou cheio de orgulho, Deus o arrancou de seu trono e acabou com a glória que ele tinha. Foi expulso do meio dos homens e começou a pensar e agir como um animal; passou a viver com os jumentos selvagens e a comer capim como os bois. Seu corpo era diariamente coberto com o orvalho, até que entendeu que o Deus Altíssimo domina sobre os reinos dos homens e ele mesmo escolhe quem quer para governá-los”. (Daniel 5:20-21) 

O profeta Daniel, que também era um governante a serviço de Deus, declarou várias vezes (isso está registrado no Livro que leva o seu nome) que Deus tem o domínio sobre os reinos dos homens e coloca no poder a quem Ele quer. Deus tem o total controle sobre os reinos da Terra, porque Ele é o verdadeiro Rei das Nações.

A OPINIÃO DO APÓSTOLO PAULO:

“Obedeçam às autoridades governamentais, porque Deus foi quem estabeleceu todas elas. Não há governo, em parte alguma, que Deus não tenha colocado no poder. Portanto, aqueles que se recusam a obedecer às autoridades estão se recusando a obedecer a Deus, e o castigo virá sobre eles. Pois os governantes devem ser temidos apenas por aqueles que praticam o mal. Assim, se você não quiser ter medo da autoridade, guarde as leis e pratique o bem e tudo irá bem. Pois a autoridade é enviada por Deus para o seu bem. Mas, se você estiver fazendo algo errado, é natural que deve ter medo, pois ela terá de castigá-lo. Ela é serva de Deus, agente da justiça para castigar quem pratica o mal. Assim, vocês precisam obedecer às autoridades por duas razões: para evitar o castigo e por uma questão de consciência. Paguem também seus impostos, por essas mesmas razões. Porque as autoridades do governo estão a serviço de Deus, dedicadas a continuar a fazer essa obra. Dêem a cada um o que lhe é devido; paguem seus impostos e tributos, obedeçam aos seus superiores, e honrem e respeitem a todos aqueles a quem isso for devido”. (Romanos 13:1-7)

O apóstolo Paulo no capítulo 13 da Carta aos Romanos confirmou exatamente a mesma coisa que o profeta Daniel afirmou no passado, ou seja, que Deus estabelece as autoridades governamentais. Segundo o apóstolo Paulo, o Estado é servo de Deus para punir os malfeitores.

 Paulo também ensinou que todos os cidadãos (principalmente, os cristãos) devem pagar todos os seus impostos, porque o dinheiro deve ser usado para a manutenção das Forças Armadas e das polícias para garantirem a segurança do país e para castigarem os homens que praticam o mal. Para Paulo, os agentes do Estado (governantes, magistrados e soldados) estão a serviço de Deus para o bem-estar da sociedade. Portanto, os cristãos devem se sujeitar a eles. O dever das autoridades é punir os maus e louvar os bons. Pelo menos, era assim que Paulo acreditava.

“Estas são as minhas instruções: Ore, faça súplicas, pedidos e dê graças por todos os homens. Ore dessa forma pelos reis e por todos os outros que exercem autoridade sobre nós ou que ocupam cargos de alta responsabilidade, a fim de que possamos viver em paz e tranqüilidade, passando o nosso tempo vivendo piedosa e dignamente. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador. Pois ele deseja que todos sejam salvos e compreendam esta verdade”: (1 Timóteo 2:1-4)

 O apóstolo Paulo ensinou os cristãos a intercederem em favor dos homens investidos de autoridade (governantes, magistrados e soldados), porque é da vontade de Deus que as autoridades sejam salvas e conheçam a Verdade. Paulo, em outra parte da Bíblia, também ensinou que os cristãos devem estar dispostos a auxiliar as autoridades em tudo o que for preciso e necessário.

“Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. (2 Timóteo 2:4)

            Há muitas semelhanças entre a vida cristã e o serviço militar, por isso, o apóstolo Paulo vivia comparando ambos. Os cristãos devem ser como soldados, isto é, devem acatar as ordens de seu Senhor e cumprir a sua missão.

Paulo evangelizou até a Guarda Pretoriana que o vigiava em uma ocasião. O apóstolo aproveitou que os guardas pretorianos o vigiavam para lhes falar da Salvação de Cristo. Em sua Carta aos Filipenses, Paulo até menciona sobre os santos do palácio de César, que provavelmente eram esses guardas e outros funcionários do governo que se converteram através dele.

A OPINIÃO DO APÓSTOLO PEDRO:

“Pelo amor que vocês têm ao Senhor, obedeçam a todas as leis do governo; sejam as do rei, como a autoridade maior, sejam as que são dos oficiais do rei, pois ele os enviou para castigar todos os que fazem o mal e honrar aqueles que fazem o bem. É da vontade de Deus que a vida correta de vocês faça com que se calem aqueles que insensatamente condenam o Evangelho sem saberem o que ele pode fazer por eles, pois nunca experimentaram o seu poder. Vocês estão livres da lei, porém, isso não quer dizer que estão livres para fazer o mal. Vivam como aqueles que são livres para fazer somente a vontade de Deus em todas as ocasiões. Mostrem respeito para com todos. Amem os irmãos em toda parte. Temam a Deus e respeitem o governo”. (1 Pedro 2:13-17)

O apóstolo Pedro, assim, como o apóstolo Paulo e o profeta Daniel, também reconheceu que as autoridades governamentais são legítimas e necessárias na ordem estabelecida por Deus. Para Pedro, a função das autoridades é castigar os malfeitores e louvar os homens que praticam o bem. Paulo tinha exatamente a mesma opinião. Ambos os apóstolos legitimaram o uso da força por parte do Estado (da violência mesmo) para punir os criminosos perigosos que ameaçam a sociedade.

A OPINIÃO DE JOÃO BATISTA:

“Então, alguns soldados lhe perguntaram: E nós, o que devemos fazer? Ele respondeu: Não pratiquem extorsão, nem acusem ninguém falsamente, e contentem-se com o seu salário”. (Lucas 3:14)

João Batista, o precursor do Messias, e o maior de todos os profetas, reconheceu a legitimidade do trabalho do soldado, pois ele mesmo batizou alguns militares e lhes incentivou a permanecerem no Exército, portanto, que eles fossem honestos e justos. A própria Bíblia reconhece que João Batista foi o homem pecador mais justo que já existiu sobre a Terra. Portanto, a opinião dele é válida. João Batista não era um qualquer, mas era o precursor do Messias, isto é, o homem que preparou o caminho para Jesus; e ele foi o maior profeta que já existiu. Portanto, João Batista sabia o que estava fazendo quando batizou aqueles soldados.

BONS EXEMPLOS DE MILITARES BÍBLICOS:

“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)

O centurião Cornélio era um bom exemplo de militar, pois ele era honesto, justo, íntegro, sabia amar ao próximo, e ainda buscava a Deus. A Bíblia não compara o centurião Cornélio a uma prostituta (como as Testemunhas de Jeová e os evangélicos pacifistas fazem), mas, sim, exalta as virtudes desse centurião como homem, militar e cidadão. Cornélio, segundo a Bíblia, é um bom exemplo a ser seguido.

“Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo”. (Lucas 7:1-10)

O centurião de Cafarnaum também era um bom exemplo a ser seguido, pois o próprio Jesus o admirou como ser humano e militar. Cristo elogiou até a sua fé, e desprezou a religiosidade dos fariseus (as Testemunhas de Jeová e os evangélicos legalistas da época). Jesus Cristo andava com prostitutas e ladrões, e até elogiou um militar por sua fé e integridade, mas desprezou o legalismo e o fanatismo religioso dos fariseus. A Palavra de Deus afirma que os governantes, magistrados e soldados são servos de Deus, isto é, estão a serviço de Deus para o bem-estar da sociedade.

REFUTANDO OS ARGUMENTOS BÍBLICOS DOS PACIFISTAS:

Os cristãos pacifistas, para sustentar a heresia do pacifismo, se utilizam de versículos bíblicos fora de contexto, então, eu mostrarei os verdadeiros contextos dos versículos usados por eles. Para se compreender a Bíblia é preciso lê-la em seu contexto histórico e cultural. Sempre devemos ler os capítulos inteiros inseridos em seu contexto.

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do Diabo; porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”. (Efésios 6:10-13)   
   
Inúmeros cristãos interpretam mal o capítulo 6 da Carta aos Efésios, porque eles confundem guerra espiritual com pacifismo. O autor da Carta aos Efésios é também o autor da Carta aos Romanos. O apóstolo Paulo, o autor de ambas as Cartas, não era pacifista, pois se percebe claramente a sua posição em relação ao Estado no capítulo 13 da Carta aos Romanos. No capítulo 6 da Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo usa puro simbolismo militar para se referir à armadura de Deus. O apóstolo Paulo constantemente usava o serviço militar como bom exemplo para a vida cristã. O fato de Paulo ter dito que a nossa luta não é contra carne e sangue (muito deturpado pelos pacifistas hipócritas), não significa que ele fez apologia ao pacifismo. O capítulo 6 da Carta aos Efésios não invalida o capítulo 13 da Carta aos Romanos, portanto, o apóstolo Paulo não pregou o pacifismo. O contexto de Efésios 6 é a luta da Igreja; e o contexto de Romanos 13 é a luta do Estado. A Igreja (instituição religiosa) não deve se engajar em lutas armadas, mas o Estado (que é ministro de Deus) tem a obrigação de lutar nas guerras físicas. A guerra da Igreja é espiritual; e a guerra do Estado é física. Paulo não era bipolar e nem esquizofrênico, ou seja, ele não tinha uma opinião em Romanos 13 e outra opinião em Efésios 6.

“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;”. (2 Coríntios 10:3-4)

Por isso, as armas carnais e humanas, tais como argúcia, habilidade, riqueza, capacidade organizacional, eloqüência, persuasão, influência e personalidade são em si mesmas inadequadas para destruir as fortalezas de Satanás; porque as únicas armas adequadas para desmantelar os arraiais do Diabo, as injustiças e os falsos ensinos são as armas que Deus nos dá. Esse trecho não se refere às armas bélicas, mas, sim, a capacidade humana; e para combater o Inferno precisamos das armas espirituais dadas por Deus, pois somos incapazes de vencermos Satanás e os seus demônios sozinhos.

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;”. (Mateus 5:38-39)

Os fariseus deturpavam as leis do Antigo Testamento para incentivar as pessoas ao ódio e a retaliação, porque olho por olho e dente por dente eram na verdade as punições aplicadas pelas autoridades nos malfeitores e não um incentivo a represália do indivíduo. Jesus condenou a vingança pessoal e não a legítima defesa, pois Ele usa muito simbolismo nas coisas em que ensina. Cristo, em outra parte da Bíblia, ensinou que se a sua mão direita te fizer pecar, se deve amputá-la. E se o seu olho direito te fizer pecar, se deve arrancá-lo. Oferecer a outra face está inserido no mesmo contexto. Jesus não falou para os cristãos se mutilarem e nem para serem sacos de pancadas dos outros. Tudo isso é puro simbolismo.

 “Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão”. (Mateus 26:52)

Cristo não fez apologia ao pacifismo, mas, simplesmente, falou que os violentos sofrerão violência. Se Pedro tivesse matado Malco, ele seria punido com a morte pelo Estado Romano e Jesus quis impedir que isso acontecesse. O próprio Cristo ordenou a Pedro para que ele comprasse aquela espada. Jesus devia cumprir com a profecia a seu respeito e Pedro quis impedir o cumprimento dessa profecia. Jesus não disse para Pedro jogar a espada fora, mas apenas para guardá-la. Paulo reconhece que o Estado tem o poder da espada para castigar os malfeitores (algo concedido e autorizado por Deus).

“E saberá toda esta congregação que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão”. (Samuel 17:47)

Quando Davi afirmou que do Senhor é a guerra, ou seja, de que a batalha pertence ao Senhor, ele quis dizer que nós, servos de Deus, devemos confiar no Altíssimo e não em nossa própria força ou em armas bélicas; entretanto, em nenhum momento, ele hesitou lutar contra Golias por causa disso, porque ele confiava no Senhor dos Exércitos.

SOBRE O SEXTO MANDAMENTO:

Quase todos os cristãos nunca compreenderam o sexto mandamento “não matarás”. A tradução correta do sexto mandamento é “não assassinarás”. Os religiosos alienados usam e abusam da tradução errada desse mandamento para ficarem atacando pedras nos guerreiros que matam para se defenderem ou para protegerem os indefesos. O verbo hebraico “ratsach” usado nesse mandamento no Antigo Testamento, e o verbo grego “foneuo” usado nesse mandamento no Novo Testamento, sempre são usados para se referir ao assassinato criminoso, e nunca a legítima defesa e a pena capital. Tanto o verbo hebraico “ratsach” quanto o verbo grego “foneuo” se referem ao homicídio ilícito. Portanto, matar para se defender ou para proteger alguém não é pecado. Seria uma grande incoerência Deus mandar os hebreus matarem nas guerras sendo que Ele mesmo disse “não matarás”, se no sexto mandamento Deus não se referisse somente ao homicídio criminoso (Deus não é bipolar).

SOBRE A OMISSÃO DIANTE DO MAL:

Muito se tem pregado no meio evangélico sobre a omissão diante do mal, como se fosse obrigação dos cristãos se omitirem perante as coisas erradas e serem apáticos diante da maldade. Neste texto, eu mostrarei o que a Bíblia ensina que nós, cristãos, devemos fazer quando nos deparamos perante o mal, e qual deve ser a nossa postura diante da maldade.

“Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”. (Provérbios 31:8-9)

A Bíblia é bem clara quando diz que a nossa obrigação é defender aqueles que não podem se defender, ou seja, o nosso dever é lutar por aqueles que não podem lutar por si mesmos. Portanto, é a nossa obrigação lutar por eles.

“Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo”. (Provérbios 3:27)

Se estiver em nossas mãos o poder de ajudar os outros, nós devemos fazê-lo, porque essa é a vontade de Deus, que nós, cristãos, defendamos os direitos dos fracos e oprimidos. Nós temos a obrigação de lutar pelos direitos dos órfãos e das viúvas.

“Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando”. (Tiago 4:17)

Omitir-se diante do mal é um pecado hediondo, porque quem se omite perante a maldade é tão ruim e perverso quanto quem a pratica. Os pecados de omissão são tão graves quanto os pecados de comissão. Portanto, se omitir também é pecado.

“O que justifica o perverso e o que condena o justo, abomináveis são para o Senhor, tanto um como o outro”. (Provérbios 17:15)

Quem condena o inocente e absolve o culpado é abominável para Deus, porque Deus abomina a injustiça. Deus é tão santo e tão justo que Ele se enoja de gente mesquinha e medíocre que adora defender bandidos e condenar inocentes.

SOBRE O SERVIÇO MILITAR:

Sobre os juramentos (como o Juramento à Bandeira), Jesus Cristo não condenou totalmente os juramentos. O que Jesus condenou foram às pessoas que não têm palavra, e precisam se garantir em juramentos para os outros acreditarem que elas estão falando a verdade. Algumas confissões de fé protestantes explicam bem sobre isso. Não há problema algum em fazer juramentos honrados em nome da paz, da justiça e do amor.

No Concílio de Jerusalém, em 50, os judeus cristãos decidiram que todos os seguidores de Jesus não devem comer alimentos sacrificados aos ídolos, nem praticar relações sexuais ilícitas, não comer animais que morreram sufocados e nem beber sangue. Na 1 Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo ensinou que os cristãos podem comer alimentos sacrificados aos ídolos sim, portanto, que não escandalizem os irmãos “fracos” na fé. Se os cristãos orarem para Deus abençoar os alimentos sacrificados aos ídolos, não há problema nenhum em comê-los. O sexo deve ser praticado somente dentro do casamento mesmo. No caso da proibição de comer animais que morreram sufocados isso era um ritual religioso do Judaísmo e não significa nada para os cristãos de hoje. O sangue foi proibido de ser ingerido, porque no contexto daquela época, os pagãos bebiam sangue para adorar os seus deuses. Entretanto, hoje, não há problema algum em comer frango ao molho pardo, chouriço ou até mesmo beber sangue de galinha para sobreviver na selva.

Em relação à “cultuar as tradições”, na verdade, os militares não prestam culto as tradições e nem aos heróis do passado, mas, simplesmente, eles relembram os feitos do passado e prestam homenagens a esses grandes guerreiros, no entanto, ninguém bate continência ou se curva diante de quadros e estátuas.

AS OPINIÕES DOS PAIS DA IGREJA E DOS REFORMADORES:

Muito se tem pregado que o Cristianismo Primitivo era contra o serviço militar, mas será que isso é verdade? Será mesmo que os cristãos primitivos condenavam o trabalho dos soldados? Pais da Igreja, como, por exemplo, Tertuliano de Cartago, Hipólito de Roma, Orígenes de Alexandria, Cipriano de Cartago e Lactâncio demonizavam o serviço militar, mas será que existiram Pais da Igreja que pensavam diferente deles? Será mesmo que os primeiros cristãos eram anarquistas e pacifistas? Já vimos que a Bíblia apóia o serviço militar. Então, existiram bispos que apoiavam?

Agora, contarei as opiniões dos Pais da Igreja sobre os temas, guerra e política. Os Pais da Igreja foram grandes teólogos da Igreja Primitiva (muitos eram até filósofos e historiadores), que ensinavam aos cristãos os ensinamentos da Palavra de Deus. Muitos deles pregaram heresias, mas outros foram fiéis ao Evangelho puro e simples. Também tiveram os Doutores da Igreja, que surgiram com a conversão do Império Romano ao Cristianismo. Tanto os bispos primitivos quanto os Doutores da Igreja foram homens importantes para a História da Igreja Cristã.

Clemente de Roma, conhecido como Clemente Romano, foi discípulo do apóstolo Pedro e cooperador do apóstolo Paulo. Clemente, em sua Carta aos Coríntios, reconhece que as autoridades governamentais são legítimas, e até elogia os soldados os usando como bons exemplos a serem seguidos pelos cristãos. Clemente de Roma ensinou os cristãos a orarem em favor dos governantes, porque eles são instituídos por Deus.

Policarpo de Esmirna foi discípulo do apóstolo João, e em seu martírio, registrado no livro “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesaréia, ele afirma em seu julgamento, antes de ser martirizado, que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus; e de que é lícito pagar os tributos e os impostos aos governantes. Os Pais Apostólicos reconheciam a legitimidade das autoridades.

            Clemente de Alexandria além de reconhecer a legitimidade das autoridades governamentais, também apoiava a guerra justa, pois ele era totalmente a favor do serviço militar. Clemente além de apoiar as guerras justas, também apoiava as revoluções justas contra governos tirânicos e opressores. Clemente de Alexandria também defendia a prática de esportes (como o Pancrácio, a arte marcial grega, muito praticado pelos cristãos primitivos). Ao contrário de seu discípulo, Orígenes de Alexandria, Clemente não via problema algum em cristãos matarem nas guerras e revoluções justas.

            Justino Mártir, Ireneu de Lyon, Teófilo de Antioquia, Melitão de Sardes, Eusébio de Cesaréia e outros bispos da Igreja Primitiva, também reconheceram que as autoridades governamentais são legítimas e estabelecidas por Deus. Essa “historinha” de que todos os Pais da Igreja do Cristianismo Primitivo condenavam o serviço militar é mentira do Diabo, porque isso não tem embasamento histórico e nem bíblico.

            Agostinho de Hipona foi o maior de todos os Pais da Igreja, e ele foi o responsável por desenvolver a teologia da guerra justa. Agostinho defendia a pena capital e ensinava claramente que os cristãos têm a obrigação de participarem de guerras justas para promoverem a justiça.

            Ambrósio de Milão era mestre de Agostinho, pois foi ele quem o batizou. Ambrósio também era favorável à pena capital e apoiava a guerra justa, pois ele também reconhecia a legitimidade das Forças Armadas.

            Jerônimo de Strídon foi o homem que criou a “Vulgata” (a versão em latim da Bíblia). Esse Doutor da Igreja conhecia a Bíblia inteira, então, ele podia falar com propriedade dos ensinamentos contidos nela. Jerônimo era a favor da pena de morte e também apoiava a guerra justa.

            Tomás de Aquino, um Doutor da Igreja da Idade Média, além de apoiar a guerra justa e a pena capital, também apoiava a legítima defesa, pois ele desenvolveu uma teologia para discutir sobre esse assunto.

            Os reformadores, Martinho Lutero, João Calvino e Ulrico Zuínglio também apoiavam a guerra justa e eram favoráveis a pena de morte, além de apoiarem a legítima defesa e as revoluções contra governos opressores e injustos também. Os luteranos, os huguenotes, os puritanos e outros protestantes empunharam armas não só para combater nas guerras justas, mas também para lutarem em revoluções justas contra os seus perseguidores que os perseguiam por causa do Evangelho.

CRISTÃOS PRIMITIVOS QUE OCUPARAM CARGOS DE AUTORIDADE:

            No Concílio de Arles, em 314, a Igreja Primitiva reconheceu o serviço militar como sendo algo lícito para os cristãos. Deus nunca condenou as guerras justas. Muito se tem falado de que antes do ano 170 os cristãos não se alistavam no Exército, mas isso é uma tremenda mentira demoníaca. No ano 170, os cristãos começaram a se alistar em grande número no Exército por causa da ameaça dos bárbaros que colocavam em risco a segurança do Império Romano e de seus cidadãos, mas sempre existiram cristãos ocupando cargos de autoridade (eram poucos, mas eles existiram). O procônsul Lúcio Sérgio Paulo, e os cônsules, Mânio Acílio Glábrio e Tito Flávio Clemente, foram bons exemplos disso, pois foram autoridades cristãs. Deus sempre apoiou o serviço militar. Os oficiais romanos, Sebastião, Jorge, Expedito, Marino, Marcelo e Maurício foram bons exemplos de militares cristãos que combateram na época da Igreja Primitiva.

CONCLUSÃO:

Durante a História, existiram incontáveis guerreiros honrados que lutavam em prol da justiça, e que não deixaram de ser bons por causa disso. Incrédulos e cristãos que combatiam baseados em princípios e valores que fizeram a diferença no mundo. Os samurais (apesar da prática do ritual suicida quando eles eram derrotados) e os cavaleiros medievais eram guerreiros que tinham princípios morais e bons valores. Como eu gostaria de ter vivido nas épocas em que os samurais e os cavaleiros existiam. As flechas do cristão somente podem ser lançadas em nome da justiça. Não justiça para si mesmo, mas justiça para as pessoas a quem o cristão jurou proteger. O cristão não deve usar a espada por motivos pessoais, mas apenas para promover a justiça. A Bíblia não condena os homens lutarem, portanto, que eles lutem por causas nobres e justas. Mesmo, que tenham cristãos no exército inimigo, se esses “cristãos” estiverem combatendo do lado errado, eles devem ser combatidos também. Na Segunda Guerra Mundial, tiveram muitos cristãos que apoiaram Adolf Hitler, isto é, que eram nazistas mesmo, e eles pediram para morrer, porque escolheram o lado errado da guerra. Na Guerra Civil Americana, muitos cristãos eram assassinos cruéis e apoiavam a escravidão, e esses mereceram morrer também. Em guerras justas, os cristãos devem optar pelo lado justo do conflito, e não pelo lado do opressor. Portanto, os cristãos que se alistam em exércitos mal-intencionados, estão arcando com as conseqüências desse ato, e vão colher exatamente o que plantarem. Quando os cristãos se omitem em situações de injustiça, eles escolhem o lado do opressor. Essa desculpa de que se o cristão matar os bandidos e os terroristas irá impedi-los de se converter não têm embasamento bíblico, pois tanto no Arminianismo Clássico quanto no Calvinismo, Deus já predestinou os salvos antes da fundação do mundo.  Espero ter sido claro e objetivo neste meu artigo.

AUTOR: Filipe Levi Viasoni da Silva, historiador e professor de História.