sexta-feira, 25 de julho de 2014

A ARTE MILITAR


Desde os primórdios da humanidade existem guerras, pois os homens sempre inventaram diversos meios de se matarem. Deus provocou o Dilúvio por causa da violência que dominava a Terra, mas o próprio Deus estabeleceu o governo humano e a pena de morte para poder conter a violência e a maldade do homem. No Antigo Testamento, o Todo-Poderoso ordenava o povo de Israel a matar nas guerras, pois isso nunca invalidou o mandamento “não matarás”, porque esse mandamento sempre se referiu ao assassinato criminoso e não a matar quando há necessidade. Então, será que Deus apóia os cristãos matarem nas guerras sob as ordens de seus governos estabelecidos pelo próprio Deus? Será que Deus aprova a legítima defesa, quando realmente há necessidade de se defender? Será que Deus tem alguma coisa contra os cristãos praticarem artes marciais? Neste artigo, pretendo como historiador e professor de História, e, principalmente, como cristão e admirador dos guerreiros, mostrar o que a Bíblia e o próprio Deus ensinam a respeito do combate.


A OPINIÃO DO APÓSTOLO PAULO:
     

Paulo, que era conhecido como Saulo de Tarso, foi um grande perseguidor da Igreja Cristã, mas a caminho de Damasco, ele se deparou com Jesus, ficando cego por alguns dias. Saulo foi curado, e se tornou num grande apóstolo. Paulo evangelizou autoridades que se converteram, como, por exemplo, o procônsul Sérgio Paulo, e o carcereiro de Filipos. Há provas históricas que comprovam que Sérgio Paulo se converteu e permaneceu no seu cargo público, pois há registros que mostram que ele governou Chipre durante três anos. O próprio Livro de Atos mostra que o carcereiro de Filipos permaneceu em sua profissão (portando a sua espada). Estou relatando isso, porque muitos religiosos fanáticos mal-intencionados distorcem o contexto histórico em que a Igreja Primitiva estava inserida para poderem demonizar o Estado. Em primeiro lugar, Jesus Cristo e os apóstolos nunca pregaram contra o serviço militar e a política. Em segundo lugar, o culto imperial e os sacrifícios aos deuses eram rituais idolátricos que dificultavam os primeiros cristãos se alistarem no Exército e ocuparem cargos públicos, porque as autoridades que não cultuassem o imperador e não sacrificassem aos deuses eram punidas com a morte por alta traição. Em terceiro lugar, se o serviço militar e a política fossem coisas tão diabólicas como os fanáticos e fundamentalistas pregam, a Bíblia, a Palavra de Deus, deixaria bem claro para os cristãos não se envolverem com essas coisas. Portanto, não há nenhuma parte na Bíblia e nem relatos confiáveis que mostram que Jesus Cristo e os apóstolos pregaram contra o Estado.

Paulo evangelizou até a Guarda Pretoriana que o vigiava em uma ocasião. O apóstolo aproveitou que os guardas pretorianos o vigiavam para lhes falar da Salvação de Cristo. Em sua Carta aos Filipenses, Paulo até menciona sobre os santos do palácio de César, que provavelmente eram esses guardas e outros funcionários do governo que se converteram através dele.

Paulo é o autor da Carta aos Romanos, e no capítulo 13 desta Carta, ele conta a sua opinião sobre as autoridades governamentais.

Todo homem esteja sujeito as autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. (Romanos 13:1)

O verbo grego usado para sujeição é “upotasso” que significa estar subordinado ou sujeito. A Palavra de Deus é clara quando afirma que toda autoridade procede de Deus. Há diferença entre instituir e permitir, ou seja, Deus não apenas permite que os reis governem o mundo, mas Ele estabelece os reis da Terra. Todos os cristãos devem se submeter ao Estado e interceder a favor dele.

“De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação”. (Romanos 13:2)

A condenação significa punição do Estado, isto é, qualquer cidadão que se rebelar contra o governo será castigado, porque é ordenação de Deus que os homens se submetam ao Estado.

“Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela”; (Romanos 13:3)

As autoridades existem para castigar os malfeitores e enaltecer os que praticam o bem. Os cidadãos que são trabalhadores e honestos não precisam temer as autoridades, porque a função delas é punir os bandidos e não os cidadãos de bem.

“visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. (Romanos 13:4) 

O apóstolo Paulo foi claro quando disse que o Estado é ministro de Deus para o nosso bem, ou seja, a função do Estado é castigar os malfeitores e proteger os cidadãos de bem. A palavra grega usada para espada é “machaira” que é um símbolo da pena capital, isto é, o Estado tem a autorização de Deus para executar criminosos perigosos, autores de crimes hediondos e bárbaros.

“É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência”. (Romanos 13:5)   
    
Os cidadãos de bem devem obedecer às autoridades e não cometer crimes, não por causa do medo de serem presos ou mortos, mas, sim, porque é o certo a se fazer.

“Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço”. (Romanos 13:6)  

O verbo grego usado por Paulo (Jesus usou o mesmo verbo) para pagar os tributos é “apodote” (de apodidomi - que significa: dar o que é devido, devolver, pagar de volta). Os cristãos devem pagar os tributos e os impostos para a manutenção do Estado, porque a obrigação dos governantes, que são ministros de Deus, é dar segurança aos cidadãos de bem. 

“Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:7)

Neste versículo, o apóstolo Paulo também usou o verbo grego “apodote”, e esse servo de Deus foi inspirado pelo Espírito Santo para ensinar aos cristãos os seus deveres cívicos. Infelizmente, o governo brasileiro está longe do ideal de governo idealizado por Deus, mas a obrigação da Igreja é orar a favor das autoridades governamentais, porque essa é a vontade de Deus. O Estado é necessário para manter a lei e a ordem no mundo; e os cristãos que não aceitam isso, não acreditam na Bíblia. Deus estabelece os governantes do mundo e o dever da Igreja é interceder a favor deles e ajudá-los no que for necessário.    
        
Paulo, em sua Primeira Epístola a Timóteo, também conta sobre qual é a principal obrigação dos cristãos com o governo.       

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. (1 Timóteo 2:1-4)

O apóstolo Paulo também ensinou que todos os cristãos têm o dever de intercederem em favor das autoridades governamentais, ou seja, os cristãos devem orar pelos homens investidos de autoridade. Tanto Pedro quanto Paulo, não endiabravam as autoridades constituídas, pelo contrário, eles reconheciam a sua legitimidade. Essa “historinha” de que os cristãos primitivos demonizavam o Estado é mentira do Diabo, porque Jesus Cristo, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, não demonizavam as autoridades governamentais. Hoje, não existem mais práticas idolátricas no Estado, portanto, nada impede os cristãos de se relacionarem com o governo.


A OPINIÃO DO APÓSTOLO PEDRO:


Pedro foi um dos discípulos de Jesus mais próximos do Salvador. Ele era sincero na sua fé, apesar de ter um gênio forte e de ser extremamente preconceituoso. Mas, Deus trabalhou isso em seu coração. Através do centurião Cornélio (um militar romano justo e temente a Deus), Pedro percebeu que Deus não queria apenas salvar os judeus, mas, sim, todos os povos. Cornélio era honesto e íntegro, mas apesar disso, ele não era salvo. Pedro o evangelizou, e Cornélio se converteu, e foi batizado ainda sendo um oficial romano. Em nenhum momento, Pedro implicou com Cornélio pelo fato dele ser militar, mas, sim, pelo fato dele ser gentio. Cornélio era bem visto aos olhos de Deus, e a Bíblia deixa bem claro que esse centurião era justo e correto em sua profissão. Pedro acreditava que apenas os judeus poderiam ser salvos, mas Deus, através de uma visão, mostrou para Pedro que o Altíssimo não faz acepção de pessoas, e que todos os homens de todos os povos podem ser salvos se aceitarem Jesus Cristo em seus corações como o seu único e suficiente Salvador.
   
Pedro, em sua Primeira Epístola, conta a sua opinião sobre as autoridades constituídas, assim, como Paulo fez. Tanto Paulo quanto Pedro foram inspirados pelo Espírito Santo para escreverem as suas Cartas, portanto, foi o próprio Deus quem falou através deles. Os apóstolos eram homens dignos e cheios do poder de Deus, portanto, devemos dar crédito para o que eles falaram.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei”. (1 Pedro 2:13-17)

 O apóstolo Pedro afirmou que os cristãos devem se sujeitar as autoridades constituídas e que a função das autoridades enviadas pelo rei é castigar os malfeitores e louvar os que praticam o bem. Os soldados e magistrados eram essas autoridades enviadas pelo rei para punir os culpados. No primeiro século, quase todos os cristãos primitivos não se alistavam no Exército e nem ocupavam cargos públicos, principalmente, por causa da idolatria que predominava naquela época (como o culto imperial e os sacrifícios aos deuses). Hoje, a situação é muito diferente do que naquela época, pois não temos mais problemas com a idolatria.


A OPINIÃO DE JOÃO BATISTA:


“Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:14)

João Batista era o precursor do Messias; e foi o maior de todos os profetas. Esse grande servo de Deus foi o homem mais justo que já existiu sobre a Terra. Quando alguns soldados foram batizados por João Batista, esse grande profeta não os recriminou por serem combatentes, pelo contrário, ele lhes incentivou a continuarem sendo soldados, portanto, que eles exercessem a sua função com honestidade.
                                                             

AS OPINIÕES DOS PAIS DA IGREJA:


No ano 170, os cristãos começaram a se alistar em massa no Exército, por causa das invasões bárbaras (na época do imperador Marco Aurélio). Antes do ano 170, existiam cristãos nas legiões romanas sim, mas eram poucos; devido às cerimônias cívicas e religiosas comprometidas com a idolatria greco-romana; além da prestação de culto ao imperador e dos sacrifícios aos deuses, que dificultavam os primeiros cristãos se envolverem com o serviço militar e a política. Policarpo de Esmirna reconheceu que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus. Clemente de Roma ensinou os cristãos a intercederem em favor dos governantes, porque ele reconhecia que as instituições políticas são necessárias na ordem estabelecida por Deus. O fato de terem existido alguns Pais da Igreja que demonizavam o Estado, não justifica endiabrar o governo hoje. Naquela época, o Estado era inimigo do Cristianismo (apesar de ser instituído por Deus), e o Exército perseguia e massacrava os cristãos; além da idolatria greco-romana enraizada no Império. Os cultos ao imperador e aos deuses pagãos eram grandes empecilhos para os cristãos serem militares e políticos. Alguns Pais da Igreja, como, por exemplo, o Justino Mártir, o Tertuliano de Cartago, o Hipólito de Roma, o Orígenes de Alexandria, o Cipriano de Cartago, e o Lactâncio, demonizavam as autoridades instituídas pelo próprio Deus. Devo destacar que alguns dos Pais da Igreja além de demonizarem o Estado (que é instituído por Deus), eles também pregavam o anti-semitismo. Não interessa o que os Pais da Igreja ensinaram ou deixaram de ensinar se os seus ensinamentos são contrários a Palavra de Deus. Devemos dar ouvidos ao que Jesus e os apóstolos ensinaram apenas, e não a “ungidões” que se consideram acima do bem e do mal (até acima das leis de Deus).

Os Pais Apostólicos, Policarpo de Esmirna e Clemente de Roma, reconheceram que as autoridades governamentais são necessárias na ordem estabelecida por Deus. Os Pais Apostólicos conheceram pessoalmente os apóstolos, e tanto esses Pais Apostólicos quanto os apóstolos ensinavam a submissão às autoridades e a intercessão em favor dos homens investidos de autoridade. Portanto, nem todos os cristãos primitivos endiabravam o Estado. Jesus Cristo, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, não condenavam o serviço militar e a política, pelo contrário, eles reconheciam a sua legitimidade.

Agostinho de Hipona desenvolveu a teoria da guerra justa, para poder tranqüilizar a consciência dos cristãos que se alistavam no Exército, mas que tinham dúvidas se Deus os apoiaria matar na guerra ou não. Agostinho é considerado o maior de todos os Pais da Igreja, pois além de ser um grande filósofo, era também um grande teólogo. Ambrósio de Milão, um dos Doutores da Igreja, e também mestre de Agostinho, também era favorável a guerra justa. Jerônimo de Strídon, o grande teólogo e também Doutor da Igreja que traduziu a Bíblia inteira para o latim, também apoiava a guerra justa. Esses Doutores da Igreja, além de apoiarem os cristãos matarem nas guerras, eles também eram favoráveis a pena de morte. Tomás de Aquino, um Doutor da Igreja da Idade Média, além de apoiar a guerra justa e a pena de morte, também apoiava a legítima defesa.


AS OPINIÕES DOS REFORMADORES DA IGREJA:


Martinho Lutero foi o monge agostiniano que provocou a Reforma Protestante. Ele era a favor da pena capital, e, assim, como Agostinho de Hipona, também apoiava a guerra justa. Lutero incentivou os príncipes alemães a matarem os camponeses que se rebelaram contra as autoridades constituídas, mas apesar de ter reconhecido que errou ao fazer isso, Lutero, nunca deixou de apoiar a existência do Estado, pois ele próprio reconhecia que era necessário haver um governo para manter a paz e a ordem. Lutero apoiava a legítima defesa, e apesar de ter apoiado a total submissão ao Estado a princípio, por pressão dos luteranos, passou a apoiar as revoluções também. Martinho Lutero era um homem com bons princípios de justiça.

João Calvino foi o grande reformador francês que fez a diferença em Genebra, na Suíça, e ele era um magistrado que apoiava também a guerra justa e a pena de morte. Esse reformador até mandou queimar na fogueira o médico, Miguel Serveto, um herege que blasfemou contra a Santíssima Trindade. Calvino se arrependeu de ter mandado executar Miguel Serveto, mas ele nunca deixou de apoiar a guerra justa e a pena capital. Calvino apoiava a legítima defesa, e também considerava justo os cristãos resistirem ao Estado dentro da lei ou até mesmo pela luta armada, quando este for repressor.

Ulrico Zuínglio era capelão do Exército, e também foi um grande reformador que fez a diferença em Zurique, na Suíça. Zuínglio além de apoiar a guerra justa e a pena de morte, ele também apoiava as revoluções, tanto, que ele morreu em combate lutando contra os cantões católicos.


REFUTANDO OS ARGUMENTOS BÍBLICOS DOS PACIFISTAS:


“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do Diabo; porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”. (Efésios 6:10-13)

Inúmeros cristãos interpretam mal o capítulo 6 da Carta aos Efésios, porque eles confundem guerra espiritual com pacifismo. O autor da Carta aos Efésios é também o autor da Carta aos Romanos. O apóstolo Paulo, o autor de ambas as Cartas, não era pacifista, pois se percebe claramente a sua posição em relação ao Estado no capítulo 13 da Carta aos Romanos. No capítulo 6 da Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo usa puro simbolismo militar para se referir à armadura de Deus. O apóstolo Paulo constantemente usava o serviço militar como bom exemplo para a vida cristã. O fato de Paulo ter dito que a nossa luta não é contra carne e sangue (muito deturpado pelos pacifistas hipócritas), não significa que ele fez apologia ao pacifismo. O capítulo 6 da Carta aos Efésios não invalida o capítulo 13 da Carta aos Romanos, portanto, o apóstolo Paulo não pregou o pacifismo.

“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;”. (2 Coríntios 10:3-4)

Por isso, as armas carnais e humanas, tais como argúcia, habilidade, riqueza, capacidade organizacional, eloqüência, persuasão, influência e personalidade são em si mesmas inadequadas para destruir as fortalezas de Satanás; porque as únicas armas adequadas para desmantelar os arraiais do Diabo, as injustiças e os falsos ensinos são as armas que Deus nos dá. Esse trecho não se refere às armas bélicas, mas, sim, a capacidade humana; e para combater o Inferno precisamos das armas espirituais dadas por Deus, pois somos incapazes de vencermos Satanás e os seus demônios sozinhos.

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;”. (Mateus 5:38-39)

Os fariseus deturpavam as leis do Antigo Testamento para incentivar as pessoas ao ódio e a retaliação, porque olho por olho e dente por dente eram na verdade as punições aplicadas pelas autoridades nos malfeitores e não um incentivo a represália do indivíduo. Jesus condenou a vingança pessoal e não a legítima defesa, pois Ele usa muito simbolismo nas coisas em que ensina. Cristo, em outra parte da Bíblia, ensinou que se as suas mãos e pés e os seus olhos te fizerem pecar, se deve amputar as mãos e os pés e arrancar os olhos fora, mas tudo isso é simbólico e não se deve fazer no sentido literal.

“Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão”. (Mateus 26:52)

Cristo não fez apologia ao pacifismo, mas simplesmente falou que os violentos sofrerão violência. Se Pedro tivesse matado Malco, ele seria punido com a morte pelo Estado Romano e Jesus quis impedir que isso acontecesse.

“E saberá toda esta congregação que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão”. (Samuel 17:47)

Quando Davi afirmou que do Senhor é a guerra, ou seja, de que a batalha pertence ao Senhor, ele quis dizer que nós, servos de Deus, devemos confiar no Altíssimo e não em nossa própria força ou em armas bélicas; entretanto, em nenhum momento, ele hesitou lutar contra Golias por causa disso, porque ele confiava no Senhor dos Exércitos.


SOBRE O SEXTO MANDAMENTO:


Quase todos os cristãos nunca compreenderam o sexto mandamento “não matarás”. A tradução correta do sexto mandamento é “não assassinarás”. Os religiosos alienados usam e abusam da tradução errada desse mandamento para ficarem atacando pedras nos guerreiros que matam para se defenderem ou para protegerem os indefesos. O verbo hebraico “ratsach” usado nesse mandamento no Antigo Testamento, e o verbo grego “foneuo” usado nesse mandamento no Novo Testamento, sempre são usados para se referir ao assassinato criminoso, e nunca a legítima defesa e a pena capital. Tanto o verbo hebraico “ratsach” quanto o verbo grego “foneuo” se referem ao homicídio ilícito. Portanto, matar para se defender ou para proteger alguém não é pecado.


SOBRE O SERVIÇO MILITAR:


“Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. (2 Timóteo 2:4)

Há muitas semelhanças entre a vida cristã e o serviço militar, por isso, o apóstolo Paulo vivia comparando ambos. Os cristãos devem ser como soldados, isto é, devem acatar as ordens de seu Senhor e cumprir a sua missão.

Sobre o Juramento à Bandeira, na verdade, os militares não juram, mas, sim, prometem que lutarão e se for preciso até morrerão para poderem proteger a sua nação. Quando eu me alistei no Exército, não fiz nenhum juramento, mas apenas prometi que lutaria pelo meu país caso fosse necessário.

No Concílio de Jerusalém, os judeus cristãos decidiram que todos os seguidores de Jesus não devem comer alimentos sacrificados aos ídolos, nem praticar relações sexuais ilícitas e nem beber sangue. Na 1 Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo ensinou que os cristãos podem comer alimentos sacrificados aos ídolos sim, portanto, que não escandalizem os irmãos “fracos” na fé. Se os cristãos orarem para Deus abençoar os alimentos sacrificados aos ídolos, não há problema nenhum em comê-los. O sexo deve ser praticado somente dentro do casamento mesmo. O sangue foi proibido de ser ingerido, porque no contexto daquela época, os pagãos bebiam sangue para adorar os seus deuses. Entretanto, hoje, não há problema algum em comer frango ao molho pardo, chouriço ou até mesmo beber sangue de galinha para sobreviver na selva.

Em relação a “cultuar as tradições”, na verdade, os militares não prestam culto as tradições e nem aos heróis do passado, mas, simplesmente, eles relembram os feitos do passado e prestam homenagens a esses grandes guerreiros, no entanto, ninguém bate continência ou se curva diante de quadros e estátuas.


SOBRE A IDOLATRIA DAS ARTES MARCIAIS:


“Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem”. (Colossenses 2:21-22)  

Alguns “ex-satanistas” costumam propagar mentiras sobre as lutas esportivas, pois eles mentem descaradamente deturpando o contexto de versículos bíblicos (que não tem nada a ver com o assunto), e também distorcem o contexto histórico das artes marciais. Os leigos, ou seja, as pessoas que não conhecem as lutas esportivas, acabam acreditando em suas mentiras baseadas apenas em seu preconceito religioso ridículo.

“Um assunto controvertido no Cristianismo de hoje é se um cristão deve ou não praticar artes marciais. Alguns dizem que por causa de sua origem não-cristã (misticismo oriental), nenhuma forma de arte marcial deveria ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não-cristã, por si só, não pode ser um fundamento suficiente para se rejeitar as artes marciais, uma vez que este ponto de vista comete o erro que chamamos de "falácia genética". O que isto quer dizer? Uma falácia é um argumento enganoso e sem fundamento. O termo "genética" quer dizer neste caso "origem". Assim, uma falácia genética é um argumento infundado que pressupõe que uma vez que a procedência de uma crença ou prática esteja errada (por não ter uma raiz cristã), sem considerar as suas modificações, ela ainda estaria errada hoje”.

               “De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se no método da astrologia. Entre os movimentos religiosos que usam e abusam da falácia genética se encontram as chamadas "Testemunhas de Jeová"; estas se recusam a comemorar aniversários natalícios, Natal e Ano-Novo, pelo simples fato de estas comemorações terem origem no paganismo. Em nenhum momento se leva em conta o desenvolvimento e a evolução de uma crença ou prática. Ao invés de cometer a falácia genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de descartá-lo prematuramente”.
 
A primeira arte marcial a surgir foi à luta “Vajramushti”, que surgiu há mais de 5.000 anos atrás. Essa é uma arte marcial de origem indiana. Não sei muito sobre essa luta, mas sei que como todas as artes marciais, a sua origem é militar, isto é, ela foi criada para o combate, e não necessariamente para se cultuar os deuses. Se essa luta se originou na religião hindu ou qualquer outra religião pagã não importa, porque a origem não quer dizer nada. O que importa é o desenvolvimento dessa coisa durante o curso da História, pois muitas coisas (como as artes marciais) mudaram com o passar dos séculos, e sua influência idolátrica não é tão forte hoje como foi no passado. Portanto, há como separar a luta da idolatria. Inclusive, a aliança matrimonial também tem origem na religião hindu, mas nem por causa disso os religiosos que condenam as lutas esportivas deixam de usá-la.
 
               O homem que criou o Kung Fu original foi Huang Di, o Imperador Amarelo, que além de ser militar, também era médico e um grande intelectual. Ao contrário do que muitos pensam, não foi Bodhidharma quem criou o Kung Fu, mas, sim, Huang Di. Tanto Huang Di quanto Bodhidharma eram homens bons que tinham caráter, ou seja, eles não eram maus por não terem conhecido a Deus. Ninguém lhes pregou o Evangelho da Salvação, portanto, não teria como esses grandes guerreiros se converterem mesmo. O Imperador Amarelo viveu há mais de 4.000 anos atrás, então, ele foi do Antigo Testamento (da Dinastia Qin). O 28º patriarca do Budismo foi do Novo Testamento, mas o Evangelho não havia chegado à China naquela época, portanto, não teria como ele se converter ao Cristianismo também. Mas, apesar desses precursores do Kung Fu não terem sido cristãos, eles ensinavam princípios e valores parecidos com os ensinamentos judaico-cristãos. Kwan Kun, o guerreiro lendário do Kung Fu, também era um bom exemplo a ser seguido, pois ele era muito íntegro, honesto, e honrado. Não devemos idolatrar esses homens, mas podemos seguir como bons exemplos os seus princípios de honra e de justiça.
 
A guerra é uma arte, e artes marciais significam “artes militares”, ou seja, a sua origem não é religiosa, mas, sim, militar. As artes marciais não são um culto ao deus romano Marte, até porque, essas lutas esportivas são orientais, e Marte, é um deus ocidental. Wushu significa “Técnica Militar”, isto é, a origem do Kung Fu é o serviço militar chinês e não o culto ao Buda, até porque, Siddhartha Gautama nasceu provavelmente 1.500 anos depois de surgir o Wushu, portanto, não teria como essa arte marcial ter origem budista. Lao-Tsé também nasceu depois do surgimento do Kung Fu, portanto, o Wushu também não tem origem taoísta. Bodhidharma não foi o criador do Kung Fu, porque o Wushu surgiu há vários séculos antes dele nascer. O 28º patriarca do Budismo recodificou essa arte milenar, mas não a criou. Ele é apenas o criador do Kung Fu Shaolin, mas não do Wushu primitivo.

O teatro tem origem pagã e foi criado para homenagear os deuses gregos, em especial a Dionísio, o deus da loucura e do vinho, mas nem, por isso, o teatro deixa de ser usado como instrumento de evangelismo nas igrejas e inúmeras almas já foram ganhas para Cristo através dele.

A saudação “Kin Lai” tem origem pagã, mas o aperto de mão também se originou no paganismo. Então, será que teremos que parar de apertar as mãos dos outros? Claro que não. Condenar as coisas por causa de sua origem é falácia genética, ou seja, algo sem fundamento algum. A saudação do Wushu é o mesmo que bater continência, isto é, é um gesto de respeito.    

Alguns religiosos hipócritas condenam muitos estilos de Kung Fu pelo simples fato dos lutadores imitarem os movimentos dos animais. Os lutadores que fazem isso não estão cultuando os animais, porque os mestres que criaram esses estilos não os criaram com a intenção de se cultuar os animais, mas, apenas, eles observavam os animais lutando pela sobrevivência e copiaram os seus movimentos. Outros fariseus condenam as artes marciais por causa das cores das faixas, mas foi Deus quem criou todas as cores e não o Diabo. Em cada cultura as cores têm os seus significados, mas nenhuma cor influencia as vidas dos cristãos.
                            

SOBRE A VIOLÊNCIA DAS ARTES MARCIAIS:


                             “Igualmente o atleta não é coroado, se não lutar segundo as normas”. (2 Timóteo 2:5)

                             A Bíblia relata sobre alguns homens que lutavam e que eram bons exemplos. Militares romanos que sabiam lutar Pancrácio (a arte marcial grega) e que também utilizavam armas letais para matarem nas guerras. A própria Palavra de Deus relata que esses guerreiros eram homens íntegros e que são bons exemplos a serem seguidos.
                            
            “Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)

O centurião Cornélio era considerado por Deus e pelos próprios judeus como um exemplo de ser humano bom e piedoso, pois esse militar era justo e temente a Deus. O apóstolo Pedro, em nenhum momento o recriminou pelo fato de ele ser militar, mas, sim, pelo fato de ele ser gentio. Mas, mesmo, Cornélio sendo um oficial do exército romano, Deus olhou para esse combatente, com amor e compaixão, e, principalmente, com admiração. O centurião Cornélio é um bom exemplo a ser seguido.

“Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo”. (Lucas 7:1-10)
           
O centurião de Cafarnaum, assim, como o centurião Cornélio, era um bom exemplo de militar, que ganhou elogios do próprio Jesus Cristo, que viu uma tremenda fé nesse oficial romano, que nem os próprios judeus, que eram de Israel, o povo de Deus, tinham. Esse militar era honesto e íntegro. Portanto, a própria Palavra de Deus elogia o trabalho dos militares, quando estes, são bons e justos.

            O centurião Júlio mencionado no capítulo 27 do Livro de Atos, também era um oficial romano muito digno e honrado, que tratou o apóstolo Paulo com muita humanidade e dignidade. Todos os centuriões mencionados no Novo Testamento eram justos e honestos, isto é, bons exemplos a serem seguidos.


CONCLUSÃO:


            Durante a História, existiram incontáveis guerreiros honrados que lutavam em prol da justiça, e que não deixaram de ser bons por causa disso. Incrédulos e cristãos que combatiam baseados em princípios e valores que fizeram a diferença no mundo. Os samurais (apesar da prática do ritual suicida quando eles eram derrotados) e os cavaleiros medievais eram guerreiros que tinham princípios morais e bons valores. Como eu gostaria de ter vivido nas épocas em que os samurais e os cavaleiros existiam. A Bíblia não condena os homens lutarem, portanto, que eles lutem por causas nobres e justas. Mesmo, que tenham cristãos no exército inimigo, se esses “cristãos” estiverem combatendo do lado errado, eles devem ser combatidos também. Na Segunda Guerra Mundial, tiveram muitos cristãos que apoiaram Adolf Hitler, isto é, que eram nazistas mesmo, e eles pediram para morrer, porque escolheram o lado errado da guerra. Na Guerra Civil Americana, muitos cristãos eram assassinos cruéis e apoiavam a escravidão, e esses mereceram morrer também. Em guerras justas, os cristãos devem optar pelo lado justo do conflito, e não pelo lado do opressor. Portanto, os cristãos que se alistam em exércitos mal-intencionados, estão arcando com as conseqüências desse ato, e vão colher exatamente o que plantarem. Quando os cristãos se omitem em situações de injustiça, eles escolhem o lado do opressor. Espero ter sido claro e objetivo neste meu artigo.     






AUTOR: Filipe Levi Viasoni da Silva, historiador e professor de História.