segunda-feira, 24 de março de 2014

O CRISTÃO E O ESTADO


“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:1-7)

            O apóstolo Paulo foi o maior teólogo que já existiu. Ele era conhecido como o “Apóstolo dos Gentios”, porque, ao contrário, dos outros apóstolos, ele se preocupava com a Salvação das pessoas que não pertenciam ao povo judeu, ou seja, Paulo acreditava que todos os homens de todas as etnias e nacionalidades podem ser salvos, se aceitarem Jesus Cristo em seus corações como o seu único e suficiente Salvador. Paulo destacou muito em suas Cartas a submissão as autoridades, e, assim, como Jesus, ele também ensinou que os cristãos devem pagar todos os seus impostos, sabendo que o dinheiro era usado para a manutenção do Exército. Esse apóstolo afirmou, claramente, que os agentes do Estado (magistrados, militares, policiais, e políticos) são ministros de Deus e os seus vingadores para castigarem os malfeitores. Além disso, Paulo, afirmou com convicção, que as autoridades não são apenas permitidas por Deus, mas, sim, estabelecidas por Ele. Portanto, não há nada de Demônio nas autoridades constituídas, porque Deus as instituiu para o bem-estar da população; e para manter a lei e a ordem na sociedade. Para Paulo, o governo é necessário para punir os criminosos (usando a violência mesmo) e exaltar os cidadãos de bem.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei”. (1 Pedro 2:13-17)

Segundo o apóstolo Pedro, os cristãos também têm o dever moral e cívico de se sujeitarem as autoridades governamentais, e também reconheceu que a função dos agentes do Estado é punir os malfeitores e louvar os homens que praticam o bem. Para Pedro, os enviados do rei (magistrados e soldados) têm a obrigação e o dever (autorizados por Deus) de castigar os bandidos usando a força se for necessário. Portanto, tanto Paulo quanto Pedro legitimavam a repressão contra o crime.

“Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:14)

João Batista, o precursor do Messias, e também o maior de todos os profetas, também legitimava e apoiava a profissão do militar, pois ele mesmo batizou alguns soldados, e se recusou a batizar os fariseus (os religiosos hipócritas da época).

“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)

O centurião Cornélio era muito admirado e respeitado pelos judeus, pois ele era um homem justo e temente a Deus. Esse militar era honesto e piedoso. A Bíblia relata que Cornélio era um bom exemplo de ser humano e de cidadão romano. Esse guerreiro não deixou de ser bom e piedoso porque combatia, mas, sim, ele alcançou até elogios do próprio Deus e dos judeus. Em nenhum momento, Pedro o recriminou por ser militar, pelo contrário, o apóstolo o evangelizou, e ainda ordenou que Cornélio fosse batizado, ainda sendo um oficial romano. Tudo indica que Cornélio permaneceu em sua centúria, mesmo após a sua conversão.

“Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo”. (Lucas 7:1-10)

            O centurião de Cafarnaum era amigo do povo judeu, o povo de Deus; pois ele até edificou uma sinagoga para eles. Esse militar tinha tanta fé, mas tanta fé, que Jesus se admirou, porque nem os judeus tinham uma fé como aquela. A Palavra de Deus relata que o centurião de Cafarnaum era honesto e íntegro, pois ele era admirado por todos, e tinha muitos amigos que o amavam e o ajudavam. Tanto o centurião Cornélio como o centurião de Cafarnaum são relatados na Bíblia como exemplos de homens de bom caráter, portanto, eles são bons exemplos a serem seguidos pelos cristãos. Tanto Jesus quanto Pedro não recriminaram esses centuriões pelo fato de eles serem militares.

“Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. (2 Timóteo 2:4)

            Há muitas semelhanças entre a vida cristã e o serviço militar, por isso, o apóstolo Paulo vivia comparando ambos. Os cristãos devem ser como soldados, isto é, devem acatar as ordens de seu Senhor e cumprir a sua missão.

            “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. (1 Timóteo 2:1-4)

Paulo também ensinou que os cristãos têm o dever e a obrigação de intercederem em favor das autoridades governamentais, porque também é da vontade de Deus que os governantes conheçam a Cristo. Com esses relatos bíblicos que usei, espero ter sido claro e objetivo. Quem não aceita a legitimidade do governo legalmente constituído é no mínimo muito ingênuo ou moralmente delinqüente mesmo.

domingo, 23 de março de 2014

À BEIRA DO APOCALIPSE


SOBRE A PERSEGUIÇÃO ESTATAL:
                                                   

“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. E, quando vos entregarem, não cuideis em como, ou o que haveis de falar, porque naquela hora vos será concedido o que haveis de dizer; visto que não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós. Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores, e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo. Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do homem”. (Mateus 10:16-23)

Estamos à beira de um grande colapso mundial, porque há várias possibilidades de se começar o Apocalipse (ou algum tipo de apocalipse antes do verdadeiro acontecer). Por causa da Globalização, o mundo não viverá em paz, mas qualquer conflito pode resultar numa Guerra Mundial. Os países têm vários aliados militares, e, por isso, pode ocorrer a Terceira Grande Guerra há qualquer momento. Os Illuminati, a Irmandade, ou seja lá quem for, pretendem instalar um governo mundial na Terra, e para isso, eles têm que reduzir a humanidade em poucos habitantes, isto é, eles querem dizimar mais da metade da raça humana, para poderem controlar os habitantes da Terra com mais facilidade. Por causa da guerra na Síria, ou por causa da guerra na Criméia, ou se o governo norte-coreano usar o seu arsenal nuclear para atacar os Estados Unidos e os seus aliados, pode acontecer uma catástrofe mundial. Os governos comunistas e islâmicos odeiam o Cristianismo e perseguem severamente todos os cristãos que ousam pregar o Evangelho. Tenho algo para dizer a vocês, meus irmãos em Cristo, pode haver uma perseguição universal há qualquer momento, ou seja, uma tribulação mundial. Preparem-se, porque “o bicho vai pegar”.


SOBRE AS GUERRAS:


“Mas, quando o seu coração se exalçou e o seu espírito se endureceu em soberba, foi derribado do seu trono real, e passou dele a sua glória. E foi tirado dentre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito semelhante ao dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; fizeram-no comer erva como os bois, e pelo orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre os reinos dos homens e a quem quer constitui sobre eles”. (Daniel 5:20-21)

Há muita distorção por parte de muitos “cristãos” mal-intencionados que costumam propagar mentiras através da Internet. Esses religiosos hipócritas e mentirosos distorcem o contexto de versículos bíblicos (alguns demonizam a própria Bíblia), e deturpam a História para poderem demonizar o Estado. Esses fanáticos usam e abusam do fato da maioria dos cristãos primitivos ter se recusado a se alistar no Exército e ocupar cargos públicos para poderem demonizar o serviço militar e a política, alegando que as autoridades constituídas são do Demônio. Quem é esperto e usa, pelo menos, um pouquinho da inteligência que Deus lhe deu, verá nesse trecho bíblico do Livro de Daniel, que o profeta Daniel reconheceu que os governantes da Terra são estabelecidos por Deus, isto é, Deus estabelece os reis e depõe os reis como bem entende, porque Ele é Soberano. Com certeza, alguns religiosos alegarão que isso foi no Antigo Testamento, então, eu mostrarei o que o Novo Testamento diz a esse respeito.

“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Dêem a cada um o que lhe é devido: se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra”. (Romanos 13:1-7)

A Bíblia sempre nos ensinou que nós, cristãos, devemos nos sujeitar as autoridades governamentais, porque os agentes do Estado são servos de Deus para castigar os malfeitores e enaltecer os cidadãos de bem, mas quando o governo é contrário aos Mandamentos de Deus, e não se submete a autoridade do Altíssimo, então, temos todo o direito de nos rebelarmos contra ele, com a aprovação de Deus.

“Então, alguns soldados lhe perguntaram: E nós, o que devemos fazer? Ele respondeu: Não pratiquem extorsão, nem acusem ninguém falsamente, e contentem-se com o seu salário”. (Lucas 3:14)

João Batista, o precursor do Messias, e o maior de todos os profetas, reconheceu a legitimidade do trabalho do soldado, pois ele mesmo batizou alguns militares e lhes incentivou a permanecerem no Exército, portanto, que eles fossem honestos e justos. A própria Bíblia reconhece que João Batista foi o homem pecador mais justo que já existiu sobre a Terra. Portanto, a opinião dele é válida. João Batista não era um qualquer, mas era o precursor do Messias, isto é, o homem que preparou o caminho para Jesus; e ele foi o maior profeta que já existiu. Portanto, João Batista sabia o que estava fazendo quando batizou aqueles soldados.

O combate nunca foi moralmente errado para Deus, pois a Bíblia mostra vários exemplos de homens que combatiam e não deixaram de serem bons e honrados por causa disso. Mostrarei alguns exemplos de guerreiros mencionados no Novo Testamento que davam bom exemplo e que foram até elogiados por seu caráter pelo próprio Deus. Primeiro, defenderei a guerra justa aplicada pelos militares, mas, logo, pretendo comentar sobre as revoluções armadas.

“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)

O centurião Cornélio era considerado por Deus e pelos próprios judeus como um exemplo de ser humano bom e piedoso, pois esse militar era justo e temente a Deus. O apóstolo Pedro, em nenhum momento o recriminou pelo fato de ele ser militar, mas, sim, pelo fato de ele ser gentio. Mas, mesmo, Cornélio sendo um oficial do exército romano, Deus olhou para esse combatente, com amor e compaixão, e, principalmente, com admiração. O centurião Cornélio é um bom exemplo a ser seguido.

“Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo. Estes, chegando-se a Jesus, com instância lhe suplicaram, dizendo: Ele é digno de que lhe faças isto; porque é amigo do nosso povo, e ele mesmo nos edificou a sinagoga. Então Jesus foi com eles. E já perto da casa, o centurião enviou-lhe amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres em minha casa. Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo; porém manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Porque também sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz. Ouvidas estas palavras, admirou-se Jesus dele e, voltando-se para o povo que o acompanhava, disse: Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta. E, voltando para casa os que foram enviados, encontraram curado o servo”. (Lucas 7:1-10)
           
O centurião de Cafarnaum, assim, como o centurião Cornélio, era um bom exemplo de militar, que ganhou elogios do próprio Jesus Cristo, que viu uma tremenda fé nesse oficial romano, que nem os próprios judeus, que eram de Israel, o povo de Deus, tinham. Esse militar era honesto e íntegro. Portanto, a própria Palavra de Deus elogia o trabalho dos militares, quando estes, são bons e justos.

            O centurião Júlio mencionado no capítulo 27 do Livro de Atos, também era um oficial romano muito digno e honrado, que tratou o apóstolo Paulo com muita humanidade e dignidade. Todos os centuriões mencionados no Novo Testamento eram justos e honestos, isto é, bons exemplos a serem seguidos.

            Sobre o Sexto Mandamento “Não matarás”, a sua tradução correta é “Não assassinarás”. O verbo hebraico “ratsach” usado no Antigo Testamento, e o verbo grego “foneuo” usado no Novo Testamento, para o Sexto Mandamento, são usados somente para se referir ao assassinato criminoso, e nunca a legítima defesa, ou a pena capital aplicada pelo Estado. Portanto, nós, servos de Deus, temos a autorização e a aprovação de Deus para matarmos numa guerra, se precisarmos de fato nos defender.

Usei esses exemplos e estou legitimando a função do soldado, porque é provável que haja uma grande guerra, então, nós, cristãos, devemos estar preparados para guerrear nas batalhas que logo surgirão. Durante anos, tenho escrito artigos sobre esse tema para trabalhar a consciência e o ideológico dos cristãos, ou seja, estou preparando a Igreja de Cristo para uma possível guerra.


SOBRE AS REVOLUÇÕES:


Sobre as revoluções, João Calvino e Ulrico Zuínglio (e, posteriormente, Martinho Lutero) as apoiavam, quando os governos eram repressores e anticristãos. João Calvino defendia que o povo pode se rebelar contra as autoridades constituídas, portanto, que outras autoridades (ele usou os magistrados populares como exemplo, ou seja, os defensores do povo) os apóiem. Calvino usou os éforos espartanos, os demarcas atenienses, e os tribunos romanos como exemplos de defensores dos direitos dos cidadãos de bem. Para Calvino, um magistrado popular ou um comandante militar liderando o povo legitimaria a revolução. Zuínglio era capelão do Exército, e também se rebelou contra as autoridades católicas, morrendo em combate. Lutero passou a apoiar a resistência armada contra o Estado, devido às perseguições religiosas que os protestantes sofriam. Esses homens estão entre os maiores teólogos da História do Cristianismo, e acredito que as suas opiniões são válidas.

Oliver Cromwell liderou os puritanos na Revolução Inglesa, conhecida também como Revolução Puritana, e os protestantes tiveram êxito nessa revolução, porque eles destituíram Carlos I do poder, e o mataram, vencendo a guerra civil.

No Antigo Testamento, Jeú, um capitão do exército de Israel, se rebelou contra Jorão, rei de Israel, e contra Acazias, rei de Judá. Jeú teve a ordem de Deus para destituir esses reis do poder e matá-los, porque Deus ordenou que ele fizesse isso. Tanto no caso de Jeú, como no caso de Oliver Cromwell, as revoluções tiveram sucesso, porque Deus as apoiou.

Não sabemos ainda se os militares ou os comunistas darão um golpe aqui no Brasil, mas seja quem for que dê o golpe, devemos estar preparados para uma possível guerra civil, ou seja, revolução. Duvido muito que os militares conservadores de direita molestem os cristãos, até porque muitos desses militares são cristãos também. Mas, a minha preocupação, é que os comunistas tomem o poder e instalem um governo socialista aqui no Brasil. Se isso acontecer, nós, servos de Deus, devemos estar preparados para empunharmos armas e combatermos a ditadura do proletariado. Os regimes comunistas não toleram o Cristianismo, e eles são capazes de praticarem as maiores e piores atrocidades para extinguir o Cristianismo da Terra. Se houver perseguição, estejamos preparados para nos escondermos em cavernas e florestas, e nos preparemos para a batalha. O governo é instituído por Deus, mas nós podemos nos defender de sua tirania e repressão se precisarmos. Com as perseguições religiosas durante toda a História da Igreja, os cristãos fugiram de suas cidades e se espalharam pelo mundo pregando o Evangelho. Quando há perseguição, há mais amor e comunhão entre os cristãos. Com a tribulação, a Igreja será purificada das heresias pecaminosas que tanto a ameaçam. As igrejas nunca deixaram de existir por causa das perseguições, mas, sim, por causa das heresias.


CONCLUSÃO:


Muitos Pais da Igreja, como, por exemplo, Justino Mártir, Hipólito de Roma, Tertuliano de Cartago, Orígenes de Alexandria, Cipriano de Cartago, Lactâncio, e outros hereges desse meio, pregavam o Pacifismo (muitos deles pregavam o anti-semitismo também). Jesus Cristo e os apóstolos nunca condenaram o serviço militar e a política, pelo contrário, eles reconheciam que as autoridades governamentais são instituídas por Deus para o bem-estar do povo. Para os grandes teólogos da História do Cristianismo, até os governantes tiranos e maus são levantados por Deus, para serem usados para os seus propósitos grandiosos. Os temas, guerra e revolução, sempre foram polêmicos na História da Igreja Cristã. Até o ano 170 da Era Cristã, poucos cristãos se alistavam no Exército, devido às práticas idolátricas que os militares romanos eram obrigados a se comprometerem. Apesar da idolatria greco-romana enraizada no Estado, e do Exército perseguir os cristãos primitivos injustamente, os apóstolos e os Pais Apostólicos reconheciam a legitimidade do Império Romano. Claro, que eles não concordavam com a repressão governamental e com a Escravidão, mas, os apóstolos e os Pais Apostólicos eram conscientes e politizados, e sabiam melhor do que ninguém, que é necessário que haja um Estado para manter a lei e a ordem, castigando os malfeitores e protegendo os cidadãos de bem. Portanto, os apóstolos e os Pais Apostólicos do primeiro século, nunca condenaram o serviço militar e a política, apesar dos cristãos primitivos, em sua maioria, não ter se envolvido com o Estado.

Quando Constantino, o Grande, ascendeu ao poder e deu liberdade religiosa aos cristãos, em 313, e depois organizou o Concílio de Nicéia, em 325, onde surgiu a Bíblia, o Estado passou a ser aliado dos cristãos, e não mais o seu inimigo. Os Doutores da Igreja (os Pais da Igreja da época) incentivavam os cristãos a servirem o Exército e a se sujeitarem as autoridades constituídas, porque, agora, o governo era cristão, e não mais pagão. Como o Estado não perseguia mais os cristãos, então, não havia mais desculpas para não se envolver com o serviço militar e com a política.

Agostinho de Hipona, Ambrósio de Milão, Jerônimo de Strídon, e outros Pais da Igreja legitimavam a guerra justa. Policarpo de Esmirna e Clemente de Roma, Pais Apostólicos, reconheciam que as autoridades governamentais são necessárias para se manter a lei e a ordem no mundo, porque as autoridades constituídas são necessárias na ordem estabelecida por Deus. Policarpo de Esmirna reconheceu que o Estado é legítimo antes de ser martirizado. Clemente de Roma ensinou aos cristãos primitivos que eles tinham o dever, cristão, moral, e cívico de intercederem em favor das instituições políticas. Martinho Lutero, João Calvino, e Ulrico Zuínglio apoiavam as revoluções armadas. Portanto, não temos desculpas para sermos apáticos e para nos omitirmos na grande batalha que está por vir. Sejamos corajosos e estejamos preparados, porque as guerras e as perseguições são inevitáveis. Pelejaremos em Nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos Exércitos, que tem o total controle sobre os governos do mundo. O Altíssimo domina os reinos dos homens, e coloca no poder a quem Ele quer. O Todo-Poderoso estabelece reis e revoga reis, ou seja, Ele levanta reinos e derruba reinos. Deus tem o total domínio do mundo. Portanto, se houver uma Guerra Mundial, ou uma perseguição universal contra a Igreja, saibam que Deus ainda é Soberano, e nada foge do controle de suas poderosas mãos. Ninguém pode contra o nosso Deus.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O CRISTÃO E AS ARTES MARCIAIS


SOBRE A IDOLATRIA:
                          

“Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas cousas, com o uso, se destroem”. (Colossenses 2:21-22)  

Alguns “ex-satanistas” costumam propagar mentiras sobre as lutas esportivas, pois eles mentem descaradamente deturpando o contexto de versículos bíblicos (que não tem nada a ver com o assunto), e também distorcem o contexto histórico das artes marciais. Os leigos, ou seja, as pessoas que não conhecem as lutas esportivas, acabam acreditando em suas mentiras baseadas apenas em seu preconceito religioso ridículo.

“Um assunto controvertido no Cristianismo de hoje é se um cristão deve ou não praticar artes marciais. Alguns dizem que por causa de sua origem não-cristã (misticismo oriental), nenhuma forma de arte marcial deveria ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não-cristã, por si só, não pode ser um fundamento suficiente para se rejeitar as artes marciais, uma vez que este ponto de vista comete o erro que chamamos de "falácia genética". O que isto quer dizer? Uma falácia é um argumento enganoso e sem fundamento. O termo "genética" quer dizer neste caso "origem". Assim, uma falácia genética é um argumento infundado que pressupõe que uma vez que a procedência de uma crença ou prática esteja errada (por não ter uma raiz cristã), sem considerar as suas modificações, ela ainda estaria errada hoje”.

               “De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se no método da astrologia. Entre os movimentos religiosos que usam e abusam da falácia genética se encontram as chamadas "Testemunhas de Jeová"; estas se recusam a comemorar aniversários natalícios, Natal e Ano-Novo, pelo simples fato de estas comemorações terem origem no paganismo. Em nenhum momento se leva em conta o desenvolvimento e a evolução de uma crença ou prática. Ao invés de cometer a falácia genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de descartá-lo prematuramente”.
 
A primeira arte marcial a surgir foi à luta “Vajramushti”, que surgiu há mais de 5.000 anos atrás. Essa é uma arte marcial de origem indiana. Não sei muito sobre essa luta, mas sei que como todas as artes marciais, a sua origem é militar, isto é, ela foi criada para o combate, e não necessariamente para se cultuar os deuses. Se essa luta se originou na religião hindu ou qualquer outra religião pagã não importa, porque a origem não quer dizer nada. O que importa é o desenvolvimento dessa coisa durante o curso da História, pois muitas coisas (como as artes marciais) mudaram com o passar dos séculos, e sua influência idolátrica não é tão forte hoje como foi no passado. Portanto, há como separar a luta da idolatria. Inclusive, a aliança matrimonial também tem origem na religião hindu, mas nem por causa disso os religiosos que condenam as lutas esportivas deixam de usá-la.
 
A guerra é uma arte, e artes marciais significam “artes militares”, ou seja, a sua origem não é religiosa, mas, sim, militar. As artes marciais não são um culto ao deus romano Marte, até porque, essas lutas esportivas são orientais, e Marte, é um deus ocidental. Wushu significa “Técnica Militar”, isto é, a origem do Kung Fu é o serviço militar chinês e não o culto ao Buda, até porque, Siddhartha Gautama nasceu provavelmente 1.500 anos depois de surgir o Wushu, portanto, não teria como essa arte marcial ter origem budista. Lao-Tsé também nasceu depois do surgimento do Kung Fu, portanto, o Wushu também não tem origem taoísta. Bodhidharma não foi o criador do Kung Fu, porque o Wushu surgiu há vários séculos antes dele nascer. O 28º patriarca do Budismo recodificou essa arte milenar, mas não a criou.

O teatro tem origem pagã e foi criado para homenagear os deuses gregos, em especial a Dionísio, o deus da loucura e do vinho, mas nem, por isso, o teatro deixa de ser usado como instrumento de evangelismo nas igrejas e inúmeras almas já foram ganhas para Cristo através dele.

A saudação “Kin Lai” tem origem pagã, mas o aperto de mão também se originou no paganismo. Então, será que teremos que parar de apertar as mãos dos outros? Claro que não. Condenar as coisas por causa de sua origem é falácia genética, ou seja, algo sem fundamento algum. A saudação do Wushu é o mesmo que bater continência, isto é, é um gesto de respeito.    

Alguns religiosos hipócritas condenam muitos estilos de Kung Fu pelo simples fato dos lutadores imitarem os movimentos dos animais. Os lutadores que fazem isso não estão cultuando os animais, porque os mestres que criaram esses estilos não os criaram com a intenção de se cultuar os animais, mas, apenas, eles observavam os animais lutando pela sobrevivência e copiaram os seus movimentos. Outros fariseus condenam as artes marciais por causa das cores das faixas, mas foi Deus quem criou todas as cores e não o Diabo. Em cada cultura as cores têm os seus significados, mas nenhuma cor influencia as vidas dos cristãos.


SOBRE O COMBATE:
              

 “Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:14)

Sobre o combate em si, também não há problema algum, pois quando João Batista batizou alguns soldados, ele não lhes disse que combater é moralmente errado e os incentivou a continuarem combatendo.

“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte, chamada a italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas ao povo e de contínuo orava a Deus”. (Atos 10:1-2)

O centurião Cornélio era militar, portanto, ele combatia. O apóstolo Pedro em nenhum momento o recriminou por causa disso, e Cornélio, não cultuava o imperador e nem sacrificava aos deuses, pois ele era um homem justo e temente a Deus.

“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:1-7)

            O apóstolo Paulo reconheceu o uso legítimo da força aplicada pelas autoridades constituídas contra os criminosos, portanto, os militares e policiais, têm a autorização e a aprovação de Deus para usarem a violência contra os bandidos, porque essa é a vontade de Deus. Paulo indicou o uso legítimo de armas letais contra os marginais quando necessário. Portanto, até o “Apóstolo dos Gentios’ apoiava o combate.
                                                                                                       
“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei”. (1 Pedro 2:13-17)

O apóstolo Pedro também reconheceu que a função dos militares e policiais é usar a violência (dentro da lei) para castigar os malfeitores. Tanto Paulo quanto Pedro reconheciam o uso legítimo da força bruta e até de armas letais para se punir os criminosos. Se a Bíblia autoriza até militares e policiais matarem na guerra se for necessário (segundo Paulo, os soldados e policiais são ministros de Deus), seria uma grande incoerência a Palavra de Deus condenar a prática de lutas esportivas.


CONCLUSÃO:


Condenar as artes marciais por causa de sua origem é coisa de gente imbecil, pois teria que se condenar outras coisas de origem pagã também, e não só as lutas esportivas. Segundo João Batista e os apóstolos, Pedro e Paulo, combater não é errado. Na Igreja Primitiva, existiam militares cristãos que combatiam e não se envolviam com a idolatria grego-romana, portanto, é possível lutar sem cultuar outros deuses. Hoje, existem academias cristãs onde os alunos não reverenciam quadros, estátuas e tatames, ou seja, eles não se envolvem com práticas idolátricas. Todos os cristãos têm o direito de pensarem como quiser, mas eles não podem condenar o que não conhecem e nem julgar injustamente irmãos inocentes. Os cristãos podem praticar artes marciais, portanto, que se abstenham da idolatria.

terça-feira, 11 de março de 2014

O CRISTÃO E A GUERRA

Qual é a atitude do cristão em relação à guerra? É certo tirar a vida de outra pessoa por causa do governo? Há uma base bíblica para a guerra?

                                                                                                                                         

Norman L. Geisler


Várias respostas têm sido dadas a estas perguntas. Basicamente, há três pontos de vista adotados pelos cristãos. Primeiramente, há o ativismo que sustenta que o cristão deve ir para todas as guerras em obediência ao seu governo, porque o governo é ordenado por Deus. Em segundo lugar, há o pacifismo que argumenta que os cristãos não devem participar em guerra alguma ao ponto de tirar a vida dos outros, visto que Deus ordenou aos homens para nunca tirarem a vida de outra pessoa. Finalmente, há o seletivismo que argumenta que os cristãos devem participar de algumas guerras, das guerras justas, visto que fazer doutra forma é recusar a fazer o bem maior que Deus ordenou. Vamos analisar cada um destes três pontos de vista.

1. ATIVISMO: É CORRETO PARTICIPAR DA GUERRA

O argumento do ativismo de que o cristão é obrigado, pelo seu dever de obedecer ao seu governo, a participar de todas as guerras tem dois tipos diferentes de argumentos: o bíblico e o filosófico ou social. Examinaremos somente os argumentos bíblicos.

O Governo é Ordenado por Deus
Seja no âmbito religioso, seja no âmbito civil, o governo é de Deus (Rm 13.1-7). A Bíblia declara que a civilização antediluviana se tornou corrupta: ...cheia de violência (Gn 6.13). Deus a destruiu e instituiu o governo humano. Certamente requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida... e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem (Gn 9.5-6).
Em síntese, Deus ordenou o governo. Adão recebeu a coroa para reinar sobre a terra, e quando o mal se alastrou, a Noé foi dada a espada para reger na terra. Os homens têm o direito, aprovados por Deus, de tirar a vida de homens rebeldes que derramam sangue inocente. A espada que foi dada a Noé foi brandida por Abraão quando entrou na guerra contra os reis citados em Gênesis 14, que fizeram agressão contra o sobrinho de Abraão, Ló. Conforme nota Carroll Stegall, esta passagem indica que Deus aprova guerras que são para a proteção dos pacíficos contra o agressor.
Embora a forma específica do governo mudasse no decurso do Antigo Testamento, há uma reiteração do princípio de que o governo é de Deus. Na teocracia mosaica, os poderes do governo são bem explícitos: Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe (Êx 21.23-25). Até mesmo quando Israel estabeleceu sua monarquia de modo contrário ao plano de Deus para ele (1 Sm 8.7). Mesmo assim, Deus ungiu o rei que escolheu. Ele disse ao profeta Samuel: Atende à sua voz, e estabelece-lhe um rei (1 Sm 8.7-10,22). Mais tarde, Samuel disse: Vedes já a quem o SENHOR escolheu? (1 Sm 10.24). Davi, até mesmo antes de ser rei, recebeu a ordem no sentido de lutar contra os filisteus que estavam despojando Israel (1 Sm 23.1-2).
Referindo-se aos governos das nações gentias, o Antigo Testamento diz: ... o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer (Dn 4.25). Com base no restante da profecia de Daniel, percebemos que Deus ordenou os grandes governos: babilônico, medo-persa, grego e romano (Dn 2 e 8). Visto que o governo é dado por Deus, conclui-se que desobedecer ao governo é desobedecer a Deus. Se, portanto, o governo ordena que um homem vá à guerra, o ativismo bíblico argumentaria que ele deve corresponder, em obediência a Deus, pois Deus ordenou o governo com a espada, ou seja, o poder de tirar vidas.
Jesus confirma o conceito do Antigo Testamento: Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22.21). A autoridade civil dada por Deus foi reconhecida por Jesus, diante de Pilatos, quando disse: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado (Jo 19.11). Paulo admoesta Timóteo: antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens. Pelos reis, e por todos os que estão em eminência... (1 Tm 2.1-2). Paulo diz a Tito: Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam... (Tt 3.1). Pedro é muito claro: Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados...  (1 Pe 2.13-14).
A passagem mais extensa do Novo Testamento sobre o relacionamento entre o cristão e o governo acha-se em Romanos 13.1-7. O primeiro versículo deixa claro que todo governo é divinamente estabelecido: Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus (v. 1). Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação (v.2). A potestade deve ser obedecida porque é ministro de Deus para teu bem... é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal (v.4). Paulo prossegue: Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo (v.6). Por isso, o cristão é conclamado: Portanto, daí a cada um o que deveis; a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem  temor, temor; a quem honra, honra (v.7).
O que deve ser destacado nesta passagem é a reiteração do poder governamental para tirar a vida humana. Os cristãos são conclamados a obedecer ao governante ou rei: pois não traz debalde a espada (Rm 13.4). Ou seja: o governo, com seu poder sobre a vida, é ordenado por Deus. Quem resistir ao governo está resistindo a Deus. Segundo os ativistas bíblicos, a pessoa deve responder à chamada do governo para ir à guerra, porque Deus deu a autoridade da espada às autoridades governantes.

2.  PACIFISMO:  É ERRADO PARTICIPAR DA GUERRA


Os argumentos em prol do pacifismo podem ser divididos em dois grupos básicos: o bíblico e o social. Analisaremos apenas a argumentação bíblica.

A Guerra é Sempre Errada

Há muitos aspectos no argumento do pacifista cristão contra as guerras. Há várias premissas bíblicas por detrás de todos eles. Uma das premissas está no Pentateuco: Não matarás (Êx 20.13). A outra se encontra no Evangelho: Não resistais ao mal (Mt 5.39).

1 - Matar é Sempre Errado – Para o  pacifismo há a convicção de que tirar a vida intencionalmente, especialmente na guerra, é básica  e radicalmente errado. A proibição bíblica: Não matarás inclui a guerra. A guerra é assassinato em massa.  Assassinato é assassinato, quer seja cometido dentro da própria sociedade ou contra homens de outra sociedade.
Visto que esta conclusão, à primeira vista, é contrária aos muitos casos na Escritura que, em alguns casos, ordena a guerra; os pacifistas cristãos devem dar uma explicação de por que a Bíblia, às vezes, ordena a guerra.
Várias respostas têm sido dadas por diferentes pacifistas:
(1) Primeiramente, as guerras do Antigo Testamento, em que se representa Deus ordenando a guerra, não foram de modo algum ordenadas por Deus. Representam um estado mais bárbaro da humanidade em que as guerras eram justificadas ao ligar a elas sanções divinas. Esta opção parece rejeitar claramente a autoridade do Antigo Testamento, não sendo uma alternativa viável para um crente evangélico, uma vez que Jesus declarou a autoridade e autenticidade do Antigo Testamento;
(2) Outra explicação é que estas guerras eram sem igual, porque Israel estava agindo como instrumento teocrático nas mãos de Deus. Essas não eram realmente as guerras de Israel, mas, sim, as de Deus, conforme é evidenciado pelos milagres que Deus operava para ganhá-las (Js 6,10; Sl 44).
 (3) Finalmente, às vezes é argumentado que as guerras do Antigo Testamento não eram a perfeita vontade de Deus, mas, sim, somente sua vontade permissiva, ou seja, Samuel recebe ordens de Deus para ungir Saul como rei; ainda que Deus não tivesse escolhido Saul para rei, mas, sim, Davi (1 Sm 10.1). Ou ainda, as guerras são ordenadas por Deus da mesma maneira que Moisés ordenou o divórcio: por causa da dureza dos corações dos homens (Mt 19.8). Deus tem um caminho melhor: o da obediência e do amor. Deus poderia ter realizado seus propósitos em Israel e em Canaã sem guerras, se o povo tivesse sido mais obediente. Nenhuma guerra é o mandamento de Deus em ocasião alguma. Deus ordena, de forma clara e inequívoca: Não matarás. Este mandamento aplica-se a todos os homens, amigos ou inimigos. Todos os homens são feitos à imagem de Deus. Assim sendo, seria pecado matá-los. O Antigo Testamento ensina claramente que uma pessoa deve amar seus inimigos (Lv 19.18, 34; Jn 4). Jesus reafirmou este ensino, dizendo: Amais vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem... (Mt 5.44). A guerra baseia-se no ódio, e é intrinsecamente errada. Tirar a vida de alguém é contrário ao princípio do amor; sendo, portanto, uma atitude anticristã.

2.  Resistir ao Mal é Errado - Em conexão estreita com a primeira premissa básica do pacifismo, de que é errado matar, há outra: o mal nunca deve ser resistido com força física, mas, sim, com a força espiritual do amor. Jesus disse: Não resistais ao mal; mas se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra (Mt 5.39).
Cristo também ensinou: E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas (Mt 5.41). O cristão não deve retaliar nem pagar o mal com o mal. A vingança pertence a Deus (Dt 32.35). Paulo escreveu: Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas daí lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem (Rm 12.19-21). O cristão não deve tornar a ninguém mal por mal... se possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens (Rm 12.17-18).
Acerca da declaração de Jesus: Não cuideis que vim trazer paz a terra; não vim trazer paz, mas espada (Mt 10.34), dizem os pacifistas que ela não pode ser usada para apoiar a guerra. Jesus, pois, ordenou a Pedro: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão (Mt 26.52). Jesus não estava definindo o propósito do seu ministério, mas seu resultado. O efeito da lealdade a ele causaria divisão: Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai; e a filha contra a sua mãe, e a nora contra a sua sogra (Mt 10.35). O efeito do ministério de Cristo é freqüentemente dividir famílias como por uma espada (Lc 12.51, usa a palavra dissensão ao invés de espada), ainda que esta não seja a intenção da sua vinda.
pacifismo está comprometido com a premissa de que é essencialmente errado usar força física, pelo menos até ao ponto de tirar vidas, a fim de resistir ao mal. Isto não significa que o pacifista repudie toda força. Ele apenas acredita na força maior do bem espiritual diante das forças do mal físico. Acreditam que não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas desde século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Ef. 6.12).

3.  SELETIVISMO: UMA POSTURA EQUILIBRADA

Tanto o ativismo quanto o pacifismo reivindicam o apoio da Escritura. O seletivismo é apenas uma terceira maneira de interpretar os mesmos dados bíblicos?  Sob determinado aspecto, tanto o ativismo quanto o pacifismo têm razão (pelo menos parcialmente) e que o sentido em que ambos têm razão é a essência do seletivismo. Resumindo, o seletivismo é uma síntese do ativismo e do pacifismo.  O seletivismo firma-se na posição de que a pessoa deve participar somente de uma guerra justa.
Na realidade, há um ponto de concordância (pelo menos teoricamente) entre todos os três pontos de vista: não se deve participar de uma guerra injusta. O pacifista, naturalmente, sente que todas as guerras são injustas. O ativista sustenta que nenhuma guerra é injusta, ou pelo menos, se houver guerras injustas, a participação nelas não é errada. O seletivista argumenta que, em princípio, algumas guerras são injustas e outras não. Logo, para apoiar o seletivismo, a pessoa deve demonstrar não somente que:
(1)                           Algumas guerras são injustas em princípio (assim sendo, o ativismo total está errado);
(2)                           Algumas guerras são justas em princípio (assim sendo, o pacifismo total está errado).

1. Algumas Guerras são Injustas - A rejeição do ativismo total é apoiada pelas Escrituras. A Bíblia, pois, ensina que nem sempre é certo obedecer ao governo em tudo quanto ordena, especialmente quando seus mandamentos contradizem as Leis espirituais superiores de Deus.  Os três jovens hebreus desobedeceram ao mandamento do rei. Não adoraram um ídolo (Dn 3). Daniel violou a lei que proibia a oração a Deus (Dn 6). Os apóstolos desobedeceram às ordens que interditavam a pregação do Evangelho de Cristo (Atos 4 e 5). E num caso muito claro de desobediência, divinamente aprovada, as parteiras hebréias no Egito desobedeceram ao mandamento que determinava a morte dos recém-nascidos do sexo masculino: As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera, antes conservaram os meninos... Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou e se fortaleceu muitoE aconteceu que, como as parteiras temeram a Deus, ele estabeleceu-lhes casas (Êx 1.17, 19-21). Esta passagem ensina claramente que é errado tirar a vida de um ser humano inocente, ainda que o governo humano o determine. Os pais de Jesus evidenciaram a mesma convicção de que o governo não tinha direitos sobre a vida humana inocente, visto que, sob a orientação de Deus, fugiram diante da tentativa de Herodes de matar o menino Jesus (Mt 2.13-14).
Visto que o governo não é soberano para tirar vidas inocentes, segue-se que nem todas as guerras feitas pelo governo são justas. De fato, até mesmo dentro de uma guerra justa pode haver ordens injustas, as quais devem ser desobedecidas. Nem todas as guerras, nem todos os atos de guerra são moralmente justificáveis pelo motivo da pessoa estar agindo em obediência ao governo.

2. Algumas Guerras são Justas - As Escrituras ensinam que nem todas as guerras são necessariamente más. Em oposição ao pacifismo, algumas guerras são justas. Tirar uma vida é freqüentemente ordenado por Deus, tanto dentro de uma nação quanto entre nações. Nem sempre tirar a vida é assassinato. Às vezes, Deus delega a autoridade para que seja derramado o sangue humano. Vemos isso registrado no Livro de Gênesis (Gn 9.6), reiterou-o Moisés na Lei para Israel (Êx 21.26) e Paulo reafirmou-o como sendo o poder que residia no imperador de Roma (Rm 13.4), tendo sido subentendido até mesmo por Jesus diante de Pilatos (Jo 19.11). Fica evidente, com base nestas passagens, que todo governo, recebeu autoridade divina para aplicar a pena capital aos assassinos.
A história da batalha de Abraão contra os reis (Gn 14) dá apoio ao princípio de que os agressores nacionais injustos devem ser resistidos da mesma maneira que os agressores individuais injustos (1 Sm 23.1-2). As nações, assim como os indivíduos, podem ser salteadoras e assassinas. Seria uma falsa lógica argumentar que a pessoa deve resistir a um homem assassino com a espada, mas deixar um país assassino exterminar milhares de pessoas inocentes. Mais apoio para a posição de que o poder militar defensivo às vezes é justificável pode ser deduzido da vida do apóstolo Paulo. Quando sua vida foi ameaçada por homens indomáveis, apelou à sua cidadania romana e aceitou a proteção do exército romano (At 22.25-29). Em certa ocasião, alguns homens dedicaram-se a matar Paulo, mas este foi levado sob a proteção de um pequeno exército (At 23.23). Não há razão para crer que o apóstolo não considerasse justo seu direito de cidadão de ser protegido pelo exército contra uma agressão injusta. Pelo contrário, suas ações demonstram claramente que, como cidadão romano, exigia esta proteção. E o princípio de empregar o poder militar na autodefesa pode ser extensivo a uma nação, e não somente a indivíduos. Porque, conforme os pacifistas reconhecem também, não há no Novo testamento um padrão duplo de moralidade, uma regra para o indivíduo e outra para o país. Afinal de contas, os países são compostos de muitos indivíduos. Deus, às vezes, ordena que os homens usem a espada para resistir aos homens maus. O militar não desempenha uma função má (Lc 3. 14).
Talvez deva ser dita aqui uma palavra acerca da maneira inaceitável do pacifista explicar os mandamentos de Deus como sendo puramente culturais ou concessões à pecaminosidade humana. Este tipo de hermenêutica subverteria a confiança do cristão em todos os mandamentos da Escritura. Quando um mandamento é condicional ou cultural, as Escrituras os revelam. Exemplo: Jesus indicou que Moisés não tinha realmente ordenado o divórcio, mas meramente o permitiu (Mt 19.8). Semelhantemente, a Bíblia indica claramente que a unção de Saul como rei sobre Israel foi uma concessão, e não o desejo de Deus para Israel (1 Sm 8.6-9). No entanto, não há semelhante indicação de que Deus queria que Israel praticasse a paz e não a guerra com os cananitas. Estes estavam além da possibilidade de serem ganhos: eram incuravelmente malignos e Deus ordenou que fossem exterminados (Lv 18.27-28; Dt 20.16-17). Nem há qualquer indicação de que a pena capital era aplicada a assassinos, simplesmente porque a cultura então prevalecente assim ensinava, ou porque o povo não amava suficientemente o assassino. A implicação da Escritura é que a pena capital era exatamente o que Deus queria que fosse feito a tais assassinos (Gn 9.16; Rm 13.4).
Assim, também, os mandamentos a Israel referentes à guerra contra Canaã realmente foram ordenados por Deus. Lemos no livro de Josué: Destruiu a tudo o que tinha fôlego, sem deixar sequer um, como ordenara o Senhor Deus de Israel (Js 10.40). Até mesmo antes de Israel ter entrado em Canaã, os israelitas receberam esta ordem: Porém, das cidades destas nações que o SENHOR teu Deus te dá em herança, não deixarás com vida tudo o que tem fôlego. Antes, como te ordenou o SENHOR teu Deus destruí-las-ás totalmente... (Dt 20.16-17). Referindo-se a todas as cidades além de Canaã, foram ordenados: Quando te aproximares de alguma cidade para pelejar contra ela, oferecer-lhe-ás a paz. Se a sua resposta for de paz, e te abrir as portas, todo o povo que nela se achar, será sujeito a trabalhos forçados e te servirá. Deus ainda diz: se ela não fizer paz contigo, mas te fizer guerra, então a sitiarás;... E todos os do sexo masculino que houver nelas passarás ao fio da espada; mas as mulheres, as crianças, e os animais, e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti (Dt 20.10-17). Nesse caso, travar a guerra era condicional, mas não era assim o mandamento de Deus em relação aos cananitas.
Pode-se concluir, a partir desta passagem que Deus não somente sancionava a guerra de extermínio dos cananitas, como também aprovava outras guerras justas contra os povos que não queriam aceitar uma paz justa, mas, sim, saiam lutando. Em síntese, o mandamento de Deus quanto nossa ocupação em guerras justas não pode ser limitado aos propósitos teocráticos de Deus no sentido de exterminar os cananitas malignos. Até mesmo nas monarquias posteriores, declara-se que Deus ordenou a Israel guerrear contra seus agressores (2 Cr 13.15-16; 20.29). Na realidade, no curso do Antigo Testamento e do Novo, Deus ordenou a guerra como instrumento da justiça. Até o próprio Israel apóstata, apesar do seu relacionamento especial com Deus mediante a aliança, tornou-se vítima de governos levantados por Deus para derrotá-lo (Dt 28.25; Dn 1.1-2). Nabucodonosor (Dn 4.17), Ciro (Is 44.28), e até mesmo Nero são descritos como servos de Deus, com o poder da espada. Paulo escreve acerca deste último: Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal (Rm 13.4). O pacifismo total, pelo motivo alegado de que nunca se deve tirar uma vida humana, não é bíblico. Nem sempre tirar uma vida é assassinato, segundo a Bíblia.  A pena capital não é assassinato. A guerra em defesa dos inocentes não é assassinato. Uma guerra contra um agressor injusto não é assassinato. O pacifista total não está olhando de modo justo todos os dados da Escritura. Pelo contrário, apega-se à proibição contra o assassinato, desconsiderando os versículos que exigem que a vida dos homens maus seja tirada, pois visam à defesa dos inocentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

seletivista reconhece que o governo é instituído por Deus e que o cristão deve sempre se submeter ao governo debaixo de Deus (1 Pe 2.13). Reconhece que o governo, estando submisso a Deus, deve ser obedecido.  Na eventualidade de um conflito entre Deus e o governo, o seletivista está pronto a obedecer a Deus ao invés do homem. Reconhece que há uma diferença entre aquilo que é de César e aquilo que é de Deus. Aquilo que é de Deus é mais valioso do que aquilo que é de César. Os poderes de César, pois, são delegados por Deus e são transcendidos por Deus. O dever direto que a pessoa tem diante de Deus é maior do que seu relacionamento indireto com Deus através do governo. O governo foi instituído por Deus para representá-lo na área social e política da vida, mas não foi destinado a substituí-lo por meio de um poder absoluto sobre a vida moral e religiosa do homem. O seletivismo, nesse sentido, contempla de maneira harmoniosa as declarações: Daí, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Mt 22.21) e : ...Mais importa obedecer a Deus do que aos homens (Atos 5.29).




sábado, 8 de março de 2014

QUERO AINDA ACREDITAR NO SER HUMANO


“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. (Tiago 1:27)

Os homens se esqueceram de Deus e dos seus Santos Mandamentos, mas ainda quero acreditar que o ser humano é bom e se voltará para Deus. Estou triste e deprimido por causa da omissão dos cristãos e da maldade das pessoas. Os homens não respeitam a natureza e nem os seus semelhantes. O que vejo, é pai matando filho; e filho matando pai. Irmão matando irmão. Marido matando a esposa e os filhos. A crueldade e a vilania estão incrustadas nos corações dos homens. Os seres vivos são massacrados de tal forma que muitas espécies já foram extintas da face da Terra. Os seres humanos estão procurando à ira de Deus e vão encontrá-la. Deus tem sido misericordioso com a humanidade, mas a paciência de Deus tem limite.  

Quando o Império Romano perseguia a Igreja de Cristo, os cristãos primitivos levavam as coisas de Deus a sério. Infelizmente, incontáveis pessoas boas e inocentes foram massacradas com as perseguições. Com o Édito de Milão, em 313, os cristãos passaram a ter a sua tão sonhada liberdade religiosa. Em 325, houve o Concílio de Nicéia, onde os livros da Bíblia foram reunidos. Mesmo, com as perseguições vindas do Império Romano, Deus estava no controle da situação.

Quando houve a Reforma Protestante, em 1517, os reformadores cooperaram para que os cristãos voltassem para as Escrituras Sagradas. Houve muitas perseguições vindas por parte da Igreja Católica, mas os protestantes (cristãos que protestavam até com armas quando era preciso) suportaram os inúmeros martírios. Só que dessa vez, os cristãos se defenderam. Os puritanos na Inglaterra, os huguenotes na França, e os luteranos na Alemanha, empunharam armas e pelejaram ferozmente contra os seus perseguidores. Houve a Guerra Dos Trinta Anos (1618-1648), quando os católicos e protestantes guerrearam um contra o outro. Foi um banho de sangue, para que a Igreja de Cristo restituísse a sua identidade.

Nos países comunistas e em muitas nações islâmicas, os cristãos também foram e ainda são muito perseguidos. Milhões de cristãos foram torturados e mortos com requintes de crueldade por causa de sua devoção a Deus e sua Palavra. Bíblias foram queimadas e templos destruídos. Infelizmente, foi sempre a perseguição que motivou os cristãos a buscarem mais a Deus e a purificar a Igreja das heresias.

Estou contando tudo isso, porque a Igreja não tem mais influenciado o mundo, mas, sim, o mundo tem influenciado a Igreja. O pecado da hipocrisia tem corroído os alicerces da Igreja Protestante. Os protestantes se esqueceram o que é protestar, pois, hoje, eles são totalmente omissos. Existem poucos evangélicos que ainda levam as coisas de Deus a sério. A Igreja tem que impactar a sociedade com a sua diferença, e não com a sua igualdade. A Igreja tem que ser diferente do mundo, e não igual ao mundo. Os cristãos devem mostrar para a humanidade que Jesus Cristo é a Única Salvação, e o Único Caminho para se chegar até Deus. Mas, a Igreja, tem que mostrar isso com atitudes de amor.

Estamos à beira da Terceira Guerra Mundial, pois muitos países estão em guerra, e com as suas alianças militares arrastarão todo o mundo para essa Grande Batalha. Armas químicas e nucleares podem ser usadas nessa guerra. Se isso acontecer, a civilização humana entrará em declínio. O apocalipse tão retratado em filmes de ficção acontecerá. A barbárie tomará conta da população, e a sociedade que conhecemos hoje, não existirá mais. Os homens serão ainda mais bestiais e perversos do que os homens maus atuais. A bondade desaparecerá quase por completo, e o amor se esfriará de quase todos.

Por favor, cristãos, se voltem para Deus antes que seja tarde demais. Intercedam pelas autoridades para que Deus lhes dê sabedoria para governarem. Orem pelos aflitos, e socorram os órfãos e as viúvas, para que assim o Senhor veja, e detenha a sua poderosa mão. Deus está perdendo a sua paciência com as pessoas (principalmente, com os cristãos), portanto, busquem ao Senhor enquanto ainda podem achá-lo, porque quando Deus resolver punir a Igreja por causa de sua desobediência, depois não digam que eu não avisei. Quero ainda acreditar na humanidade, e quero crer, de que a Igreja abrirá os seus olhos há tempo, antes que seja tarde demais, e a perseguição assole a Terra.

terça-feira, 4 de março de 2014

COLAPSO MUNDIAL


"Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o Senhor para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam: Não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. (Salmo 14:1-3)

Há muito tempo, venho escrevendo sobre a humanidade acreditar no valor dela própria, ou seja, no valor do ser humano. Sinceramente, nos últimos anos, estou perdendo a esperança na humanidade, pois a raça humana ainda não aprendeu com os seus erros. Sempre amei os seres humanos e os animais (os animais amarei sempre), mas a cada dia que passa, tenho mais ódio do ser humano. As pessoas sempre me decepcionaram e ainda me decepcionam. Não acredito mais nos homens (menos ainda nas mulheres). Dói muito no meu coração dizer isso, mas estou começando a desejar que o mundo se exploda de vez para tudo isso acabar.

Com o governo norte-coreano ameaçando usar o seu arsenal nuclear, com a guerra na Síria, e com a possível guerra na Ucrânia, talvez, a raça humana aprenda de vez, e haja um colapso mundial, e a civilização humana entre em declínio. Ou, talvez, um tipo de vírus mortal ou uma espécie de parasita, castigue os seres humanos com terríveis doenças, e todos morram dolorosamente. O que lamento, é que se ocorrer a Terceira Guerra Mundial, ou seja, se armas químicas ou bombas atômicas forem usadas, infelizmente, como sempre, pessoas boas e inocentes morrerão. Estou tão decepcionado com a vida e tão sem esperança para o futuro, que no fundo do meu coração, no mais íntimo da minha alma, eu desejo que aconteça uma catástrofe mundial, para que tudo seja destruído de uma vez por todas. Bem sei que o mundo não acabará assim, pois ainda surgirá o Anti-Cristo para reunir as nações sob seu domínio, e ele lançará uma terrível perseguição contra a Igreja de Cristo (sinceramente, acredito que a Igreja Cristã está precisando de uma “perseguiçãozinha” mesmo, para ganhar vergonha na cara, e passar a levar as coisas de Deus a sério). Se houvesse perseguição, eu iria querer ver se os cristãos iriam fazer pouco caso das coisas de Deus (somente ficaria na Igreja quem leva Deus a sério e quer trabalhar na obra mesmo).

Talvez, os apocalipses tão pregados nos filmes de ficção se concretizem na realidade, pois já existem várias armas de destruição em massa, capazes de destruir o mundo e seus habitantes. Se acontecesse uma hecatombe nuclear, ou um apocalipse zumbi, ou se as máquinas ganhassem inteligência própria e se rebelassem contra os homens, ou se os dinossauros voltassem, ou se as aberrações criadas em laboratórios se libertassem e tivessem contato com a sociedade, talvez, assim, os seres humanos aprendessem a respeitar a vida e o planeta. Se algo catastrófico acontecesse, as pessoas levariam a sério as coisas que escrevo, e se voltariam para Deus. Se uma tragédia muito grande desestabilizasse a civilização, talvez, os homens aprendessem essa lição, a lição de preservar a natureza e de amar o próximo. Mas, as pessoas são egoístas e mesquinhas, e têm que se ferrarem mesmo.

Cansei de escrever sobre amor, justiça, e respeito entre as pessoas. Já cansei de ser xingado e perseguido pelos omissos que adoram exaltar o mal e o poder do Diabo. Cansei de tentar alertar o povo de Deus (assim, como os profetas fizeram no passado, mas perderam o seu tempo), pois considero que os cristãos devem ser privados de muitas coisas (inclusive, de sua liberdade de buscarem a Deus), para poderem aprender a levar os Mandamentos de Deus a sério. Se as mulheres fossem violentadas e torturadas em campos de concentração, eu iria querer ver elas se divertirem se prostituindo com todo o mundo (e não valorizarem os homens que as respeitam e sempre foram legais com elas). Se os pais de família tivessem os seus filhos arrancados deles e se suas mulheres fossem violadas na sua frente, eu iria querer os ver pregarem o pacifismo e que os bandidos são uns “coitadinhos”. Se acontecesse um apocalipse zumbi, ou se não existisse mais Estado, e ninguém tivesse mais armas, eu iria querer ver as ONGs pacifistas e desarmamentistas encherem o saco, pois todos (inclusive, esses demagogos hipócritas) iriam querer se armar para sobreviverem. Desejo do fundo do meu coração que as pessoas sofram mesmo para largarem a mão de serem bestas, para que elas aprendam a valorizar os seres vivos, e que respeitem a natureza e o seu próximo. Eu desisto da humanidade! Desisto de tudo! Quero que tudo se exploda mesmo! Fiquem com a sua omissão e conformismo. Cansei.    

domingo, 2 de março de 2014

O CRISTÃO PODE PARTICIPAR DE GUERRAS?


A OPINIÃO DO APÓSTOLO PAULO:
     

Paulo, que era conhecido como Saulo de Tarso, foi um grande perseguidor da Igreja Cristã, mas a caminho de Damasco, ele se deparou com Jesus, ficando cego por alguns dias. Saulo foi curado, e se tornou num grande apóstolo. Paulo evangelizou autoridades que se converteram, como, por exemplo, o procônsul Sérgio Paulo, e o carcereiro de Filipos. Há provas históricas que comprovam que Sérgio Paulo se converteu e permaneceu no seu cargo público, pois há registros que mostram que ele governou Chipre durante três anos. O próprio livro de Atos mostra que o carcereiro de Filipos permaneceu em sua profissão (portando a sua espada). Estou relatando isso, porque muitos religiosos fanáticos mal-intencionados distorcem o contexto histórico em que a Igreja Primitiva estava inserida para poderem demonizar o Estado. Em primeiro lugar, Jesus Cristo e os apóstolos nunca pregaram contra o serviço militar e a política. Em segundo lugar, o culto imperial e os sacrifícios aos deuses eram rituais idolátricos que dificultavam os primeiros cristãos se alistarem no Exército e ocuparem cargos públicos, porque as autoridades que não cultuassem o imperador e não sacrificassem aos deuses eram punidas com a morte por alta traição. Em terceiro lugar, se o serviço militar e a política fossem coisas tão diabólicas como os fanáticos e fundamentalistas pregam, a Bíblia, a Palavra de Deus, deixaria bem claro para os cristãos não se envolverem com essas coisas. Portanto, não há nenhuma parte na Bíblia e nem relatos confiáveis que mostram que Jesus Cristo e os apóstolos pregaram contra o Estado.

Paulo evangelizou até a Guarda Pretoriana que o vigiava em uma ocasião. O apóstolo aproveitou que os guardas pretorianos o vigiavam para lhes falar da Salvação de Cristo. Em sua Carta aos Filipenses, Paulo até menciona sobre os santos do palácio de César, que provavelmente eram esses guardas e outros funcionários do governo que se converteram através dele.

Paulo é o autor da Carta aos Romanos, e no capítulo 13 desta Carta, ele conta a sua opinião sobre as autoridades governamentais.

Todo homem esteja sujeito as autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. (Romanos 13:1)

O verbo grego usado para sujeição é “upotasso” que significa estar subordinado ou sujeito. A Palavra de Deus é clara quando afirma que toda autoridade procede de Deus. Há diferença entre instituir e permitir, ou seja, Deus não apenas permite que os reis governem o mundo, mas Ele estabelece os reis da Terra. Todos os cristãos devem se submeter ao Estado e interceder a favor dele.

“De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação”. (Romanos 13:2)

A condenação significa punição do Estado, isto é, qualquer cidadão que se rebelar contra o governo será castigado, porque é ordenação de Deus que os homens se submetam ao Estado.

“Porque os magistrados não são para temor quando se faz o bem, e, sim, quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela”; (Romanos 13:3)

As autoridades existem para castigar os malfeitores e enaltecer os que praticam o bem. Os cidadãos que são trabalhadores e honestos não precisam temer as autoridades, porque a função delas é punir os bandidos e não os cidadãos de bem.

“visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. (Romanos 13:4) 

O apóstolo Paulo foi claro quando disse que o Estado é ministro de Deus para o nosso bem, ou seja, a função do Estado é castigar os malfeitores e proteger os cidadãos de bem. A palavra grega usada para espada é “machaira” que é um símbolo da pena capital, isto é, o Estado tem a autorização de Deus para executar criminosos perigosos, autores de crimes hediondos e bárbaros.

“É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência”. (Romanos 13:5)   
    
Os cidadãos de bem devem obedecer às autoridades e não cometer crimes, não por causa do medo de serem presos ou mortos, mas, sim, porque é o certo a se fazer.

“Por esse motivo também pagais tributos: porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço”. (Romanos 13:6)  

O verbo grego usado por Paulo (Jesus usou o mesmo verbo) para pagar os tributos é “apodote” (de apodidomi - que significa: dar o que é devido, devolver, pagar de volta). Os cristãos devem pagar os tributos e os impostos para a manutenção do Estado, porque a obrigação dos governantes, que são ministros de Deus, é dar segurança aos cidadãos de bem. 

“Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra”. (Romanos 13:7)

Neste versículo, o apóstolo Paulo também usou o verbo grego “apodote”, e esse servo de Deus foi inspirado pelo Espírito Santo para ensinar aos cristãos os seus deveres cívicos. Infelizmente, o governo brasileiro está longe do ideal de governo idealizado por Deus, mas a obrigação da Igreja é orar a favor das autoridades governamentais, porque essa é a vontade de Deus. O Estado é necessário para manter a lei e a ordem no mundo; e os cristãos que não aceitam isso, não acreditam na Bíblia. Deus estabelece os governantes do mundo e o dever da Igreja é interceder a favor deles e ajudá-los no que for necessário.   
        
Paulo, em sua Primeira Epístola a Timóteo, também conta sobre qual é a principal obrigação dos cristãos com o governo.       

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. (1 Timóteo 2:1-4)

O apóstolo Paulo também ensinou que todos os cristãos têm o dever de intercederem em favor das autoridades governamentais, ou seja, os cristãos devem orar pelos homens investidos de autoridade. Tanto Pedro quanto Paulo, não endiabravam as autoridades constituídas, pelo contrário, eles reconheciam a sua legitimidade. Essa “historinha” de que os cristãos primitivos demonizavam o Estado é mentira do Diabo, porque Jesus Cristo, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, não demonizavam as autoridades governamentais. Hoje, não existem mais práticas idolátricas no Estado, portanto, nada impede os cristãos de se relacionarem com o governo.


A OPINIÃO DO APÓSTOLO PEDRO:


Pedro foi um dos discípulos de Jesus mais próximos do Salvador. Ele era sincero na sua fé, apesar de ter um gênio forte e de ser extremamente preconceituoso. Mas, Deus trabalhou isso em seu coração. Através do centurião Cornélio (um militar romano justo e temente a Deus), Pedro percebeu que Deus não queria apenas salvar os judeus, mas, sim, todos os povos. Cornélio era honesto e íntegro, mas apesar disso, ele não era salvo. Pedro o evangelizou, e Cornélio se converteu, e foi batizado ainda sendo um oficial romano. Em nenhum momento, Pedro implicou com Cornélio pelo fato dele ser militar, mas, sim, pelo fato dele ser gentio. Cornélio era bem visto aos olhos de Deus, e a Bíblia deixa bem claro que esse centurião era justo e correto em sua profissão. Pedro acreditava que apenas os judeus poderiam ser salvos, mas Deus, através de uma visão, mostrou para Pedro que o Altíssimo não faz acepção de pessoas, e que todos os homens de todos os povos podem ser salvos se aceitarem Jesus Cristo em seus corações como o seu único e suficiente Salvador.
   
Pedro, em sua Primeira Epístola, conta a sua opinião sobre as autoridades constituídas, assim, como Paulo fez. Tanto Paulo quanto Pedro foram inspirados pelo Espírito Santo para escreverem as suas Cartas, portanto, foi o próprio Deus quem falou através deles. Os apóstolos eram homens dignos e cheios do poder de Deus, portanto, devemos dar crédito para o que eles falaram.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores, como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei”. (1 Pedro 2:13-17)

 O apóstolo Pedro afirmou que os cristãos devem se sujeitar as autoridades constituídas e que a função das autoridades enviadas pelo rei é castigar os malfeitores e louvar os que praticam o bem. Os soldados e magistrados eram essas autoridades enviadas pelo rei para punir os culpados. No primeiro século, quase todos os cristãos primitivos não se alistavam no Exército e nem ocupavam cargos públicos, principalmente, por causa da idolatria que predominava naquela época (como o culto imperial e os sacrifícios aos deuses). Hoje, a situação é muito diferente do que naquela época, pois não temos mais problemas com a idolatria.


A OPINIÃO DE JOÃO BATISTA:


“Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. (Lucas 3:14)

João Batista era o precursor do Messias; e foi o maior de todos os profetas. Esse grande servo de Deus foi o homem mais justo que já existiu sobre a Terra. Quando alguns soldados foram batizados por João Batista, esse grande profeta não os recriminou por serem combatentes, pelo contrário, ele lhes incentivou a continuarem sendo soldados, portanto, que eles exercessem a sua função com honestidade.
                                                             

AS OPINIÕES DOS PAIS DA IGREJA:


No ano 170, os cristãos começaram a se alistar em massa no Exército, por causa das invasões bárbaras (na época do imperador Marco Aurélio). Antes do ano 170, existiam cristãos nas legiões romanas sim, mas eram poucos; devido às cerimônias cívicas e religiosas comprometidas com a idolatria greco-romana; além da prestação de culto ao imperador e dos sacrifícios aos deuses, que dificultavam os primeiros cristãos se envolverem com o serviço militar e a política. Policarpo de Esmirna reconheceu que as autoridades governamentais são estabelecidas por Deus. Clemente de Roma ensinou os cristãos a intercederem em favor dos governantes, porque ele reconhecia que as instituições políticas são necessárias na ordem estabelecida por Deus. O fato de terem existido alguns Pais da Igreja que demonizavam o Estado, não justifica endiabrar o governo hoje. Naquela época, o Estado era inimigo do Cristianismo (apesar de ser instituído por Deus), e o Exército perseguia e massacrava os cristãos; além da idolatria greco-romana enraizada no Império. Os cultos ao imperador e aos deuses pagãos eram grandes empecilhos para os cristãos serem militares e políticos. Alguns Pais da Igreja, como, por exemplo, o Justino Mártir, o Tertuliano de Cartago, o Hipólito de Roma, o Orígenes de Alexandria, o Cipriano de Cartago, e o Lactâncio, demonizavam as autoridades instituídas pelo próprio Deus. Devo destacar que alguns dos Pais da Igreja além de demonizarem o Estado (que é instituído por Deus), eles também pregavam o anti-semitismo. Não interessa o que os Pais da Igreja ensinaram ou deixaram de ensinar se os seus ensinamentos são contrários a Palavra de Deus. Devemos dar ouvidos ao que Jesus e os apóstolos ensinaram apenas, e não a “ungidões” que se consideram acima do bem e do mal (até acima das leis de Deus).

Os Pais Apostólicos, Policarpo de Esmirna e Clemente de Roma, reconheceram que as autoridades governamentais são necessárias na ordem estabelecida por Deus. Os Pais Apostólicos conheceram pessoalmente os apóstolos, e tanto esses Pais Apostólicos quanto os apóstolos ensinavam a submissão às autoridades e a intercessão em favor dos homens investidos de autoridade. Portanto, nem todos os cristãos primitivos endiabravam o Estado. Jesus Cristo, os apóstolos, e os Pais Apostólicos, não condenavam o serviço militar e a política, pelo contrário, eles reconheciam a sua legitimidade.


REFUTANDO OS ARGUMENTOS BÍBLICOS DOS PACIFISTAS:


“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do Diabo; porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”. (Efésios 6:10-13)

Inúmeros cristãos interpretam mal o capítulo 6 da Carta aos Efésios, porque eles confundem guerra espiritual com pacifismo. O autor da Carta aos Efésios é também o autor da Carta aos Romanos. O apóstolo Paulo, o autor de ambas as Cartas, não era pacifista, pois se percebe claramente a sua posição em relação ao Estado no capítulo 13 da Carta aos Romanos. No capítulo 6 da Carta aos Efésios, o apóstolo Paulo usa puro simbolismo militar para se referir à armadura de Deus. O apóstolo Paulo constantemente usava o serviço militar como bom exemplo para a vida cristã. O fato de Paulo ter dito que a nossa luta não é contra carne e sangue (muito deturpado pelos pacifistas hipócritas), não significa que ele fez apologia ao pacifismo. O capítulo 6 da Carta aos Efésios não invalida o capítulo 13 da Carta aos Romanos, portanto, o apóstolo Paulo não pregou o pacifismo.

“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;”. (2 Coríntios 10:3-4)

Por isso, as armas carnais e humanas, tais como argúcia, habilidade, riqueza, capacidade organizacional, eloqüência, persuasão, influência e personalidade são em si mesmas inadequadas para destruir as fortalezas de Satanás; porque as únicas armas adequadas para desmantelar os arraiais do Diabo, as injustiças e os falsos ensinos são as armas que Deus nos dá. Esse trecho não se refere às armas bélicas, mas, sim, a capacidade humana; e para combater o Inferno precisamos das armas espirituais dadas por Deus, pois somos incapazes de vencermos Satanás e os seus demônios sozinhos.

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;”. (Mateus 5:38-39)

Os fariseus deturpavam as leis do Antigo Testamento para incentivar as pessoas ao ódio e a retaliação, porque olho por olho e dente por dente eram na verdade as punições aplicadas pelas autoridades nos malfeitores e não um incentivo a represália do indivíduo. Jesus condenou a vingança pessoal e não a legítima defesa, pois Ele usa muito simbolismo nas coisas em que ensina. Cristo, em outra parte da Bíblia, ensinou que se as suas mãos e pés e os seus olhos te fizerem pecar, se deve amputar as mãos e os pés e arrancar os olhos fora, mas tudo isso é simbólico e não se deve fazer no sentido literal.

“Então, Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão”. (Mateus 26:52)

Cristo não fez apologia ao pacifismo, mas simplesmente falou que os violentos sofrerão violência. Se Pedro tivesse matado Malco, ele seria punido com a morte pelo Estado Romano e Jesus quis impedir que isso acontecesse.

“E saberá toda esta congregação que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará na nossa mão”. (Samuel 17:47)

Quando Davi afirmou que do Senhor é a guerra, ou seja, de que a batalha pertence ao Senhor, ele quis dizer que nós, servos de Deus, devemos confiar no Altíssimo e não em nossa própria força ou em armas bélicas; entretanto, em nenhum momento, ele hesitou lutar contra Golias por causa disso, porque ele confiava no Senhor dos Exércitos.

Muitos dos grandes teólogos que participaram da História da Igreja de Cristo eram favoráveis a pena capital e não viam problema algum em cristãos ingressarem nas Forças Armadas ou ocuparem cargos públicos.

Agostinho de Hipona desenvolveu a teoria da guerra justa, pois ele acreditava que os cristãos têm o dever moral de participar de guerras justas para promover a justiça. Agostinho é considerado por muitos cristãos, o maior de todos os Pais da Igreja, e ele escreveu muitas obras que beneficiaram a Cristandade. Esse grande teólogo era a favor da pena de morte e os reformadores do século XVI se inspirariam nele para reformar a Igreja Cristã.

Tomás de Aquino foi um dos maiores teólogos que já existiu e falava positivamente sobre a legítima defesa e achava necessária a execução de criminosos perigosos para o bem-estar da sociedade.

Martinho Lutero era um monge agostiniano e acreditava que a pena capital era indispensável em casos de crimes bárbaros; inclusive, ele incentivou os príncipes alemães a exterminarem os camponeses que se rebelaram contra as autoridades constituídas, e os anabatistas, que se diziam pacifistas, participaram dessa rebelião.

João Calvino foi um grande teólogo francês e era favorável a pena de morte até nos casos de heresias; ele condenou o médico, Miguel Serveto, que blasfemou contra a Trindade, a morrer na fogueira. Entretanto, João Calvino, se arrependeu de ter mandado matar, Miguel Serveto, mas ele nunca mudou a sua opinião em relação a executar malfeitores.

Ulrico Zuínglio era capelão do Exército e morreu em combate lutando contra os cantões católicos. Ele foi um dos principais responsáveis pela Reforma da Igreja na Suíça, e como João Calvino, Ulrico Zuínglio era também a favor da pena capital em caso de heresia.
                                  

O SEXTO MANDAMENTO:


Quase todos os cristãos nunca compreenderam o sexto mandamento “não matarás”. A tradução correta do sexto mandamento é “não assassinarás”. Os religiosos alienados usam e abusam da tradução errada desse mandamento para ficarem atacando pedras nos guerreiros que matam para se defenderem ou para protegerem os indefesos. O verbo hebraico “ratsach” usado nesse mandamento no Antigo Testamento, e o verbo grego “foneuo” usado nesse mandamento no Novo Testamento, sempre são usados para se referir ao assassinato criminoso, e nunca a legítima defesa e a pena capital. Tanto o verbo hebraico “ratsach” quanto o verbo grego “foneuo” se referem ao homicídio ilícito. Portanto, matar para se defender ou para proteger alguém não é pecado.


CONCLUSÃO:


Segundo a Bíblia, a Palavra de Deus, e as opiniões dos homens mais importantes da História do Cristianismo, os cristãos podem participar de guerras sim, portanto, que sejam guerras justas. Mesmo, que haja cristãos no exército inimigo, porque se “cristãos” se alistam num exército macabro (como foi na Alemanha nazista), eles estão conscientes de que estão errados, e devem arcar com as conseqüências de seus atos. Sobre as revoluções armadas, os cristãos têm o direito de se rebelarem contra o Estado, se este for repressor e corrupto, portanto, que um comandante militar ou as próprias Forças Armadas os apóiem (pelo menos, essa era a opinião do reformador João Calvino). Admiro muito os militares e os policiais (principalmente, os que são meus irmãos em Cristo). A vontade de Deus é que haja um Estado para manter a lei e a ordem, e Ele autoriza o governo a declarar guerra contra outros países opressores, se for necessário. Espero ter sido claro e objetivo neste meu artigo.



Autor: Filipe Levi Viasoni da Silva, professor de História e historiador.