segunda-feira, 19 de abril de 2010

LIBERDADE CRISTÃ


“A apatia está por toda parte, ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso”. (Charles Spurgeon)

Os crentes hipócritas, baseados em seu falso moralismo, se divertem acusando e condenando pessoas inocentes e adoram impor suas doutrinas de preceitos de homens aos cristãos que têm pouco conhecimento da Palavra de Deus. O meu objetivo, através desse texto, é passar argumentos bíblicos e históricos aos crentes modernos para eles se defenderem das acusações injustas dos fariseus, que como sempre, não têm o que fazer da vida e ficam atacando pedras nos outros. Os cristãos são livres para fazerem o que quiser.

Primeiro, irei defender os piercings e as tatuagens, já que muitos servos de Deus sofrem preconceito por causa do uso dessas coisas e todos os argumentos que os religiosos hipócritas usam para condená-los não têm embasamento bíblico.

Os crentes preconceituosos alegam que o piercing é do Diabo pelo simples fato dele ter origem no paganismo, entretanto, a aliança matrimonial se originou na religião hindu e nem por isso esses mesmos acusadores deixam de usá-la. Condenar as coisas por causa de sua origem é falácia genética, ou seja, um argumento ridículo sem fundamento algum. O teatro e a astronomia têm origens idolátricas e são excelentes instrumentos usados por Deus para abençoar as vidas das pessoas.

“Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós: Eu sou o Senhor”. (Levítico 19:28)

Os religiosos alienados deturpam o contexto desse versículo alegando que fazer tatuagem é pecado. O interessante é que esse trecho se refere a um costume pagão em que pessoas se auto-flagelavam em homenagem aos entes queridos mortos e no mesmo capítulo também ensina que arredondar os cantos da cabeça e cortar a barba é pecado. Essa era uma lei do Antigo Testamento para os nazireus e não representa nada para os cristãos de hoje.

Agora, defenderei o uso de brincos e o direito dos homens terem cabelo comprido e das mulheres usarem cabelo curto.

Muitos cristãos primitivos (tanto homens quanto mulheres) usavam brincos nas orelhas, porque eram escravos libertos que optaram por continuar servindo aos seus senhores por amor, isto é, o uso de brincos antigamente simbolizava liberdade e amor. Hoje, o brinco é apenas mais um acessório para as pessoas se embelezarem.

Para compreender o que o apóstolo Paulo quis dizer na I Carta aos Coríntios é preciso entender o contexto em que ela foi escrita. Naquela época e região, os homossexuais declarados tinham cabelo comprido e as prostitutas usavam cabelo curto. Quando o apóstolo Paulo disse para os homens cortarem o cabelo e as mulheres usarem véus era para os cristãos não serem confundidos com essas pessoas, ou seja, isso era algo relacionado à cultura daquela época e região, e não significa nada para os dias atuais. Sobre o véu, as prostitutas recém-convertidas tinham que esperar o cabelo crescer, então, o apóstolo Paulo falou para todas as mulheres usarem véus na Igreja para as novas irmãs em Cristo não ficarem constrangidas.

Algo que me incomoda muito é o preconceito que as artes marciais sofrem no meio evangélico. Um dos argumentos usados pelos fariseus para condená-las é o fato de em alguns estilos os lutadores imitarem os movimentos dos animais. Eu posso afirmar, baseado em meu conhecimento histórico e nas pesquisas que fiz na internet, que não há problema algum em se imitar os movimentos dos animais, isto é, não é uma prática idolátrica. Se os lutadores cristãos não reverenciarem tatames, quadros e estátuas, ou seja, não se envolverem com práticas idolátricas não estarão pecando. A saudação Kin Lai tem origem pagã, mas o aperto de mão também se originou no paganismo, portanto, não há problema nenhum em cumprimentar os companheiros de treino.

Espero que com essas informações os cristãos (principalmente os jovens) possam se defender das calúnias dos crentes hipócritas, que somente sabem julgar injustamente as pessoas, e que possam viver em paz com sua consciência sem se preocuparem se estão pecando ou não. Que a verdade prevaleça e a mentira seja desmascarada.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

ARTES MARCIAIS: PRÁTICA ESPORTIVA OU RELIGIOSA?


Há muitas controvérsias sobre o tema, por um lado alguns crêem que o cristão pode perfeitamente praticá-las em sua totalidade, pois são artes culturais e filosóficas e que nada há de implicações espirituais, outros mais conservadores buscam a radicalização, vetando qualquer envolvimento de um cristão com essas modalidades de lutas esportivas, crendo que tudo não passa de mundanismo. Bem, não é nossa intenção aqui esgotarmos o assunto, mas alertar a igreja quanto a um lado ocultista e religioso que realmente existe nessas modalidades esportivas, gerando assim nos cristãos comprometidos com a Palavra, uma reflexão séria e bíblica. Há três pontos básicos que gostaríamos de salientar para obtermos uma perspectiva sobre este assunto, a princípio vamos considerar cada um brevemente:

• Primeiro - Alguns dizem que, por causa de sua origem não-cristã (misticismo oriental e afro), nenhuma forma de arte marcial ou luta deveria ser praticada por cristãos. Entretanto, uma origem não-cristã, por si só, não pode ser um fundamento suficiente para se rejeitar as artes marciais, uma vez que este ponto de vista comete o que chamamos de “falácia genética”. O que isto quer dizer? Uma falácia é um argumento enganoso, sem fundamento. O termo “genética” quer dizer neste caso “origem”. Assim, uma “falácia genética” é um argumento infundado que pressupõe que uma vez que a origem de uma crença ou prática esteja errada (por não ter uma origem cristã), sem considerar o seu desenvolvimento, ela ainda continuaria errada hoje.

De fato, se fôssemos coerentes ao aplicar esse tipo de lógica, nós deveríamos abandonar a astronomia, porque suas raízes encontram-se na prática da astrologia. Entre os movimentos religiosos que usam e abusam da falácia genética se encontram as chamadas “Testemunhas de Jeová”. Estas recusam comemorar aniversários, Natal, Ano Novo, etc., pelo simples fato de estas práticas terem origem no paganismo. Em nenhum momento se leva em conta o desenvolvimento ou a evolução de uma crença ou prática. Ao invés de cometer a falácia genética, seria melhor tentar verificar o quanto de influência as crenças originais podem ter sobre um objeto de discussão, antes de descartá-lo prematuramente. Em outras palavras, com o passar do tempo as coisas ganham um significado novo, muitas vezes, distanciando-se totalmente dos seus fundamentos originais pagãos, é o caso do Natal, Ano Novo, aliança matrimonial etc.

• Segundo - Afirma-se também que, contanto que o cristão separe os aspectos religiosos (misticismo oriental e afro) das artes marciais, ele pode praticá-las. Para avaliarmos este ponto de vista, precisamos examinar brevemente algumas das principais ramificações das artes marciais.


Vejamos em primeiro lugar as orientais:

1. Aikido — Significa “o caminho para a união com a força universal”. Esta força impessoal é conhecida como “chi”. O objetivo do Aikido é controlar tanto a si mesmo como o ambiente. Ironicamente, esta arte marcial é a mais compatível com o cristianismo no que diz respeito à sua natureza não-violenta; contudo, ela está imutavelmente mergulhada no misticismo oriental, sendo praticamente impossível dissociá-la de seus aspectos religiosos, o que gera um conflito com a fé cristã.

2. Judô e Jiu-Jitsu — O Judô envolve técnicas de agarramento e lançamento ao chão. O Jiu-Jitsu concentra-se em travar as articulações humanas e ocupa-se com as maneiras de dar golpes e manobras. Ambas as formas têm uma ênfase espiritual muito baixa, quase inexistente.

3. Caratê — O Caratê envolve meditação, que normalmente inclui o esvaziamento da mente da pessoa de todas as distrações externas. É nesse ponto que o Caratê torna-se perigoso e místico. Todavia, uma vez que o Caratê é primariamente uma arte marcial física, o aspecto da meditação pode ser perfeitamente separado dele.

4. Kung Fu — O Kung Fu é muito diverso. Há estilos diferentes de Kung Fu. As formas mais tradicionais aderem de perto às suas raízes filosóficas budistas, enquanto as formas menos tradicionais concentram-se mais nos aspectos físicos. Geralmente, o Kung Fu é mais místico que o Caratê.

5. Ninjitsu — De modo geral, o Ninjitsu não é compatível com o cristianismo. Os ninjas tentam assimilar-se a si mesmos com a natureza a fim de serem mais dissimulados, escondidos. A cosmovisão por trás do Ninjitsu é o panteísmo (corrente filosófica que confunde o Criador com criatura e vice-versa, em outras palavras, Deus é tudo e tudo é Deus), que contradiz a visão cristã de que Deus não é o universo, mas o Criador do universo (Gênesis 1:1, 2). A visão cristã de Deus não admite tomarmos o absoluto pelo relativo, o infinito pelo finito. A prática do Ninjitsu está intricicamente ligada com a religiosidade oriental.

6. Tae Kwon Do — O Tae Kwon Do é uma forma de arte marcial orientada para o esporte e o físico. É uma das formas de defesa pessoal oriental mais compatíveis com o cristianismo. Podendo ser perfeitamente praticada pelo cristão, embora não deva se descuidar com uma possível inclinação ao campo religioso.

7. Tai Chi Chuan — O Tai Chi Chuan envolve a prática do taoísmo. A fim de alcançar o bem-estar físico, o estudante de Tai Chi Chuan deve estar harmonizado com o universo ao concentrar-se abaixo da parte central do corpo, ou seja, o umbigo (que, segundo dizem, é o centro psíquico do corpo). O Tai Chi Chuan não pode ser conciliado com o cristianismo, é uma questão de princípio, como o Ninjitsu.

Agora uma modalidade afro-brasileira.

8. Capoeira — Com origens africanas, chegou ao Brasil por volta de 1538, trazida pelos escravos, que a praticavam como diversão e dança. Já no Brasil serviu também com algumas adaptações como forma de defesa pessoal contra as agreções sofridadas pelos brancos. Consiste em movimentos habilidosos de mãos e pés, considerada uma dança ou jogo, segundo alguns estudiosos, ao som de intrumentos como o berimbau, atabaque, pandeiro e outros, e cantigas. Embora o fundamento da Capoeira não esteja extritamente ligado às religiões africanas, ou seja, a base da modalidade não é religiosa, mas diversão, o que daria motivo do cristão praticá-la, aqui no Brasil ela está muito ligada. Até mesmo pelo fato do negro ser predominantemente adepto dos cultos afros, existe uma forte inclinação ao sincretismo religioso. Como foi notado por um escritor: “A Capoeira é o Tai Chi Chuan com tempero de dendê”.


Na graduação, muitas vezes os critérios adotados pelo mestre envolve elementos da natureza e do Candomblé (animismo). Os toques básicos e as cantigas para se entrar ou sair da roda de dança, apresentam nomes dos santos dos cultos afros e católicos (sincretismo), como, por exemplo, Iuná, São Bento, Santa Maria, Maculelê (afro-indígena). É preciso muito esforço para se distinguir a Capoeira com religiosidade afro. Um desafio ao cristão que presa pela Palavra.


• Terceiro – Se as artes marciais orientais e a capoeira não são compatíveis com o cristianismo por causa de sua natureza violenta, e esta é uma posição legítima, porque muitas passagens nas Escrituras falam contra a violência (Mateus 26:52). Entretanto, outros cristãos chamam a atenção para o fato de que, quando Jesus falou com soldados, ele não disse que combater fosse moralmente errado (Mateus 8:5-13). Além do mais, o apóstolo Paulo indicou que havia um uso legítimo da força pelo governo ao punir os malfeitores (Romanos 13:1-5). Na verdade, estas passagens não apoiam diretamente ou indiretamente as artes marciais (nem poderiam, pois não foram escritas para essa finalidade). Contudo, será a motivação que determinará se o crente deverá ou não praticar artes marciais. Pergunte-se: Por que quero praticar artes marciais? Para mostrar que posso bater em qualquer um? Para afligir o meu próximo? Se estas forem às motivações, então seria melhor nem começar. Porém, se a intenção inclui melhorar a condição física, ou mesmo a defesa pessoal (caso haja necessidade), então, pelo que parece, não deveria haver nenhuma objeção quanto ao cristão se envolver com as artes marciais, visto já os aspectos religiosos. Os versículos supracitados levaram muitos cristãos a concluir que a Bíblia não condena a autodefesa. Apesar de apoiarmos esta conclusão, reconhecemos que o assunto de autodefesa é um daqueles que deve ser determinado pela consciência de cada crente, individualmente. Devem-se pesar os prós e os contras, e em sã consciência, perante Deus, decidir se irá ou não praticar artes marciais. Essa é uma questão de decisão pessoal.


Em vista do acima exposto, fica claro que certas práticas esportivas não podem ser separadas da sua cosmovisão religiosa e mística, enquanto outras podem. O Aikido, o Ninjitsu, o Tai Chi Chuan, e em segundo plano a Capoeira, são os problemáticos e os mais incompatíveis com o cristianismo bíblico. Em última análise, se o cristão pode ou não participar de uma dessas artes marciais que poderiam ser conciliadas com o cristianismo? Depende em grande parte do instrutor. Se o instrutor promove o misticismo e leva seus alunos a algum tipo de desenvolvimento religioso, ou se existe uma tendência à violência e rivalidade na filosofia da academia, o cristão deveria deixar a escola. Se o instrutor separa a prática da religiosidade e violência por trás delas, então caberá ao cristão, utilizando sua boa consciência, participar. Sobretudo cabe a cada cristão respeitar a consciência do seu irmão. Um pouco de tolerância em questões não essenciais da fé cristã não faz mal a ninguém (Romanos 14:1-12), pelo contrário, é essêncial para se evitar o fanatismo e a intransigência religiosa.


Recomendamos que o cristão tenha em mente os seguintes fatores, caso resolva praticar uma arte marcial:


a) Primeiro, o cristão deve estar ciente de que, sendo esta uma área controvertida, ele deve ser cuidadoso para não causar tropeço a um irmão mais fraco (Romanos 14). Ele não deixa de ser seu irmão, apesar de ser “fraco”, ou de ter uma mentalidade incapaz de discernir entre o que é uma questão de fé coletiva ou uma de ordem pessoal. Mas, não deixa de ser lamentável que alguns “fracos” tentem impor a sua consciência aos seus irmãos. Todo o extremo deve ser combatido, não com violência, mas com mansidão e sabedoria.


b) Segundo, o cristão não deve permitir que uma arte marcial ou qualquer outra prática esportiva enfraqueça seu compromisso com Cristo (Hebreus 10:25). A arte marcial não deve ocupar o primeiro lugar na vida de um crente. Isso seria idolatria, pois se Deus não ocupa o primeiro lugar, então o seu “substituto” se torna o seu ídolo.


c) Finalmente, o cristão deve orar, e examinar sua consciência e seus motivos para se envolver com elas.


Estes passos assegurarão que o envolvimento de alguém com uma arte marcial esteja baseado não em motivos fúteis, mas numa consideração bem refletida.


Fonte: ICP (Instituto Cristão de Pesquisas)