terça-feira, 9 de março de 2010

OS HERÓIS DA FÉ


Desejo, através desse texto, mostrar aos cristãos a sua própria história (já que a maioria dos crentes não conhece) e quero que a geração de hoje saiba quem foram os heróis da fé que fizeram a diferença nesse mundo e que viveram e morreram com honra lutando pelo que acreditavam.

Um dos Pais da Igreja que mais admiro é Policarpo de Esmirna, porque ele não pregou heresias e reconheceu que as autoridades constituídas foram estabelecidas por Deus (algo raro entre os Pais da Igreja). Os registros sobre a sua vida nos foram transmitidos pelo seu biógrafo e discípulo predileto, Irineu, venerado como o “Apóstolo da França”. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e teve a oportunidade de conhecer outros apóstolos que conviveram com o Mestre. Ele se tornou um exemplo íntegro de fé e vida, sendo respeitado inclusive pelos adversários. Policarpo foi escolhido e consagrado para ser o bispo de Esmirna, pelo próprio apóstolo João. Foi amigo de fé e pessoal de Inácio de Antioquia, que esteve em sua casa durante o seu trajeto para o martírio romano. Este escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna, antes de morrer, enaltecendo as qualidades do zeloso bispo. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas sim em fortalecer a fé de seu rebanho. Ele escreveu várias cartas, porém, a única que se preservou até hoje foi a endereçada aos filipenses. Nela, Policarpo exaltou a fé em Cristo, a ser confirmada no trabalho diário e na vida dos cristãos. Também citou a Carta de Paulo aos filipenses, e repetiu as muitas informações que recebeu dos apóstolos, especialmente de João. Por isso, a Igreja o considera “Padre Apostólico”, como foram classificados os primeiros discípulos dos apóstolos. Policarpo foi condenado a morrer na fogueira, mas as chamas não lhe causaram dano algum. Ele acabou sendo morto ao fio da espada e o seu testemunho tem sido contado em todas as gerações.

Justino Mártir foi um grande filósofo. A educação infantil de Justino incluiu retórica, poesia e história. Quando cresceu, mostrou interesse por filosofia e estudou estoicismo e platonismo. Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e, então, lhe falou sobre Jesus. Ele falou a Justino sobre os profetas que vieram antes dos filósofos; ele disse como confiável testemunha da verdade: “Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas profecias se cumpriram em Jesus”. Justino disse depois que: "Meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e por aqueles que são amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil". Justino se consagrou totalmente a expansão e defesa da religião cristã. Ele continuou usando a capa que o identificava como filósofo e ensinou estudantes em Éfeso e depois em Roma. A convicção de Justino da verdade de Cristo era tão completa que ele teve morte de mártir sendo decapitado.

De acordo com os Actos Apócrifos, atribuídos a Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano, com a única intenção de fortalecer os corações dos cristãos, enfraquecidos diante das torturas. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiliano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão e, por isso, o designaram capitão de sua guarda pessoal, ou seja, a Guarda Pretoriana. A sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou Diocleciano a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (essa era a punição para os traidores).

Foi dado como morto e atirado em um rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por uma cristã chamada Irene, foi depois levado novamente diante de Diocleciano, que ordenou, então, que ele fosse espancado até a morte. Sebastião era um militar honesto e piedoso que dava bom testemunho, um exemplo a ser seguido.

Jorge teria nascido na antiga Capadócia, região do sudeste da Anatólia que, atualmente, faz parte da República da Turquia. Ainda criança, mudou-se para a Palestina com a sua mãe após o seu pai morrer em batalha. Sua mãe, ela própria originária da Palestina, possuía muitos bens e o educou com esmero. Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade, qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo a função de tribuno militar. Nesse tempo a sua mãe faleceu e ele, tomando grande parte das riquezas que lhe ficaram, foi para a corte do imperador. Vendo, Jorge, que urdia tanta crueldade contra os cristãos, parecendo-lhe ser aquele tempo conveniente para alcançar a verdadeira salvação, distribuiu com diligência toda a riqueza que tinha aos pobres. O imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos e no dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. Indagado por um cônsul sobre a origem dessa ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da Verdade. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: "O que é a Verdade?". Jorge respondeu-lhe: "A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu Redentor Jesus Cristo, e n’Ele confiando me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade."

Como Jorge mantinha-se fiel ao Cristianismo, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos e, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se negaria a Jesus para adorar os ídolos. Todavia, Jorge reafirmava a sua fé, tendo o seu martírio aos poucos ganhado notoriedade e muitos romanos tomaram as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao Cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo.

Expedito foi comandante de uma legião conhecida como "Fulminante" nome dado em memória de uma façanha que se tornou célebre no distrito de Melitene, na Capadócia, sede de uma das províncias romanas da Armênia, no final do século III. A legião era formada em sua maioria por soldados cristãos, sendo a sua função primordial defender as fronteiras orientais contra os ataques dos bárbaros asiáticos. Expedito destacou-se no comando dessa legião por suas virtudes de cristão e de chefe ligado a sua religião, a seu dever, à ordem e à disciplina. Antes de sua conversão, ele era um devasso, mas quando se converteu se tornou num militar honesto e justo. Convertido, assim como toda a sua tropa, foi vítima da ira do imperador Diocleciano. A importância de seu posto fazia dele um alvo especial do ódio do imperador. Foi flagelado até sangrar e depois decapitado. Ele teve uma morte honrada.

Atanásio de Alexandria foi um dos responsáveis pelo Concílio de Nicéia e combateu ferozmente o Arianismo (teoria que prega que Jesus não é Deus, mas sim uma criatura criada por Ele). Atanásio era um homem de baixa estatura, mas foi um grande instrumento usado por Deus. No Concílio de Nicéia, os livros da Bíblia foram reunidos e Atanásio defendeu a divindade de Cristo.

Ambrósio de Milão foi um Doutor da Igreja e batizou Agostinho de Hipona. Ele repreendeu o imperador Teodósio por causa do massacre de Tessalônica demonstrando tremenda coragem e foi um cristão exemplar.

Agostinho de Hipona foi o maior teólogo da Igreja Cristã. Esse grande servo de Deus pregava a Predestinação e também desenvolveu a teoria da guerra justa, pois ele não via problema algum em cristãos pelejarem para exaltar a justiça. A sua mãe, Mônica, sempre orava para que ele se convertesse e abandonasse as vãs filosofias, e as suas orações foram atendidas. Agostinho se converteu e se tornou Doutor da Igreja e seus ensinamentos influenciaram os reformadores do século XVI.

Jerônimo de Strídon foi o mais erudito dentre os Padres Latinos, por seu amplo conhecimento do latim, do grego e do hebraico, e também pelas suas amplas pesquisas no campo das Sagradas Escrituras. Jerônimo apresentava grandes e precoces aptidões para o estudo. Assim, o seu pai o enviou para a Roma, quando ainda era adolescente, onde se dedicou ao estudo da gramática, da retórica e da filosofia. Esse grande intelectual traduziu a Bíblia para o latim, que passou a ser conhecida como Vulgata, e isso facilitou o acesso do povo de sua época a Palavra de Deus.

John Hus era um erudito clérigo alemão que viveu cem anos antes da Reforma Protestante. Ele estava convencido da necessidade de apresentar as Escrituras Sagradas na língua do povo, acreditava que a salvação vem somente pela fé em Jesus Cristo e que apenas a Bíblia é a Palavra de Deus. John Hus ensinou isso abertamente na Universidade de Praga e à sua igreja, e alertava para os abusos do Cristianismo de sua geração. Ele foi excomungado e condenado a morrer queimado na fogueira e morreu louvando a Deus.

Martinho Lutero foi o principal reformador da Igreja Cristã; ele pregou as suas 95 teses na porta da catedral de Wittenberg e através delas criticou duramente o Catolicismo. Martinho Lutero não pretendia criar outra igreja, mas a Igreja Católica era tão corrompida com a idolatria e a corrupção que ele não teve alternativa. Esse grande teólogo foi um monge agostiniano, portanto, seguia a mesma linha teológica de Agostinho de Hipona, o maior de todos os Pais da Igreja.

João Calvino foi um grande reformador francês que fugiu da França e se refugiou, em Genebra. Ele foi o que mais divulgou a teoria da Predestinação, que passou a ser conhecida como Calvinismo, e combateu com bravura as heresias de seu tempo.

Ulrico Zuínglio era capelão do Exército, em Zurique, e também cooperou com a Reforma Protestante, e morreu em combate lutando contra os cantões católicos. Ele também combateu as heresias de sua época pregando o verdadeiro Evangelho.

William Tyndale foi um pastor protestante e um acadêmico inglês que traduziu a Bíblia para uma versão inicial do moderno inglês. Apesar das numerosas traduções para o inglês, parciais ou completas, terem sido feitas a partir do século VII, a Bíblia de Tyndale foi a primeira a se beneficiar da imprensa, o que permitiu uma ampla distribuição beneficiando os cristãos. Tyndale estudou as Sagradas Escrituras e começou a defender as teses da Reforma Protestante, muitas das quais eram consideradas heréticas, primeiro pela Igreja Católica e depois pela própria Igreja Anglicana. As traduções de Tyndale foram banidas pelas autoridades e o próprio Tyndale foi queimado na fogueira. Tyndale deu grande contribuição à Reforma Protestante e deixou um exemplo de fé e coragem.

Nesse texto, contei sobre alguns heróis da fé, porque se eu fosse falar sobre todos teria que escrever um livro. Espero que através do que eu escrevo, os cristãos possam ser abençoados e conhecer a sua própria história, isto é, a trajetória do Cristianismo. Peguei todas as informações na internet, portanto, não estranhem se verem trechos parecidos em outros sites. Que Deus abençoe a todos.